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TOP 10 - 2009

TOP 10
Por Matheus Pereira

2009 se acabando, arrependimentos e agradecimentos são constantes. O último dia do ano é para se pensar nos erros e tentar não cometê-los no próximo ano. O ano de 2009 foi um bom ano para o cinema. Um ótimo ano, na verdade. Particularmente achei melhor que o ano de 2008. Este ano o famoso “TOP 10” pareceu tão pouco diante de tantos bons filmes. Poderia listar um TOP 20 tranquilamente, mas prefiro ser clássico, e seguir a famosa risca. A seguir segue a lista dos 10 melhores filmes de 2009, lançados comercialmente no país este ano. Você irá notar que o filme Guerra ao Terror consta na lista e que este fora lançado diretamente em DVD, mas é impossível deixá-lo de fora. Espero que gostem:


Muitos se perguntam quão revolucionário é Avatar. Eu não sei dizer o quanto, só sei dizer que é. E não precisa esperar alguns meses ou anos para constatar isso. Está ali, na tela. James Cameron mostra pra todo mundo um novo mundo, repleto de cores, plantas estranhas, belas e brilhantes, e animais enormes, ferozes e incríveis. A história é um pouquinho ultrapassada, clichê e alguns diálogos são de “efeito”? Pode até ser, mas nada disso enfraquece o poder de Avatar. Titanic tinha os mesmos erros, mas hoje, é reconhecido como um dos maiores espetáculos cinematográficos da história. E é como eu sempre digo: você pode ter uma história ruim e com erros nas mãos, mas se você souber contá-la, ela pode se tornar a maior e melhor história de todos os tempos. Cameron faz isso, com uma história um tanto velhinha e clichê, ele sabe contá-la de maneira magistral, transformando-a na melhor história (filme) do ano.


Há um bom tempo David Fincher vem se mostrando o melhor e mais competente cineasta da atualidade. Reconhecido como o melhor de sua geração, Fincher entrou para a seleta lista dos cineastas jovens que se tornam gênios em seus primeiros filmes, como Martin Scorsese e Paul Thomas Anderson. O reconhecimento mundial veio com a obra-prima Clube da Luta. Antes disso, Fincher dirigira Alien 3 e Se7en. Depois de Clube da Luta vieram o divertido O Quarto do Pânico e o excelente Zodíaco. Mas foi em 2009 que o cineasta voltou para mostrar seu perfeccionismo e cravar seu nome para sempre na história do cinema com o seu perfeito O Curioso Caso de Benjamin Button. Infelizmente Fincher entrou também, para a lista dos cineastas mais injustiçados da história, que também incluem os mesmos Scorsese e Anderson, todos eles (com exceção do primeiro que recebeu o primeiro Oscar com mais de sessenta anos...) nunca receberam um Oscar. Anderson por Sangue Negro e Fincher por este perfeito trabalho.

Em meio a tantas séries de TV, livros (para estes há de ser criado um espaço só pra eles nas livrarias, tamanha quantidade de livros sobre os sugadores) e filmes, um se sobressaiu. Enquanto um fez um sucesso inacreditável nas bilheterias, outro chegou com atraso nas terras brasileiras. Inteligente e repleto de metáforas, Deixa Ela Entrar é o melhor exemplar do terror do ano, e o melhor: é sueco, e não americano. Baseado em um livro do próprio roteirista, Deixa Ela Entrar e dirigido com maestria por Thomas Alfredson que opta em dar ênfase à amizade das crianças e ao roteiro do que às cenas de violência ou efeitos especiais (estes quando aparecem são usado em prol da história, não em detrimento). Com cenas chocantes (a cena em que a menina de treze/quatorze anos aparece nua causou polêmica e longos e longos debates em fóruns e chats) roteiro inteligente e educado (afinal, foi o único que tratou a cultura vampírica com respeito e perfeição)e um elenco sensacional (destaque para Kare Hederbrant e Lina Leanderson), Deixa Ela Entrar assusta e faz pensar, feito alcançado por um filme lançado nos já longínquos anos 1999, por um certo Shyamalan. Pena que pouquíssimos foram os sortudos que assistiram essa obra-prima do cinema mundial.


Quando um cineasta faz duas ou três obras-primas, ou ele tem de parar para pensar num projeto digno de sua carreira até ali ou ele vira um diretor nada modesto. Quentin Tarantino se encaixa nas duas formas: após lançar obras-primas do cinema como Cães de Aluguel e Pulp Fiction, Tarantino sentou, pensou e colocou seu projeto mais ambicioso em prática. Mas este mesmo projeto veio acompanhado de uma falta de modéstia do diretor, auto-proclamando seu filme como obra-prima. Além de ser o filme mais esperado do cineasta até então, o homem proclamou o longa como obra-prima fazendo com que a expectativa aumentasse em proporções inimagináveis. Tarantino juntou um elenco um tanto desconhecido (o nome mais conhecido é o de Brad Pitt, o segundo é o de Eli Roth...), uma história original e maluca (bem ao seu modo) uma ótima equipe técnica e começou a filmar a “obra definitiva sobre a 2ª guerra”. No final, fez um bom sucesso nas bilheterias, foi aclamado pela crítica, fora indicado ao Globo de Ouro e a vários outros prêmios e um dos mais cotados a ser finalista no Oscar de 2010. Contando com a melhor atuação masculina do ano (Christoph Waltz, extrapola e dá um aula de atuação e idiomas)e o roteiro mais divertido Inglorious Basterds é sensacional. Tarantino voltou a brilhar ante aos holofotes, lugar de onde, realmente, nunca saiu.


Como juntar política, jornalismo e uma enxurrada de diálogos sem tornar a história chata? Ron Howard parece que descobriu o modo de preparo e lançou uma pequena obra prima que mistura política, jornalismo e constantes diálogos, mas que incrivelmente não é chata, ao contrário, é divertida, é dinâmica. Precisa saber apenas que o ex-presidente dos EUA, Nixon, fizera uma burrada, e que o playboy da televisão da época, Frost, decidiu entrevistá-lo como uma forma de extrair importantes informações, uma confissão, e o mais importante: audiência. Frank Langella dá uma aula de interpretação como presidente arrependido, mas casa grossa. Mas o destaque vai mesmo para Michael Shenn, perfeito como Frost. Shenn incorpora perfeitamente os medos e objetivos do apresentador, mostra seus pontos fracos, seus sonhos e, é claro, explora seus pontos fortes, escondidos desde o princípio. O elenco coadjuvante funciona como um time em perfeita harmonia. Desde um Kevin Bacon centrado até um Sam Rockwell, ótimo como sempre. Adaptado de maneira magistral de uma famosa peça de teatro e incrivelmente dirigido pelo regular Ron Howard, Frost/Nixon surpreende, tamanho seu poder em fazer com que um simples diálogo pareça uma tensa luta de boxe.


Este é o único da lista que fora lançado diretamente em DVD aqui no país, mas igual aos outros, foi lançado este ano no Brasil. Há filmes que você tem de falar várias e várias vezes, lembro que escrevi incontáveis críticas e comentários sobre Sangue Negro, hoje, não agüento escrever sobre o filme, apesar de considerá-lo a segunda melhor obra-prima da década do cinema (depois de O Senhor dos Aneis, lógico). Com Guerra ao Terror acontece a mesma coisa. Apesar de achar o filme excelente, eu já estou cansado de falar sobre ele. Todo momento alguém comenta sobre o filme na internet, lá vou eu comentar, tenho de escrever uma crítica para o blog, lá vou eu escrever, vou analisar os favoritos ao Oscar e lá está The Hurt Locker, vou separar os melhores do ano e lá está The Hurt Locker. Kathryn Bigelow constrói aqui um profundo e detalhado estudo das vontades e das escolhas humanas. Logo no início lemos a seguinte frase: “A Guerra é uma droga”. Logo de início não entendemos a mensagem, mas nos minutos finais da projeção entendemos perfeitamente o motivo da guerra ser uma droga. E é nesses pequenos momentos que constatamos a inteligência da direção e do roteiro extremamente original. Editado de maneira primorosa e com atuações dignas de prêmios (Jeremy Renner esta excelente), Guerra ao Terror perfeito técnica e narrativamente. Filme de guerra dirigido por uma mulher resulta num filme de guerra com alma e coração.


Existe essa tal magia do cinema? Para alguns sim, para outros não passa de um rótulo ou um marketing. Mas pense um pouco, a magia do cinema existe com certeza. Basta assistir filmes como Distrito 9 que conseguimos comprovar a existência de tal magia. “Mas onde raios está a magia em um filme com alienígenas e que se passa na África?”, você pode se perguntar. Bem, a magia está na concepção do filme: custando míseros 30 milhões de dólares (custo de uma comédia regular) o diretor Neill Blomkamp (estreante) e o produtor Peter Jackson (dispensa apresentações) fizeram praticamente o impossível. Esticaram ao máximo o orçamento. O resultado se vê na tela: efeitos especiais de primeira (os alienígenas são perfeitos, as armas e veículos são excelentes, com destaque para a máquina da última meia hora), tudo é com o realismo em primeiro lugar. A fotografia aposta em cores secas e a direção opta por uma forma semi-documental. Distrito 9 conta com um roteiro super original e um direção afiada. Essa é a tal magia do cinema.


Quando um ator/atriz, diretor ou roteirista retorna das cinzas, ou ele voltará ao fundo poço em breve, ou conseguirá manter-se na superfície por um bom tempo. Jean Claude Van Damme é assim. Depois de protagonizar “filmes de locadora” o astro brucutu estrelou o que talvez seja seu melhor filme: JCVD. Mas é nítido que este retorno é temporário, e que logo, ele retornará ao lugar de onde saíra: o anonimato. Mickey Rourke teve um pouco mais de sorte. Após seu retorno triunfal no excelente O Lutador, o ator já protagonizou alguns bons filmes, faz parte do elenco principal de Os Mercenários (projeto ambicioso de Sylvester Stallone) e é o vilão de Homem de Ferro 2 (se você nunca ouvir falar desse fenômeno, pode ser jogar do vigésimo andar...). É, seu retorno realmente foi de mais sorte. Mas como eu já citara, O Lutador foi o filme que o trouxe de volta à luz dos holofotes. Com uma atuação emocionante e visceral, Rourke garantiu o Globo de Ouro de Melhor Ator, uma indicação ao Oscar (perdeu para Sean Penn...) e o mais importante: o carinho do público, que até então o esquecera. Rouke continua deformado fisicamente, mas o talento continua intacto, tal qual seu amor pelos cachorros que ele tem. Daren Aronofsky entrega um longa emocionante, em que a alma pura salta da tela e toca o coração. No final estamos com os olhos marejados ao som da bela música de Bruce Springsteen.


Qual o problema de você conceder um trabalho nota dez? O próximo, obrigatoriamente e logicamente tem que ser nota onze, o posterior doze, e assim por diante. É assim com os textos do blog, com os trabalhos da escola e com qualquer coisa que você se propõe a fazer. A Pixar enfrenta esse grande problema toda vez que anuncia e lança um novo filme. Cada filme tem que superar o anterior, são pressões impostas pelos fãs e por eles mesmos. De onde eles tiram histórias tão originais e criativas? Não sei, mas gostaria de saber. De onde eles tiram personagens tão cativantes? Também não sei. Será uma fonte mágica? Será que são alienígenas vindos de marte feitos especialmente para nos presentear com excelentes animações? Acho meio improvável, talvez eles sejam simplesmente pessoas objetivas e corajosas, inteligentes e persistentes, é claro que a sorte e a estrela ás vezes brilha mais do que as estrelinhas dos outros, mas não podemos negar a genialidade de cada um. Depois de Wall-e, muitos pensavam que a Pixar não conseguiria se superar, que eles não conseguiriam repetir o feito e lançar outra obra prima. Para alguns, eles realmente não lançaram, para outros fizeram um obra melhor, para outros, e me incluo neste grupo, eles mantiveram a perfeição. A Pixar não erra um.

10º

Na minha crítica sobre Inimigos Públicos, publicada dia 05 de novembro deste ano que se finda, escrevi que era extremamente difícil “dissecar” tal filme. Faltam palavras, talvez devido a sua força, ou porque simplesmente não há o que falar. Michael Mann aperfeiçoa a técnica de filmagem digital e concebe uma direção precisa, técnica e emocional. Amparado pela bela fotografia e pelo ótimo elenco encabeçado por Johnny Depp (perfeito) tendo como coadjuvantes Christian Bale (ótimo, mas ainda é ofuscado pelo brilho de outros interpretes) e Marion Cotillard (linda e no ponto). Ação e drama profundo se misturam numa trama repleta de vai e vens e com um final que dispensa comentários. A única coisa que posso fazer é indicar o filme que já está nas locadoras. Mann em ótima forma (não sei até quando) e Depp em ótima forma (como sempre e com certeza durante muito tempo) garantem a felicidade de nós cinéfilos num dos melhores filmes do ano.

Destaques para:

11 – Dúvida

12 – Quem Quer Ser Um Milionário?

13 – Intrigas de Estado

14 – Watchman

15 – Arraste-me Para o Inferno

Bem, esta é a minha singela lista dos melhores do ano. Espero que tenha gostado e se identificado com a lista.

Comentem, e em breve, postarei a Lista dos Melhores da Década.

Abraços e um ótimo 2010...

...se dirigir não beba...

...se beber me chame.

Anos 2000
Por Matheus Pereira

O bom filho, a casa torna. Não adianta, por mais que tentamos provar que o ditado é uma farsa, ele sempre aparece, provando-nos que realmente, sempre voltamos ao lar, ao que nos faz bem. Por isso, depois de quase dois meses volto a escrever em minha seção preferida: Melhores Momentos - Anos 2000. Os compromissos, os estudos, tudo impediu que eu continuasse escrevendo, tanto nesta seção quanto no blog, mas é lógico que não pude ficar longe por muito tempo. Agora que as merecidas férias chegaram, poderei escrever novamente e, quem sabe, terminar esta seção especial. Aos poucos o blog vai voltando ao normal, e eu, que realmente nunca fui embora, estou voltando. É bom estar de volta ao normal, principalmente escrevendo minha melhor seção, a que mais gosto de escrever e todos sabem disso. É bom retornar à casa, é bom retornar aos amigos e leitores, é bom falar de cinema novamente. Esta é a volta do que, realmente, nunca foi.
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"Eu sou Howard Hughes, o aviador"

O Aviador - Em 2004, muito se falou sobre o filme de Martin Scorsese. A maioria dizia que era o favorito nas premiações, as apostas aumentaram quando o longa recebeu onze indicações ao Oscar. Scorsese que nunca levara um Oscar era o favorito na categoria de Melhor Direção. Não tinha pra ninguém aquele ano, o Oscar era mesmo de O Aviador. Ou não. Bastou Clint Eastwood chegar e tirar o doce das mãos do baixinho grisalho. Enquanto Eastwood pronunciava palavras emocionadas de agradecimento no palco do teatro Kodak ao receber o Oscar de Melhor Direção, Scorsese lamentava-se e se perguntava: "O que faltou? Onde foi que errei?" O que faltou ou qual fora o erro ninguém sabe, fãs de Scorsese e do filme ficaram revoltados, os chefões da Miramax soltavam fogo pelas ventas, Eastwood dava gargalhadas. Mas nem tudo estava perdido, ainda tinha a categoria principal, de melhor filme, e Scorsese ainda tinha chances, afinal nenhum dos dois favoritos havia ganhado os prêmios de roteiro, um ganhara até ali cinco Oscar, outro apenas três. O nervosismo aumentava, até que um ator (não lembro se era Nicholson ou Hanks ou nenhum dos dois) surgiu no palco do teatro e bradou "And the Oscar goes to... Milion Dollar Baby. A essas alturas Socrosese e os donos da Miramax chutavam o pau da barraca e davam sorriso amarelos de derrota para os jornalistas. Melhor que o filme de Eastwood? Pra mim não, mas seria bom ver o mestre grisalho subir no palco emocionado e agradecer pelo merecido prêmio, que viera um Oscar depois por outro filme. Técnico e narrativamente excelente, O Aviador tem seus fãs e tem seus detratores, como qualquer outro filme. Cenas memoráveis? Sim claro. Quais? Basta citar o voo desastroso de seu personagem, em que arranca telhados de casas e termina mal, numa aula de direção amparada por belos efeitos visuais.
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"Olá, estranho"

Closer: Perto Demais - Amor. O que seria este sentimento ótimo e traiçoeiro? Traição. O que seria este antônimo de amor. Sexo. O que seria este primo bastardo do amor? Ninguém sabe explicar, mas Mike Nichols soube mostrar com perfeição e inteligência através de diálogos inteligentíssimos e um roteiro bem original. O filme gira em torno de quatro personagens (interpretados por Clive Owen, Julia Roberts, Jude Law e Natalie Portman, todos excelentes), durante quase duas horas conhecemos cada um de perto, não perto demais, mas perto o suficiente para entendermos seus medos, suas angústias e sua respectivas e vidas e problemas. Vemos um anjinho se transformar em uma diabinha mentirosa, vemos um homem aparentemente sério cheio de perversões na cabeça e pronto para se encontrar com uma pessoas que conheceu através de um bate papo na internet, vemos um homem comum, ciumento, misterioso, vemos uma mulher perdida em meio as suas escolhas, em meio aos seus erros e suas atrações. Esses quatro se encontram, se separam, se beijam, vão mais além, brigam, discutem, põem as cartas na mesa e começam a jogar. Princípios? Eles até tem, mas todos caem por terra quando o assunto é amor e fidelidade. Alguns parecem estar juntos apenas pelo prazer físico, pelo sexo e nada mais. Um parece estar preocupado apenas em como a mulher o vê como homem na cama, isso fica claro quando ele descobre que a mulher o traiu e ele pergunta na maior naturalidade se ele era melhor na cama, se ele dava mais prazer a ela e a mais incrível: se ela sentia mais prazer com o amante do que com ele. Ele não fez perguntas do tipo: "E o nosso futuro?" "E o nosso amor?", não, ele não queria saber isso, ele queria era saber o quão o outro era bom na hora "h". Talvez ele queria fazer perguntas envolvendo sexo apenas para fazer com ela se sentisse uma vagabunda, ou talvez ele "só" queria saber se ele era melhor, não como marido ou como homem, mas sim como animal reprodutor. Enquanto umas mentes, outras choram, enquanto umas viram dançarinas em boates outra traem, no meio disso, como sempre, os homens são sempre os imbecis da história. Não há como escolher uma cena, posso citar os inteligentes e provocantes diálogos e os minutos finais ao som de uma bela música.
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"Eu vou proteger você, papai"

Crash: No Limite - Sabe aquela pessoa que você pediu licença na rua? Sabe aquela pessoa que você xingou no trânsito. Sabe aquela pessoa que você conheceu na festa? Sabe aquela pessoa que você olhou de soslaio na rua? Pois é, esta pessoa pôde ter sua vida alterada graças a sua ação. Suas vidas se cruzaram, seus olhares se encontraram, o resultado disso? Só o tempo dirá. As consequências? Bem, faça a coisa certa que as consequências serão boas. É sobre isso que Crash trata. De vidas e pessoas que se cruzam. Seja num acidente de carro, seja através de tragédias e crimes, as pessoas sempre estão se cruzando. Trata de idas e vindas, e o mais importante: do auto conhecimento. Afinal, até que ponto você se conhece? Será que na hora da raiva você seria capaz de disparar uma arma? Será que devido aos problemas pessoais você abusaria do seu poder e abusaria de outra pessoa? Será que você discriminaria uma pessoa só porque ela é negra ou tem tatuagens? Não responda, até porque, você não sabe a resposta. Na hora da raiva, meu amigo, você não quer saber se o pato é macho, você quer é ovo. Não hora da tristeza, companheiro, você não quer saber da cor, da idade ou da procedência da pessoa, você quer é xingar, quer mandar a um lugar bem longe e dar as costas para as consequências. Na hora que a vida te dá um tapa na cara, caro ser irracional, você não quer saber se você mereceu o tapa, você quer procurar outro alguém para retribuir o tapa. Na hora que seus nervos são testados é que você vê que não se conhece. Com um roteiro poderoso, capaz de provocar as mais variadas interpretações, o filme de Paul Haggis é o que poucos conseguem ser e ter: inteligente e com alma. Assista, e por mais que você não goste do resultado final, ao menos pense nas mensagens deixadas no transcorrer da história, pois assim como na vida, um filme é de idas e vindas, de acertos e de erros, de ensinamentos e emoções. Crash é um pouco disso. Talvez você pense sobre seus erros e sobre seu auto conhecimento agora, daqui a pouco ou talvez amanhã...
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"Ouça o sino de alerta, pois eles estão vindo"

A Vila - Qual a origem do medo? De onde vem este sentimento tão misterioso. Sentimento que causa-nos arrepios, falta de ar, palpitações, nos faz suar frio. Sentimos mais medo do que não vemos. Sentimentos muito mais medo de algo que não enxergamos, não sabemos sua forma física, não sabemos de onde vem, nem pra onde vão. Por que sentimos mais medo quando estamos no escuro? É porque não enxergamos. Temos medo do incerto, do invisível. É essa a "mensagem" que M. Night Shyamalan (ainda em boa forma) nos passa em A Vila. Os moradores de um vilarejo temem seres moradores da floresta. Por quê? Porque pouco se sabe sobre estes seres, poucas vezes foram vistos. Apenas se sabe que a cor dos monstros é a vermelha. O que resta é fugir e temer os tais monstros. Shyamalan constrói seu suspense calmamente, com uma melancólica trilha sonora e uma fotografia perfeita, aos poucos, postas sobre a existências dos monstros vão sendo deixadas pelo caminho. A surpresa surge um pouco antes do necessário e não tem o mesmo impacto que O Sexto Sentido, mas mesmo assim surpreende. Sufoca em algumas cenas, arrepia em outras, tudo no melhor estilo de Shyamalan. Acho exagero de alguns criticá-lo com todas as forças, acho exagero, também, me criticar por gostar do filme. A melhor cena é aquela em câmera lenta em que a personagem de Bryce Dallas Howard está com o braço esticado e aos poucos a criatura se aproxima ao som de uma orquestra.
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"Meu coração está pronto"

A Paixão de Cristo - Por que será que um cineasta resolve filmar apenas as últimas doze horas de vida de Jesus Cristo? Ao invés de mostrar seus milagres e a parte boa da vida do filho de Deus, Mel Gibson resolve mostrar a pior e mais dolorosa parte. Será que é para saciar o egocentrismo? Será que é porque Gibson é fascinado por violência? Ou será porque ninguém, até então, nunca se aventurara por esta fase tão triste da vida de Cristo? A resposta ninguém sabe, creio que nem Gibson saiba. A única coisa que eu, ele, e o mundo inteiro sabemos é que mesmo sendo extremamente violento o filme foi um sucesso de bilheteria. Por quê? Também não sei. Por que será que as pessoas pagaram para ver a imagem de um ser tão bom apanhando e sendo crucificado? Insanidade? Atração por violência? Acho que não. O sucesso do filme deve-se a alma que Gibson depositou sobre ele. Por mais que alguns achem que Gibson se aproveitou da história para mostrar cenas de violência gratuita, eu não vejo assim, Gibson não é sutil ao mostrar que realmente, seu objetivo é chocar, mas esse choque tem objetivo, tem fundamentos, basta tentar enxergá-los, pois estes que reclamam da tal violência é porque só olharam a violência e nada mais. Se odeiam tanto violência, porque não se prenderam a outros artifícios do longa? A história em si, a mensagem, a fotografia, sei lá, é muito mais fácil que criticar um diretor que só quis mostrar algo diferente, que ninguém, até aquele momento teve coragem de mostrar. Gibson quer mostrar mais que violência gráfica ou chocar o público, ele quer deixar uma mensagem, pena que nós, burros seres inferiores, não ouvimos, fechamos nossos olhos e tampamos nossos ouvidos para o que é mostrado na tela: o homem que sempre fez o bem e que veio ao mundo para mudá-lo foi brutalmente assassinado por nós, sim por nós mesmos, que todos os dias com nossa mesquinharia e erros atiramos várias pedras na cruz. Como seria o mundo hoje se Ele chegasse ao menos aos quarenta anos, sem a interferência dos, sempre, homens pobres de espírito. A cena da crucificação é arrepiante, Gibson mantém a técnica e a emoção lado a lado.
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"Pode ficar com o troco"

O Terminal - Critiquem. Podem me criticar. Sei que muitos não gostam deste filme, mas eu sinto algo tão estanho por este longa, eu gosto tanto dele que seria um desrespeito com o filme e comigo mesmo se não o colocasse na lista. Existem filmes, que mesmo conhecendo e vendo seus erros gostamos de assistir. Enxergamos todos os erros, eles estão ali, mas mesmo assim gostamos do filme. Acontece assim com tudo e todos. Quando você conhece alguém, por exemplo, aos poucos você conhece os erros dessa pessoa, vê que seu "roteiro" é clichê e não tem nada de interessante, vê que sua "direção" é insegura, que sua "fotografia" pela manhã é bem assustadora, que seus "figurinos" apresentam alguns erros de escolha, que sua "maquiagem" é um tanto artificial demais e que seu "som" ás vezes o irrita, mas você ama essa pessoa, apesar de todos os erros você a ama, e não sabe como nem porquê. Você apenas sabe que ama. Assim acontece com os filmes, apesar dos vários erros, você inexplicavelmente ama-o. É isso que acontece com O Terminal, tem erros e absurdos, como qualquer um que você conhece por aí...
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"Aprecie o casaco que você roubou de mim"

Encontros e Desencontros - Quando tudo está desmoronando, quando tudo parece estar perdido, para quem ou para onde você foge ou apela? Você torna-se vulnerável? Toma coragem para fazer o que nunca imaginou que faria? Parte para outra? Abaixa a cabeça e chora, ou fica "aberto" a novas experiências? A vida do astro decadente Bob Harris vem caindo aos poucos. Sua carreira não é mais a mesma. A "meia-idade" chegou. O casamento vai de mal a pior. Harris viaja para o Japão para fazer uma campanha publicitária. Lá conhece uma linda jovem, que apesar de ser bem mais nova passa por problemas parecidos. Os dois se conhecem e notam que um é o espelho do outro. Os dois têm problemas parecidos e podem se ajudar. Aos poucos vão se conhecendo, saindo. A amizade vai tomando outros rumos, ali começa a florescer uma interessante paixão. No decorrer da história nunca ficamos sabendo se os dois realmente se amam. Nunca sabemos se há ali uma paixão verdadeira ou se apenas parece uma paixão. A ambiguidade levada com maestria por Sofia Coppola surpreende. Apenas no final, que obviamente não contarei, é que ficamos sabendo se o amor existe ou não. Atuações magníficas, roteiro inteligente direção segura fazem Encontros e Desencontros surpreendentemente ótimo. A melhor cena é a do sussurro ao pé do ouvido que nós, espectadores, não podemos ouvir, só podemos imaginar o que foi dito.
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"A história: um homem dispara um rifle por muitos anos. E ele vai pra guerra"

Soldado Anônimo - Toda guerra é diferente. Toda guerra é igual. Você entendem essa frase? Imaginem um soldado, que recém saiu da Guerra do Golfo, desiludido, pois não conseguira matar ninguém e sabe de antemão que perderá a namorada. Toda guerra é diferente, tem princípios políticos diferentes, tem líderes diferente, e jovens prontos para o abate diferente. Mas toda a guerra é igual: todas matam, todas aniquilam e nenhuma dá alguma coisa boa. Soldados servem a sua pátria, lutam pela sua pátria, mas a pátria luta por ele. Quando este pobre soldado voltar perturbado, sem um braço ou sem uma perna, ou sem os olhos, a única porcaria que a pátria lhe dá é uma medalha e boas-vindas. No outro dia, aquele valente soldado que matou e quase morreu é esquecido. Ninguém lembra dele, fica jogado em sua casa pensando nos tiros que disparou e no pedaço do corpo de perdeu. Gratificações não trarão as partes físicas de volta, gratificações não trarão a estabilidade emocional de antes, gratificações não trarão aquele amigo morto na guerra de volta. O longa de Sam Mendes mostra o que os jovens pensam da guerra, todos eles pensam que serão herois, que matarão pessoas más, que a pátria o idolatrará, que serão parentes próximos do Rambo com metralhadoras em punho. Aos poucos, a guerra vai mostrando a estes jovens que as coisas não funcionam desta maneira. Eles não são herois, são apenas brinquedos do governo e assassinos. Na guerra eles perdem a sanidade, a felicidade, a alegria de viver, a saúde, as namoradas, ou seja, tudo. Matando ou não matando, os jovens voltarão para casa sem rumo, prova disso, é a cena em que uma repórter pergunta se há alguém esperando por eles quando saírem da guerra. Uns dizem que sim, outros demoram a responder, mas todos têm esperança. No final, quando voltam para seus lares, eles têm a certeza que ninguém os esperava. Uma prova de que os jovens soldados acham a guerra um jogo ou um filme é que em certo momento os soldados ouvem uma música que remete diretamente a guerra do Vietnã: "Nós devemos ter a nossa própria música, a música da nossa guerra" diz um dos soldados. Eles querem reconhecimento, eles querem algo que lembre seus esforços. Irem para guerra única e exclusivamente para matar, para saber a sensação que é matar um homem, é outra prova de que os jovens tem uma imagem errônea da guerra. No final, todos querem ser herois.
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"Nós não temos uma escolha"

A Supremacia Bourne - Paul Greengrass mudou a forma de fazer filmes de ação. Quando o gênero já estava enxergando o fundo do poço e a beirada o abismo já era passado, Greengrass ressuscitou não só a trilogia Bourne como ressuscitou um gênero todo. Alguns bons filmes do gênero volta e meia apareciam, mas nenhum inventivo, nenhum capaz de entrar para "Top 10 do ano". A Supremacia Bourne, inovou na direção, no roteiro e na edição. Arrebanhou uma quantia considerável de fãs e hoje e louvado por vários críticos. O gênero "ação" até pode ser dividido em "pré-Bourne" e "pós-Bourne", e isso não é exagero ao lembrar da franquia 007, que começou do zero e com um estilo bem diferente, bem parecido com o de Bourne. Mas as influências e mudanças não são apenas nesses quesitos, a câmera movimentada de Greengrass dava-nos outro clima, outro movimento, outro prisma. O roteiro inventivo e inteligente fez com que outros gêneros do cinema apostassem mais alto. A edição, reconhecida apenas no terceiro filme, inspirou de filmes de ação até dramas. Matt Damon virou astro de filmes de ação, e Bourne, seu personagem, tornou-se icônico. Adjetivos não faltam, a única coisa que há de ser repetida é que "Supremacia" reanimou do cineasta Greengrass até um gênero inteiro.
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"Se há magia no boxe, é a magia de batalhas além da resistência, além de costelas quebradas, rins rompidos e retinas independentes. É a magia de arriscar tudo por um sonho que ninguém vê, só você"

Menina de Ouro - Conhecido como "o filme que derrotou O Aviador" ou "o renascimento de Eastwood no Oscar", Menina de Ouro surpreende por se mostrar bem diferente do que aparenta. Trazendo, principalmente em sua hora final, assuntos como polêmicos como eutanásia, o longa de Eastwood emociona até os de coração de pedra. Sonhos, talvez existem apenas para serem sonhados. Talvez não existam para serem postos em prática. Ou, quem sabe, existem para isso mesmo, para serem praticados. Talvez para nos fazer felizes ou talvez para nos testar. Maggie Fitzegerald tem um sonho: lutar boxe. E ela corre arás desse sonho. Nem que pra isso ela tenha que treinar no meio de vários homens, tendo como treinador um velho rabugento, tenha que treinar horas a fio e ser criticada pela péssima família. Maggie corre atrás e não desiste, junto com as vitórias surge entre treinador e lutadora não um romance absurdo ou uma melosidade sem tamanho, mas sim uma bela relação de pai e filha. Ele sem filha, ela sem pai. A relação entre os dois é tão bela, é tão sincera que quando coisas ruins acontecem nosso coração parece pesar, lágrimas lutam contra nossa vontade para escorrerem desbravadas pela superfície de nosso rosto. Tentamos falar, tentamos ajudar, mas é claro, eles não podem escutar. Decisões. Estas decididamente não existem para serem sonhadas, e sim, tomadas. E é no momento das decisões que nossa vontade sucumbe e alguma lágrima surge em nossos olhos. Eastwood é como Spielberg: ele não quer provocar emoções baratas ou sem sentido, eles não apelam para o sentimentalismo, eles apenas contam uma boa história, eles apenas mostram a verdade e deixam a emoção nos levar. E é de maneira magistral que Eastwood consegue nos emocionar. Sem perceber estamos mergulhados na trama, sem perceber notamos que ás vezes já é tarde demais, e o filme por ser tão bom, parece ter passado num piscar de olhos.
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Agora escreverei com mais frequência, portanto, em breve a quinta parte deste especial será postada.

Espero que gostem...

...e comentem...

Então é Natal...

Pois é, já é Natal. Parece que foi ontem que o blog "nasceu". Parece que foi ontem que eu conheci algumas das pessoas mais legais e mais importantes pra mim: Anabela, Caio e Richar (e é claro o pessoal da comunidade, não posso esquecer!). Com estas pessoas, vi que nós somos feitos de ideias, de opiniões, de razões e de emoções, ou seja, não precisamos nos conhecer pessoalmente, mas através de longas conversas via-internet nos conhecemos profundamente, trocamos ideias e vimos como somo parecidos e diferentes ao mesmo. Não nos conhecemos. Tocamos o blog pra frente apenas se falando pela internet. Parece fácil, mas ás vezes não é. Não falamos só sobre cinema, falamos sobre os problemas, sobre as viagens, sobre o vestibular, sobre filhos, sobre casamentos. Sobre vida e amizade. Como nascem amizades? Não sei, mas nunca me arrependerei de ter postado pela primeira vez na comunidade do Orkut alguns meses atrás. Foi a partir daquele singela postagem que começamos um bela amizade. Aos poucos outros foram chegando. Hoje, parecemos amigos de longa data, ou irmãos. Confesso que quando os problemas surgiam em minha frente e a tristeza se fazia companheira, entrava na comunidade, começava a conversar e a tristeza evaporava e a alegria chegava.

Peço a Deus para que nunca nos afastamos, e para que um dia, nos encontrarmos. Se isso irá acontecer não sei, mas torço para que sim.

Resta desejar um ótimo Natal a todos os meus amigos do Pipoca Net e da comunidade do Orkut e a você, leitor, parte vital deste blog, você é o coração que bate fervoroso a cada comentário ou a cada passagem por aqui.

Novamente, tenham um FELIZ NATAL, e que todos os seus desejos sejam atendidos, que seus sonhos se realizem e acima de tudo, agradeça, não peça apenas, agradeça a Deus pela comida na mesa, pelas roupas que vestes e pelos passos que Ele lhe concede.

Crítica - Avatar


Quando Avatar começou me senti como Jake Sully em sua primeira "viagem" para pilotar seu avatar. Sentei na poltrona do cinema e deixei James Cameron me levar ao mundo mais espetacular que um cineasta pôde mostrar nesta década. Senti como se eu tivesse "pilotando" meu avatar, e que estava em Pandora para me aventurar. Junto com Sully, meu avatar se emocionou, aprendeu outra língua, se apaixonou e viu as coisas mais belas que os olhos podem ver.

Um hiato de doze longos anos separou a obra prima de Cameron do novo espetáculo do diretor. Seu Titanic lucrou quase dois bilhões de dólares e arrebanhou onze Oscar. Seu novo projeto pode não conseguir tal feito, mas com certeza já entrou para história do cinema. Avatar talvez tenha sido o projeto mais ambicioso e mais perigoso de Cameron. Basta ver quanto o filme custou e ver o quão ambicioso é o novo projeto. Até este exato momento, Avatar já lucrou quase 3oo milhões só no fim de semana de estreia. Será os efeitos especiais? Será a história de amor? Será o elenco? Não. Os filmes de Cameron lucram tanto simplesmente porque o cineasta faz filmes por amor, por gosto, ele ama e sabe o que faz, e esse amor transcende a tela e enche nossos olhos. Bastou poucos segundos para Jake Sully (Sam Worthigton) chegar em Pandora e me prender de vez. Antes de sua chegada, um breve prólogo narrado por Scully nos explica alguns detalhes essenciais para o decorrer da trama. Mas Cameron quer chegar rápido a Pandora e nos mostrar o que todos querem ver e o que ele levou quase quinze anos para criar: Pandora e seus nativos.

Muito tem se falado do roteiro, clichê e clássico. Qual é, o roteiro de Titanic também tinha mais buracos que o casco do navio (tá, tá, eu sei, essa foi de doer) mas todos corriam para assistir. E daí que a história já era bem clichê quando Dança Com Lobos foi lançado no início da década passada? Por falar no longa de Kevin Costner, Avatar guarda em seu âmago algumas semelhanças com o longa vencedor do Oscar em 1990: o americano que chega em uma tribo, tem de interagir com os nativos, aprender seus costumes e sua língua e acaba se apaixonando pela mais bela do lugar e no final tem que escolher em qual lado deve lutar. É, parece bem clichê. E é. Mas a diversão e a perfeição do filme é tão grande que esses errinhos passam desapercebidos. A ideia central do texto é excelente e extremamente original, mas o roteiro ao todo apresenta alguns clichês e alguns diálogos levemente constrangedores, mas que passam desapercebidos não só devido a perfeição técnica, mas também, ao ritmo do longa, à forma como o filme é concebido, à alma. A história é não menos que interessante: Jake é paraplégico e perdeu seu irmão gêmeo. Seu irmão tinha uma missão em Pandora. O irmão de Jake tinha um avatar em Pandora, mas não pôde "usá-lo" pois faleceu. Jake por possuir o DNA idêntico ao do irmão foi enviado a Pandora para cumprir a missão do falecido. Os humanos "apenas" queriam retirar do planeta (lua, na verdade) minérios. A missão de Jake: usar o avatar para se aproximar dos nativos e colher informações, para depois, ou fazer um acordo ou entrar em guerra. Só que o soldado acaba gostando do lugar, vai se tornando amigo dos nativos e se apaixonando.

Avatar se divide em duas partes: a apresentação e a ação. A apresentação é simplesmente sensacional. O que poderia se tornar monótono nas mãos de um cineasta mediano, nas mãos de Cameron torna-se mágico. Cameron nos apresenta Pandora aos poucos, primeiro a flora, depois a fauna, depois a hidrografia, e mais um bocado de coisas criadas especialmente para Avatar. Cameron criou um mundo do zero. Criou do menor inseto até o maior animal, da mais simples planta até as mais florescentes flores. Tudo é belo e inédito. James Cameron criou um mundo, nada se compara ao que conhecemos, tudo é mágico, é diferente, tudo brilha, tudo salta aos olhos. Cada detalhe, cada flor, cada animal, tudo é lindo, logo, podemos concluir que, com certeza, os humanos ainda não chegaram no local, pois se já tivessem chegado estaria tudodepredado, com máquinas, casas e fábricas. Os humanos destruiriam Pandora do mesmo jeito que destruíram o planeta deles, ou seja, o nosso. Nós, juntos a Scully, nos surpreendemos com cada detalhe, com cada cor, ficamos deslumbrados com a beleza de Pandora, juntos conhecemos o que nunca, até então, sonhávamos em existir. Somos apresentados a Neytire, amada de Sully, ao coronel Miles, e a vários outros personagens, mas o momento mais emocionante desta primeira parte não são as cenas de ação, e sim, o momento em que Sully, já dominando seu avatar, pode simplesmente mexer os dedos dos pés, já que antes disso era paraplégico. Sully levanta, firma-se em pé, caminha e sai correndo, correndo pela primeira vez novamente. Sully enxergava a vida de avatar como um sonho, já que nele, podia caminhar e fazer o que nunca poderia fazer se fosse um ser humanos normal. Quando acorda (sim, para pilotar o avatar a pessoa deve entrar numa máquina que "conecta" o humano ao avatar, para isso o humanos deve dormir, assim o avatar acorda, quando o avatar dorme, o humanos acorda, entende?) Sully volta a realidade, para o chato e triste mundo normal. Aos poucos, Sully vai gostando cada vez mais da vida de nativo Na'vi, aos poucos vai querendo trocar a vida, aos poucos vai se tornando cada vez mais na'vi e cada vez menos humano.

A segunda parte é a da ação, ou seja, é quando já estamos por dentro da história e já conhecemos parte do planeta e já estamos prontos para a batalha. Sobre essa parte não posso comentar muito, pois muitos fatores decisivos estão aqui, só posso dizer que a batalha é divertida, empolgante e perfeita. Além de belas cenas e muita, mas muita ação, Cameron nunca deixa o ritmo cair, apesar das longas mais de duas horas e meia, o filme é sempre empolgante e nunca cansativo. E o mais surpreendente: a todo momento somos apresentados a novos animais e novas plantas, a todo momentos conhecemos algo novo, e se o longa tivesse cinco horas, Cameron nos apresentaria novos animais e novas surpresas durante as cinco horas, pois ideias não faltam na mente brilhante do cineasta.

Cada dólar gasto, cada minuto perdido na produção, cada gota de suor derramado está impresso na tela. A perfeição está lá. Poucos são os filmes que podemos classificar como perfeitos, nesta década, cinco filmes no máximo cabem nessa classificação. Avatar é um deles. Toda a perfeição técnica está lá, uma prova disso, como bem disse o crítico Pablo Villaça, é que o Gollum de Peter Jackson parece um bonequinho de stop motion perto dos nativos de Cameron. O cineasta, com este longa, firma-se como uma das mentes mais geniais e criativas que o cinema já viu. Depois de criar a saga dos exterminadores, continuar de maneira magistral a saga dos aliens, criar alienígenas interessantíssimos em O Segredo do Abismo, recriar o Titanic com perfeição, o menor adjetivo que Cameron pode receber é o de gênio. Cameron não se preocupa apenas com a técnica, Cameron pensa na emoção, na lógica, Cameron tem cérebro, tem coração, seus filmes também.

Cameron não é nada sutil e suas metáforas: os americanos, amantes da guerra, combatem os nativos (iraquianos, ou qualquer outro povo que os ianques massacraram) como sempre: terror contra terror. Chegam atirando em mulheres e crianças, sem se importar com as consequências, eles parecem sentir prazer ao maltratar seres mais fracos. A mensagem ecológica também se faz presente, e de maneira bem obejtiva, pois em certo momento um nativo chega a pedir para um ser poderoso (o Deus deles) que os humanos não destruam Pandora como destruíram a Terra. As alfinetadas aos atuais chefes do mundo e ao povo foi dada.

Os atores devem ter soado a camiseta para interpretar os nativos de Pandora, pois os mínimos olhares, as mínimas feições, tudo é captado pelas câmeras de última geração. As atuações priorizam os detalhes, as expressões faciais e corporais, aqui um ator prova o porquê quis ser ator e se é, realmente, um bom ator. Com efeitos especiais de deixar muito Michael Bay babando (os avatares possuem muitas semelhanças com os atores), Avatar com certeza revolucionou a história do cinema. Agora, os diretores pensarão duas vezes antes de colocar efeitos especiais nos filmes, pois dificilmente algum superará os efeitos de Avatar. A partir deste filme, o modo de se fazer cinema será completamente diferente, e realmente, os "bonecos" de Robert Zemeckis parecem zumbis...

Ao término do filme, me surpreendi ao constatar que ninguém queria sair da sala de cinema. Todos queriam ficar, viajar um pouquinho mais, queriam ficar para próxima seção e assistir novamente (eu pensei em fazer isso...), ninguém acreditava no que acabaram de assistir. Todos queriam um pouco (eu queria muito) mais.

Meu avatar dormiu. Acordei. Abri os olhos. O sonho fora inesquecível.

Fora o melhor sonho do ano...

Nota: 10,0

Matheus Pereira

Moviemix



Sem filmes de Natal.

Por Anabela


Não sei quanto a você, querido leitor (se é que tenho algum); eu, particularmente, detesto filmes natalinos. Isso inclui desde o irritante clássico da propaganda enganosa A Felicidade Não Se Compra de Frank Capra, ao famoso e já bastante adaptado Scrooge de Charles Dickens, que para mim é o pior deles. Aquela estória de “seja bonzinho ou então veja as coisas horríveis que vão acontecer com você” acaba com a minha paciência, talvez por saber que a nossa consciência é melhor guia do que qualquer espírito bobão, chato e chantagista. Também me incomoda muito o fato de que certas datas, tragam agregadas uma série de sentimentos pré-estabelecidos; dessas, o Natal é a pior.
Amizade, solidariedade, paciência, fraternidade, tudo que nos é enfiado, junto com o pobre coitado do peru, goela abaixo durante as festas, costuma ficar entalado em algum ponto entre meu cérebro e minha garganta, juntamente com os filmes natalinos. Me questiono se com esse tipo de idéias eu seria merecedora da atenção do anjo que ajuda Jimmy Stewart no filme de Capra, já que nem os perus, por razões insondáveis, o são.
Correndo o risco de ficar sem a visita de Papai Noel por finalmente ter declarado meu desprezo às películas natalinas, tomo a liberdade de recomendar para esse Natal a meus improváveis leitores, filmes cujos protagonistas, sem ter o privilégio de visitas angelicais, erram, acertam e crescem aos meus olhos, pois me reconheço em cada um deles.
Garçonete – Neste filme, roteirizado e dirigido pela falecida Adrienne Shelly, Keri Russel é uma garçonete casada com um homem controlador a quem não suporta e que em seus momentos de maior alegria ou desespero, cria deliciosas tortas que batiza de acordo com seus sentimentos; estes vão desde raiva por uma gravidez fora de hora ao pânico de que seu marido descubra que está tendo um caso. A extrema humanidade da personagem, provoca empatia imediata.
O Filho Da Noiva – Nessa pérola do cinema argentino dirigido por Juan José Campanella, Ricardo Dárin faz o filho que relutantemente ajuda o pai idoso (Héctor Alterio), que deseja se casar na igreja com sua mãe, também idosa e que sofre de Alzhaimer (a maravilhosa Norma Aleandro). O velho, comunista convicto, sempre negou a ela a realização dessa vontade. A maturidade leva o marido a rever seus conceitos e tentar atender ao singelo desejo da esposa.
Gilbert Grape, Aprendiz De Sonhador – Johnny Depp estrela esse filme de Lasse Hallström sobre uma família que tendo tudo para ser disfuncional, consegue se manter unida e amorosa, tentando superar suas inúmeras dificuldades. Depp faz um jovem que cuida de sua mãe morbidamente obesa, de seu irmão excepcional (Leonardo Di Caprio, em uma atuação impressionante) e de uma irmã mais nova; a estória é contada com muito estilo e sem cair no drama; em meio a todos os problemas, Johnny encara um romance com uma garota bem pouco convencional, vivida por Julliete Lewis.
Viagem a Darjeeling – Nesse filme de Wes Anderson, três irmãos vividos por Adrien Brody, Jason Schwartzman e Owen Wilson, partem em uma viajem a Índia na tentativa de se espiritualizar, recuperar laços fraternos desfeitos e rever sua mãe que os abandonou, vivida por Angélica Huston. Entre momentos engraçados e reflexivos, bem ao gosto do diretor, destaca-se a cena final de embarque no trem, onde um simples gesto de desapego define o resultado obtido por eles ao final da aventura.
Um Grande Garoto – Hugh Grant faz, nesse filme dirigido por Chris Weitz, um cara que só olha para o próprio umbigo; solitário por opção, alienado e auto referente, costuma cometer várias barbaridades quando o assunto é relacionamento, seja ele social ou amoroso; quando um garoto melancólico (Nicholas Hoult) e sua mãe com tendências ao suicídio (Toni Colletti) cruzam o seu caminho, ele é obrigado, contra sua vontade, a sair de seu isolamento. O filme cheio de diálogos espertos, teve o roteiro adaptado do livro homônimo de Nick Hornby.
Antes que alguém educadamente pergunte se meus cabelos conseguem esconder direitinho o 666 que tenho gravado na cabeça, recomendo entusiasticamente um filme no qual Natal e guerra misturam-se, em uma história verídica: Feliz Natal, produção de 2005 dirigida por Christian Carion, mostra soldados escoceses, alemães e franceses providenciando uma trégua durante a 1ª guerra e abandonando as trincheiras, para uma confraternização espontânea e improvisada. Humano e comovente, faz-nos crer que, quando queremos, realizamos milagres (e que os anjos, com todo respeito, vão plantar batatas!)

Pipoca de Ouro - Indicados


Nasce hoje, neste exato momento a mais nova premiação sobre cinema da internet: Pipoca de Ouro - 2009. Se Deus quiser a premiação será um sucesso e ano que vem terá mais uma edição. Então, olhe, pense e vote, suas escolhas são essenciais, não custa nada e é muito divertido. Eis os indicados:

Melhor Filme

O Curioso Caso de Benjamin Button
Deixa Ela Entrar
Avatar
Up!
O Lutador
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios

Melhor Direção

David Fincher por O Curioso Caso de Benjamin Button
Thomas Alfredson por Deixa Ela Entrar
James Cameron por Avatar
Darren Aronofsky por O Lutador
Kathryn Bigelow por Guerra ao Terror

Melhor Ator

Sean Penn por Milk
Frank Langella por Frost/Nixon
Benício Del Toro por Che: A Guerrilha
Mickey Rourke por O Lutador
Sam Rockwell por Lunar

Melhor Atriz

Anne Hathaway por O Casamento de Rachel
Meryl Streep por Dúvida
Charlotte Gainsbourg por Anticristo
Melissa Leo por Rio Congelado
Kate Winslet por Foi Apenas um Sonho

Melhor Ator Coadjuvante

Josh Brolin por Milk
Philip Seymour Hoffman por Dúvida
Michael Shannon por Foi Apenas um Sonho
Michael Shenn por Frost/Nixon
Christoph Waltz por Bastardos Inglórios

Melhor Atriz Coadjuvante

Taraji P. Henson por O Curioso Caso de Benjamin Button
Marisa Tomei por O Lutador
Viola Davis por Dúvida
Amy Adams por Dúvida
Penélope Cruz por Vick Cristina Barcelona

Melhor Roteiro Original
Guerra ao Terror
Distrito 9
Up!
(500)Dias com Ela
Bastardos Inglórios

Melhor Roteiro Adaptado
O Curioso Caso de Benjamin Button
Deixa Ela Entrar
Frost/Nixon
Quem Quer Ser Um Milionário?
Dúvida

Edição

O Curioso Caso de Benjamin Button
Avatar
Deixa Ela Entrar
Quem Quer Ser Um Milionário?
Guerra ao Terror

Fotografia

O Curioso Caso de Benjamin Button
Guerra ao Terror
Anticristo
Bastardos Inglórios
Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Direção de Arte

O Curioso Caso de Benjamin Button
Avatar
Foi Apenas um Sonho
Austrália
Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Figurino

O Curioso Caso de Benjamin Button
A Troca
Foi Apenas um Sonho
Austrália
A Duquesa

Melhor Animação

Valsa com Bashir
Bolt
Up!
Coraline
A Era do Gelo 3

Trilha Sonora

O Curioso Caso de Benjamin Button
Avatar
Up!
Quem Quer Ser Um Milionário?
Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Efeitos Especiais

O Curioso Caso de Benjamin Button
Avatar
Transformers - A Vingança dos Derrotados
Star Trek
Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Som

O Curioso Caso de Benjamin Button
Exterminador do Fututo - A Salvação
Avatar
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Transformers - A Vingança dos Derrotados

Maquiagem

O Curioso Caso de Benjamin Button
Star Trek
Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Melhor Cena de Ação

Fuga do Presídio - Watchman
Fuga de Kyle Reese e Marcus - Exterminador do Futuro - A Salvação
Perseguição pelas ruas de Paris - G.I. Joe
Fugas e lutas nas Pirâmides do Egito - Transformers - A Vingança dos Derrotados
Batalha de Humanos Vs. Na'vis - Avatar

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Estes são os indicados ao Pipoca de Ouro 2009. Dia 10 de Janeiro de 2010 os vencedores serão anunciados.

Comente e VOTEM!

Avatar – Crítica

James Cameron está de volta. Você deve lembrar-se dele: Aquele que ao levar uma enxurrada de Oscars para casa por Titanic, auto proclamou-se, como um tal Jack Dolson na proa do famoso na­vio, o “rei do mundo”. Caso você viva nesse planeta ou até em outro, deve ter ouvido falar de seu novo filme, Avatar. Deve saber também que é o filme mais caro da história do cinema e que entre planejamento e execução levou 12 longos anos para ser concluído.
Provavelmente leu a respeito de novas tecnologias caríssimas desenvolvidas especialmente para o projeto e que Cameron contratou um linguista para desenvolver um novo idioma a ser falado pelos habitantes de Pandora, o planeta no qual é ambientado o filme.
Deve ter ouvido dizer que a fauna e flora do planeta foram idealizadas pelo próprio diretor, a partir, principalmente, da observação da fauna e flora marinhas, ambiente pelo qual parece ser fascinado. Com certeza chegaram até você informações a respeito do roteiro que seria a princípio bastante ins­tigante, mas que acabava redundando em uma história de amor recheada de mensagens ecológicas politicamente corretas culminando no velho conflito entre bem e mal. Informações e informações.
Com a cabeça repleta dessas informações e um tantinho receosa de ser decepcionada pelo “rei do mundo”, fui assistir ao filme em projeção normal, pois desse modo descobriria se ele era bom o bas­tante mesmo sem contar com o recurso enriquecedor do 3D, algo de que já havia me questionado. Logo nos primeiros minutos de projeção, a fotografia azulada frequentemente utilizada pelo diretor, a música de seu velho parceiro James Horner e imagens surpreendentes fizeram-me perceber de imediato quanto estava saudosa de assistir a um filme de James Cameron; com o perdão do lugar comum, parecia que eu estava de volta à casa de um velho amigo!
Avatar mostra a cada quadro, o preço da perfeição; a construção de um sonho é absurdamente cara, e é isso que Pandora é!
Distraidamente imagino-me naquele lugar encantado e cheio de perigos. Tal qual o fuzileiro Jake Sully, envolvo-me com os na'vi, compreendo sua ligação com a terra e admiro sua integridade. Acompanho o surgimento do romance entre Sully e Neytiri e emociono-me com a imagem da flor sagrada pousando suavemente sobre seu arco quando ela avista seu futuro amor pela primeira vez. Odeio os soldados cruéis e os homens de negócio sem coração que desejam destruir a beleza em nome do lucro predatório. Choro e sofro com os na'vi ao verem sua terra invadida e destruída.
Talvez você pergunte se não tenho vergonha de me deixar levar por esse amontoado de clichês. Nem um pouco. James Cameron tem esse poder sobre mim e ao que tudo indica, sobre as platéias do mundo. Com ele, abandono temporariamente meu cinismo e emociono-me mesmo reconhecendo os inúmeros lugares-comuns do roteiro; relevo algumas cenas que classifico como ligeiramente constrangedoras e perdoo os facilmente identificáveis estereótipos do bom selvagem e dos militares sádicos. Tudo porque James Cameron imprime alma em seus filmes e sua paixão por fazer cinema reflete-se na tela. Tal qual Titanic, Avatar é espetáculo; emociona e arrebata. É cinema em estado de graça que fez minha alma cinéfilo-hippie muito feliz.

Nota 9/10

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