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De Cinéfilo Pra Cinéfilo

Os Representantes

Por Matheus Pereira

Em cada cantinho do nosso país existe um ser extraordinário. Um ser que é capaz de criar história e dar vida a ela. Uns sabem e fazem isso, outros sabem mas não botam isso em prática, outros ainda nem sabem do que são capazes.

No nosso país existem pessoas dotadas de um talento incomensurável. Pessoas que como citei acima, as vezes nem tem conhecimento sobre seus talentos. Há pessoas talentosas, só que as vezes faltam oportunidades.

Há uns dias atrás, saiu a lista dos possíveis representantes do Brasil no Oscar. Alguns dias depois o representante foi escolhido: Salve Geral de Sérgio Rezende. Na lista constavam Feliz Natal e À Deriva, só para citar alguns dos exemplos mais fortes. Confesso que ainda não assisti ao filme ainda, e obviamente, nada posso afirmar sobre o filme, mas será que este era o melhor da lista? E se fora, será que é o filme que mais merecia ser o escolhido? Mais uma vez o escolhido para representar nossa pátria fala sobre bandidagem e marginalidade. As pessoas que escolhem os representantes ainda não cansaram disso? Eles ainda não viram que esse tipo de filme não está convencendo, que os votantes da Academia não gostam muito desse tipo de filme? Será que o nosso país só tem isso? Um país em que as paisagens são as mais belas e as mulheres mais estonteantes. Em que a amizade e o amor falam mais alto que em qualquer outro lugar do mundo. Em que o talento transborda, em que existem idéias e gente para torná-las realidade.

O Brasil é o país do futebol. É o país do Carnaval. Tá, mas e daí? Sinceramente, não me interessa. Dar valor só pro futebol e milhões e milhões pro carnaval e simplesmente esquecer suas artes e de seus habitantes talentosos é uma completa ignorância. Só carnaval e futebol não tem graça. E o cinema, e o teatro? Isso não importa? Verba não tem. Espaço não tem. Se um estreante procura por distribuidoras ninguém aceita, ninguém compra, ninguém quer. Um país em que as oportunidades são escassas. Por exemplo: o diretor do filme de terror Capital dos Mortos foi atrás de distribuidoras para distribuírem seu filme. O resultado: ninguém quis e ele teve que tirar dinheiro do próprio bolso para fazer várias cópias do filme e vendê-las pela internet. Qual o preconceito com o filme? Por que não lhe deram uma oportunidade?

Que moral, nós brasileiros, temos de reclamar do filme Turistas, por exemplo. Lembro, que até campanhas contra o filme surgiram na internet, alegando que o filme denegria a imagem do nosso país. Pura perda de tempo. Que moral nós temos para falar, se denegrimos nossa própria imagem? Nós mesmos vendemos o nosso lado ruim. Nós mesmos mostramos nossa face mais suja. O que esperavam como resposta?

Não digo para mascararem a verdade ou as coisas ruins, digo para darem mais valor aqueles filmes ricos em alma e inteligência.

Chega de bandidos, mortes, drogas, roubos, palavrões. O cinema nacional é mais que isso, é mais poderoso. É capaz de filmes muito mais importantes.

Confesso que não sou fã do cinema nacional, mas volta e meia, bons filmes surgem, dentre eles o melhor, em minha opinião, é Cidade de Deus de Fernando Meireles.

O Brasil tem muita capacidade, e muita gente boa. Basta as oportunidades florescerem e as pessoas abrirem os olhos...

2 comentários:

No ano passado, inscreveram Tropa de Elite. Felizmente o escolhido foi o ótimo O Ano em que meus Pais Saíram de Férias, que acabou não sendo selecionado. Duvido que tenhamos chance com Salve. E vc está certo. Temos violência, mas não é só o que temos. Se tivessemos escolhido A Festa da Menina Morta, indicaríamos um filme com raízes culturais e bem mais interessante que esse aí.

26 de setembro de 2009 09:30  

muito bom matheus!
concordo plenamente com vc!

26 de setembro de 2009 10:22  

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