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Em DVD - Crítica - Watchmen

Corajoso. Assim pode-se definir Watchmen. Novo filme do jovem e muito talentoso, Zack Snyder (Madrugada dos Mortos e 300).

Watchmen é corajoso pelo seguinte fator: é um filme de super-heróis com mais de 160 minutos de duração que não tem muita ação e que trata de assuntos políticos e atuais. Coisas que não agradam em nada quem vai ao cinema querendo ver apenas mais um filme de ação como muita explosão e pancadaria.

Tem pancadaria? Tem. Tem ação? Tem. Tem efeitos especiais? Tem. Mas tudo isso dosado da melhor forma e tudo feito no tempo certo, em momento algum a ação ou os efeitos tomam o espaço da narrativa, aniquilando o roteiro e tratando os espectadores como retardados. Há espaço para discussões políticas e morais e diálogos inteligentes que fazem com que Watchmen não seja apenas um filme de super-heróis com homens de capa e vilões abobados falando bobagens. Aqui os personagens falam sobre Deus e população do mundo. Falam sobre o futuro e sobre Nixon (que aqui não morre e consegue se reeleger por mais duas vezes). Watchmen prova, que não foi apenas O Cavaleiro da Trevas que conseguiu ser um filme de heróis inteligente, prova que tem um “cérebro” e nos faz pensar.

Tem clichês? Tem. Mas isso não é culpa de seus roteiristas(em partes, talvez) ou de Snyder, e sim dos criadores das HQs (Alan Moore e Dave Gibbons). Quando um dos seus antigos colegas é assassinado, o derrotado, mas nem um pouco menos determinado, vigilante mascarado Rorscharch, parte para descobrir o que seria um plano para matar e desacreditar todos os super-heróis do passado e do presente. Quando ele restabelece a conexão com sua antiga legião de combatentes do crime - um confuso grupo de super-heróis aposentados, dos quais apenas um possui poderes verdadeiros - Rorschach percebe que existe uma conspiração abrangente e perturbadora com ligações com o passado que eles dividiram e catastróficas conseqüências para o futuro. A investigação é um pouco clichê, assim como o grupo de heróis aposentados que se recusam voltar a ativa no primeiro momento, mas que depois aceitam as propostas. Mas Watchmen não é apenas essa sinopse. Muita coisa é mostrada e dita nas quase três horas de filme, e é preciso atenção para que tudo seja captado e entendido.

O filme é repleto de simbolismos (repare que em vários momentos ao mostrar a cidade de NY, Snyder enquadra as Torres Gêmeas de alguma maneira, e em várias vezes há um ou dois dirigíveis indo em direção a estas torres. Até mesmo no enterro de um dos personagens é possível ver as torres ao fundo) e diálogos longos e importantes. Chega ser incrível o quanto o filme consegue ser complexo e cheio de tramas paralelas, mas não menos importantes. Um roteiro muito bem adaptado, inteligente e bem explicado. Feito para fãs e não fãs, afinal, as pessoas que nunca leram a HQ também assistem o filme. E você que assim como eu nunca leu os livros de Moore não se preocupe, tudo é bem explicado, basta ter atenção, principalmente se assistir o filme legendado.

Tecnicamente o filme é impecável. A direção de Snyder, como sempre, é bela. Com ângulos e enquadramentos que parecem quadros e pinturas. Utiliza a violência(que não é pouca) gráfica, mas como já foi dito, Snyder não esquece da trama do filme, contando-a muito bem, com calma e firmeza. Amparado com uma fotografia e com direção de arte impecáveis, o filme é um dos mais bonitos do ano.

E o que falar da trilha sonora perfeita? Alguma coisa é original, mas grande parte da trilha é composta por clássicos. E novamente cito a cena do funeral de um personagem, pois é nela que a ótima Sound Of Silence de Simom e Ganfunkel toca. Fazendo com que todo o conjunto (direção, fotografia, efeitos e música) se torne uma das melhores partes do filme.

Jackie Earle Haley e Jeffrey Dean Morgan são os melhores em cena. Haley e seu violento Rorscharch são, juntos, os melhores, tanto ator quanto personagem. E tenho certeza de que o trabalho de Haley não foi fácil, afinal, ele atua a maior parte do tempo com a máscara, impedindo a interpretação facial, e é aí que ele se sobressai, usando apenas a expressão corporal. Morgan por sua vez, interpreta tudo com uma naturalidade incrível, nas mãos de outro, seu personagem poderia se tornar apenas um ser desprezível, mas nas mãos dele, se tornou um ser humano falho que só queria ajudar o mundo, só que de uma forma bem estranha. O único que não brilha da mesma intensidade é Matthew Goode (Ozymandias), mas ainda assim faz um bom trabalho.

O DVD brasileiro é bem fraco. Possui apenas um extra, que é bem sem-graça. O filme possui opções de dublagem e de legenda, o extra felizmente é legendado. A capa do DVD particularmente ficou bem sem-graça também, creio que não vá chamar muito atenção nas prateleiras, mas isso são detalhes. Em termos de imagem, som e dublagem tudo esta perfeito

Enfim, Watchmen é isso: corajoso, belo, inteligente e divertido. Com cérebro e alma. Duas coisas que andam tão escassas no cinema, principalmente no gênero que o filme se enquadra. O filme levanta uma importante questão em seu final, fazendo com que pensemos bastante: vale a pena sacrificar uns para salvar outros, e o pior: quantos serão sacrificados para isso? Calma, não revelei nada sobre o filme, até porque em um dos cartazes estrangeiros do filme uma frase parecida é usada, e o filme não levanta apenas essas questões. Não está isento de erros, mas nem vale a pena citá-los aqui quando, ao invés disso, posso falar apenas das qualidades do filme, que não são poucas.

Filme: 8 / 10
Extras: 4 / 10

Matheus Pereira


3 comentários:

Matt... q critica, hein? muito boa, e tu pego toda a essencia do filme mesmo. É justamente tudo aquilo ali mesmo. Agora uma coisa, qnd voce menciona que tem certas situaçoes clichês. Eu descordo, porque o HQ Watchmen que serviu de base para inumeros outros HQs e filmes. Entao logo ele se tornaria original e as obras posteriores [ao HQ] e anteriores ao filme. Mas, ressaltando mais uma vez. TEXTO PERFEITO.

2 de setembro de 2009 16:10  

icha = richar (da comuna PREVIEW)

2 de setembro de 2009 16:11  

Watchmen é meu Quadrinho preferido e o filme é muito bom. Concordo com o que vc falou sbe o elenco e tbm com o Caio qdo disse que na verdade Watchman foi precurssor de um monte de coisa que a gente curte hoje. Fiquei chateada com o DVD mixuruca. O filme merecia coisa bem melhor Ía comprar, mas vou esperar por talvez uma edição definitiva.

3 de setembro de 2009 13:36  

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