
John Waters – Mais um maluco de plantão.
Por Anabela

Desperate Living conta a história de uma insana dona de casa, Peggy, que mata o marido com a ajuda de sua obesa empregada e se refugia numa mítica cidade habitada exclusivamente por criminosos. Nessa cidade, vai morar com uma lésbica e sua amante, uma glamurosa stripper e acaba se envolvendo num plano para depor a déspota Carlotta, que humilhava e torturava seus habitantes. Como Peggy consegue ser mais louca que Carlotta, assume o governo e impede um plano de envenenar todos os moradores. A lésbica ganha na loteria e consegue realizar seu sonho de fazer um implante peniano. Diz John Waters, que até hoje seu filme faz muito sucesso entre os universitários e ele não sabe o porquê!
Female Trouble traz novamente Divine como estrela, no papel de Dawn Davenport, uma estudante rebelde e de maus bofes, que foge de casa, engravida e cria sua mau agradecida filha Taffy, trabalhando como dançarina exótica. Apaixonada por seu cabeleireiro, Dawn casa-se com ele, enlouquece e comete vários crimes sangrentos; isso tudo usando os mais inacreditáveis penteados e absurdos figurinos que acentuam grotescamente a obesidade de Divine, musa absoluta do diretor.

Seu grande e absoluto sucesso veio em 1988 com Hairspray, que conta a história da menina inteligente e gorda que sonha em se tornar dançarina num programa local de adolescentes na televisão. Trata-se basicamente da superação de preconceitos e novamente Divine está em cena como a mãe da garota. Em sua posterior adaptação para a Broadway, em 2003 e na refilmagem em 2007, manteve-se um homem no papel da mãe, numa forma brincalhona de conservar a tradição.

Após Hairspray, as portas definitivamente abriram-se para John Waters e ele deu continuação à sua extensa filmografia, sempre fiel às suas origens, com histórias irreverentes e absurdas como a de uma mãe serial killer (Mamãe é de Morte - Serial Mom), a de uma dona de casa que bate a cabeça e transforma-se em ninfomaníaca (Clube dos Pervertidos - Dirty Shame) ou de um diretor de cinema alternativo que sequestra uma grande estrela para obrigá-la a atuar em seu filme (Cecil Bem Demente - Cecil B. Demented).
Trabalha agora com astros como Johnny Depp (Cry Baby - Cry Baby), Selma Blair, Tracey Ullman (Clube dos Pervertidos), Cristina Ricci (Peckar - O Preço da Fama), Melanie Griffith (Cecil Bem Demente) e Kathelen Turner (Mamãe é de Morte).
Aos 63 anos ele continua filmando, para a alegria daqueles que sabem apreciar seu cinema debochado, contestador e sobretudo, original.
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No nosso país existem pessoas dotadas de um talento incomensurável. Pessoas que como citei acima, as vezes nem tem conhecimento sobre seus talentos. Há pessoas talentosas, só que as vezes faltam oportunidades.
Há uns dias atrás, saiu a lista dos possíveis representantes do Brasil no Oscar. Alguns dias depois o representante foi escolhido: Salve Geral de Sérgio Rezende. Na lista constavam Feliz Natal e À Deriva, só para citar alguns dos exemplos mais fortes. Confesso que ainda não assisti ao filme ainda, e obviamente, nada posso afirmar sobre o filme, mas será que este era o melhor da lista? E se fora, será que é o filme que mais merecia ser o escolhido? Mais uma vez o escolhido para representar nossa pátria fala sobre bandidagem e marginalidade. As pessoas que escolhem os representantes ainda não cansaram disso? Eles ainda não viram que esse tipo de filme não está convencendo, que os votantes da Academia não gostam muito desse tipo de filme? Será que o nosso país só tem isso? Um país em que as paisagens são as mais belas e as mulheres mais estonteantes. Em que a amizade e o amor falam mais alto que em qualquer outro lugar do mundo. Em que o talento transborda, em que existem idéias e gente para torná-las realidade.
O Brasil é o país do futebol. É o país do Carnaval. Tá, mas e daí? Sinceramente, não me interessa. Dar valor só pro futebol e milhões e milhões pro carnaval e simplesmente esquecer suas artes e de seus habitantes talentosos é uma completa ignorância. Só carnaval e futebol não tem graça. E o cinema, e o teatro? Isso não importa? Verba não tem. Espaço não tem. Se um estreante procura por distribuidoras ninguém aceita, ninguém compra, ninguém quer. Um país em que as oportunidades são escassas. Por exemplo: o diretor do filme de terror Capital dos Mortos foi atrás de distribuidoras para distribuírem seu filme. O resultado: ninguém quis e ele teve que tirar dinheiro do próprio bolso para fazer várias cópias do filme e vendê-las pela internet. Qual o preconceito com o filme? Por que não lhe deram uma oportunidade?
Que moral, nós brasileiros, temos de reclamar do filme Turistas, por exemplo. Lembro, que até campanhas contra o filme surgiram na internet, alegando que o filme denegria a imagem do nosso país. Pura perda de tempo. Que moral nós temos para falar, se denegrimos nossa própria imagem? Nós mesmos vendemos o nosso lado ruim. Nós mesmos mostramos nossa face mais suja. O que esperavam como resposta?
Não digo para mascararem a verdade ou as coisas ruins, digo para darem mais valor aqueles filmes ricos em alma e inteligência.
Chega de bandidos, mortes, drogas, roubos, palavrões. O cinema nacional é mais que isso, é mais poderoso. É capaz de filmes muito mais importantes.
Confesso que não sou fã do cinema nacional, mas volta e meia, bons filmes surgem, dentre eles o melhor, em minha opinião, é Cidade de Deus de Fernando Meireles.
O Brasil tem muita capacidade, e muita gente boa. Basta as oportunidades florescerem e as pessoas abrirem os olhos...


O problema é comum. Já afetou grandes estrelas do cinema e das séries de TV – especialmente as de maior sucesso. Os hollywoodianos chamam de typecasting o fenômeno em que atores e atrizes tornam-se conhecidos por interpretar personagens clássicos e, depois disso, não conseguem ser vistos de outra forma. Correm o risco de decepcionar os fãs ao atuar em papéis que entram em choque com a identidade do personagem, até porque, geralmente, o protagonista tem um caráter positivo, e qualquer desvio nessa conduta pode significar uma afronta ao público. Também não é raro que os admiradores de um ator esperem que ele siga um estereótipo particular e papéis que fogem desse perfil podem representar fracassos comerciais (como a gente já comentou aqui na coluna passada).
São muitos os artistas que não conseguem trabalho ao fim de um filme ou de uma série de sucesso. Logo depois da fama mundial como o herói da série de TV “As Aventuras do Superman” (1952 – 1957), conta-se que o ator George Reeves – antecessor de Christopher Reeve – teria participado do filme “A Um Passo da Eternidade” (1953). Mas antes da estréia, ao submeter a produção a testes de audiência, a diretoria perdeu a cabeça. Espantou-se com a platéia, que gritava: “É o Superman!” Resultado: as cenas do ator foram todas cortadas.
Os elencos das longas séries de TV são os mais suscetíveis ao typecasting. “Seinfield”, “Friends”, “Sex and the City”, “Arquivo X” e “Jornada nas Estrelas” são fortes exemplos disso. Seus atores dificilmente se destacam em outros papéis. Quando aparecem em trabalhos diferentes, a comparação é inevitável. Na tentativa de serem lembrados como eles mesmos – e não como o antigo personagem – mudam os trejeitos e o visual: cortam e pintam o cabelo, capricham na maquiagem e emagrecem. Mas a reação típica do público é de estranhamento e, por vezes, de repulsa.
Vários motivos colocam um ator na sombra de seu personagem. Geralmente, seu talento é limitado ao papel de sucesso. Ou então, marcas do seu visual só combinam com um perfil. É o caso dos intérpretes que, pela expressividade, só fazem filmes de terror, ou das atrizes que, devido à beleza exagerada, estão fadadas a femme fatale. Sem contar os galãs, que dificilmente são escolhidos como vilões. Outros atores só representam tipos assustadores ou problemáticos.
É o caso de Michael Barryman, que devido a uma rara doença não desenvolveu cabelo, unhas ou dentes. Quando não representa um tipo esquisito, como em “Um Estranho no Ninho” (1975), “Mulher Nota 1000” (1985) e “Viagem Maldita” (2006), Barryman é escalado para papéis cômicos, como em “Rejeitados pelo Diabo” (2005).
O typecasting também afeta atores mirins. Há dois exemplos emblemáticos no cinema: Macaulay Culkin, de “Esqueceram de Mim” (1990) e Haley Joel Osment, de “O Sexto Sentido” (1999). As duas grandes promessas do cinema – com talento reconhecido – cresceram, perderam o carisma e sumiram. Até chamaram a atenção pelo envolvimento com drogas, mas nem isso recuperou o destaque da infância.
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Na próxima semana, a matéria continua, e nós falaremos um pouco mais sobre o typecasting e a aceitação do público. Não percam!
Moveu-o a informação de que lá seria o lugar onde se comete o maior número de suicídios no mundo! O resultado de seus registros embora triste e perturbador, é fascinante. Através de suas lentes, vemos uma Golden Gate quase sempre envolta em neblina. Cúmplice em seus 130 m de altura, de pessoas que a escolhem como último cenário de suas vidas.
Entre surfistas, turistas e suicidas, mesclam-se imagens de vida e de morte. Um homem fala por alguns minutos no celular, pula o parapeito e se benze antes de se atirar na água. Uma família ao visitar pela primeira vez a ponte, testemunha o salto de uma mulher que lhes sorri antes de pular.
Um surfista presencia uma queda e declara-se inconformado com a idéia de que alguém decida morrer num dia tão belo e ensolarado como aquele. Dois rapazes conversam por alguns minutos com um homem que subitamente se atira na água. Uma moça é salva, contra sua vontade, por um fotógrafo que a puxa de volta à segurança pela gola de seu casaco. Depoimentos de familiares e amigos daqueles que saltaram, nos levam a conhecer histórias de desilusões amorosas, expectativas frustradas e distúrbios mentais. Gene, metaleiro cabeludo com predileção pela cor preta, considerava-se um fracassado em todos os aspectos de sua vida. Lisa, esquizofrênica, já sofrera várias desilusões amorosas. Ruby era depressivo com histórico de suicídios na família. Jim passava por sérias dificuldades financeiras. David tomava antidepressivos e tinha dificuldades para dormir. Philip não conseguia lidar com suas frustrações e já tentara morrer duas vezes. Todos personagens de uma história com o mesmo final. Todos deixando entre parentes e amigos, perplexidade e um grande sentimento de culpa.
A história de Kevin é peculiar. Diagnosticado

Uma mulher vinda do Texas e que não se identifica, após desistir de saltar declara: “ Não sei se as pessoas pensam no processo pelo qual passamos quando decidimos acabar com nossa vida. É uma busca; é como procurar uma faculdade para estudar e examinamos os prós e os contras. É um ato destrutivo, mas é um processo bastante racional, apesar de muitos o considerarem irracional”.
Nisso reside o mérito do trabalho de Steel. Seus personagens não são apenas números numa estatística macabra; ele os humaniza e dá-lhes voz. No ano de 2004, vinte e quatro suicídios foram registrados, mesmo com todo o policiamento do local. Os que já tomaram sua decisão, diferentemente daqueles que só querem chamar a atenção, não se deixam impedir. Uma das últimas imagens que vemos é a de Gene, em suas roupas pretas, saltando de costas com os longos cabelos ao vento. Impactante e inesquecível, esse é um raro exemplar de cinema que nos leva a refletir e rever conceitos.

De saco cheio com toda essa história Anna resolve que já não dá mais, quando fica sabendo que vai ter que doar um rim à sua irmã. A cena está armada para a aparição de Alec Baldwin, no papel de um advogado famoso que esconde um pequeno segredo que envolve a presença constante de um cachorro a seu lado. Quando o segredo que tem apenas o desnecessário propósito de explicar a empatia do advogado com o caso da menina é finalmente revelado, o constrangimento é duplo. Nosso e do ator.
O elenco todo sofre direitinho. O irmão das meninas sente-se abandonado, é disléxico e mesmo a juíza que vai decidir sobre o caso (a sempre boa Joan Cusack), tem traumas lacrimosos em sua vida. Não me surpreenderia saber que os do cão do advogado tenham ficado na sala de edição e apareçam nos extras do futuro DVD. Cameron Diaz defende com vontade o papel da mãe sem noção e Jason Patric está no piloto automático. Sofia Vassilieva no papel de Kate, a irmã doentinha, dá um show de despojamento, porque o que fazem com ela não é brincadeira. Aparece careca, inchada, olhos vermelhos, lábios rachados, vomitando sangue e em meio a tudo isso, ainda tem que arranjar disposição para um trágico e previsível caso de amor.
O filme tem problemas com excessos de flash backs e de narradores, características de produções preguiçosas. Mas o que afunda mesmo o time é a viradinha final, sobre a qual não posso falar porque não me chamo R.E.F. Contudo posso dizer, que rouba totalmente a força da história.
Ouvi dizer que a autora do livro no qual se baseia o filme, não gostou de uma certa modificação que foi feita no roteiro. Desconheço qual tenha sido, mas sei que Hollywood tem por hábito transformar histórias originalmente boas e instigantes, em filmes babacas e açucarados. Mas podia ter sido bem pior. Dakota Fanning recusou o papel de Kate, por não querer aparecer careca. Desta vez, pelo menos, fomos salvos por sua vaidade.
Nota: 6/10
Marcadores: Uma Prova de Amor
E para começar, apontarei os favoritos à Melhor Filme:
Este também é um dos favoritos e está em 99% das listas de apostas e opiniões sobre o Oscar 2010. Não é pra menos, afinal o filme é de um cineasta que já teve um filme seu agraciado com um Oscar e tem certo prestígio na Academia, tem uma boa premissa e um elenco que há muito não se via: Daniel Day-Lewis, Nicole Kidman, Penélope Cruz, Judi Dench, Kate Hudson, Marion Cotillard e Sophia Loren. A briga de atuações entre as mulheres vai ser muito boa, e com certeza os votos serão divididos e é muito provável que mais de uma seja indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante. Day-Lewis é quase certo na categoria de Ator, Marshall tem grandes chances de ser indicado na categoria de melhor Direção. Tenho dúvidas sobre o roteiro, mas pode ser que seja indicado. O filme deve de ser indicado a uma porção de categorias técnicas como Fotografia, Arte, Figurino, Edição, Música(s), Categorias de Som, entre outras.
Muitos dizem que este é o ano de Clint Eastwood no Oscar. Eu não acho. No último ano, dois filmes seus foram lançados (Gran Toriono e A Troca), todos diziam que ele era o favorito ao Oscar. No fim, nenhum de seus filmes foi indicado nas categorias principais. Apesar do ano estar bem concorrido, Eastwood tem grandes chances de figurar na categoria de Direção (muito mais chance que Marshall, creio eu). Invictus é tudo o que a Academia ama: história que se passa em outra época, com uma forte atuação, com um forte diretor, sobre um grande homem e sua vida. O filme conta a história de Nelson Mandela e tem Morgan Freeman no papel principal. Freeman esta quase certo na categoria de Ator. Matt Damon pode figurar na categoria de Ator coadjuvante (isso se ele não concorrer como Melhor Ator por O Informante e acabar concorrendo contra Morgan Freeman). O roteiro deve ser indicado. Não acredito que o filme seja indicado a muitas categorias técnicas. Talvez apenas a Edição e Trilha Sonora (as trilhas dos filmes de Eastwood sempre são excelentes).
Confesso que torço mais para Um Olhar do Paraíso, Onde Vivem os Monstros, A Estrada e este A Serious Man, novo dos Irmãos Coen. Depois de ganhar o Oscar por Onde os Fracos Não Têm Vez, os irmãos ganharam prestígio e espaço para fazerem o que bem entendem. O trailer deste filme é simplesmente fantástico, um dos melhores trailers do ano, na minha opinião. O filme tem fortes chances de figurar entre os dez indicados a Melhor Filme. O filme é tudo o que a Academia gosta. Os Coen também têm grandes chances de figurar entre os melhores diretores, embora suas chances de vitória sejam poucas. Micahel Stuhlbarg tem fortes chances como Melhor Ator. Richard Kind pode figurar entre os Atores Coadjuvantes. Tem fortes chances em roteiro. Nas categorias técnicas, tem alguma chance em Direção de Arte, e boas chances em Edição. O que pode atrapalhar este filme é a recente vitória dos Coen em 2008. Torço por este filme...












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Então é isso!
Creio que estes são os favoritos a serem indicados ao Oscar. Acredito que apenas estes filmes serão indicados. Dificilmente outro filme entrará na lista, a não ser que de repente surja algum filme muito bom. Mas creio que os recém citados já são, desde já, os favoritos.
Em breve continuarei com o artigo. Na próxima parte apontarei os indicados a Melhor Direção.
Façam suas apostas...
...e comentem...
O Cinema nas bancas...
Por Matheus Pereira
Há um bom tempo eu compro a revista SET. Acompanhei a trajetória da revista, seus altos e seus baixos. As polêmicas e as capas. A revista que até maio deste ano era comandada por Roberto Sadovski, viu seu futuro ser ameaçado quando este "saiu" do cargo de editor-chefe, junto com os demais jornalistas da equipe. No lugar entrou Mário Marques e uma nova equipe. Marques não fez um trabalho tão bom quanto o de Sadovski, mas uma coisa há de ser dita: o homem fez um bom trabalho e conseguiu manter a SET viva, e se não fosse ele, quem teria a coragem e paciência de assumir uma revista tão importante e boa quanto a SET? Acho que Marques merece congratulações, afinal não é qualquer um que consegue o que ele conseguiu. Marques ficou no cargo até agosto. Sadovski volta ao cargo a partir da edição de setembro que traz na capa o personagem de Brad Pitt no filme Bastardos Inglórios.
Marques lançou três edições da SET durante o seu comando: a de maio/junho que trazia O Exterminador do Futuro - A Salvação na capa e uma matéria de Sadovski (ja fora do cargo principal); a de julho que trazia uma personagem de Arraste-me Para o Inferno na capa e um visual diferente e antiquado no recheio; e por último a edição de agosto que trouxe Seth Rogen na capa e o mesmo visual da de julho e que será comentada a seguir.
Outra que será analisada, é a Revista PREVIEW, de Ricardo Matsumoto. Nova no mercado, PREVIEW teve, até agora, apenas duas edições: a de julho que trouxe Harry Potter na capa, e a de setembro que trouxe Robert Pattinson (Crepúsculo) na capa. Este última edição também será comentada a seguir.
Então vamos aos comentários:
Particularmente achei a edição de agosto da SET a melhor das três que Mário Marques e sua equipe lançaram. Com matérias melhores e diferentes, a equipe conseguiu lançar no mercado uma boa revista. Ainda com o visual antiquado e uma capa mal escolhida e pouco rentável, esta última edição da SET conseguiu ser a melhor que as três antecessoras. A revista como já foi dito, trouxe Seth Rogen na capa, uma matéria bem fraquinha e pequena de Homem de Ferro 2, que nos dizia o que já sabíamos, é claro que não podemos culpá-los, por completo, afinal pouco se sabe ainda sobre a produção. Outra matéria foi sobre o nacional Os Normais 2, que com certeza foi deixada para traz por muitos leitores. A terceira (e melhor) matéria foi sobre efeitos especiais. A matéria trazia curiosidades sobre o universo dos efeitos e como uma grande empresa funciona, além de inédita, a matéria é muito interessante, conta coisas que todos queremos saber, mas que nunca tivemos oportunidade de descobrir. Bem completa, a matéria do bom Marco Antônio Barbosa é com certeza a melhor matéria das três edições da fase de Marques. Outra matéria foi sobre O Sequestro do Metrô, que é bem curtinha, não conta nada de inédito ou de extraordinário e traz uma crítica correta. Up - Altas Aventuras, também teve sua matéria, que é mais completa que as outras que falavam sobre os outros lançamentos, mas ainda assim faltou alguma coisa. Mesmo assim é uma ótima matéria. O calendário de animações é completamente desnecessário e foi posto só para "enxer" a revista. A conversa com Hayao Miyazaki é curta mas bem interessante. A matéria sobre Seth Rogen e seu último filme é muito boa. Correta e com uma crítica sobre o filme. Não é extraordinária, mas é bem escrita e conduzida. A matéria sobre a Academia de Artes e Estudos Cinematográficos (o Oscar, oras!) é diferente e bem escrita. Traz boas curiosidades e é bem interessante, talvez o maior erro desta matéria é o uso excessivo de palavras em inglês, o que dificulta a leitura. A pequena matéria sobre Veronika Decide Morrer é desnecessária, é constituida apenas por uma enorme foto de Sarah M. Gellar e um curtíssimo texto. A seção de cartaz esta melhor que as das edições anteriores, que só traziam cartas de pessoas falando mal da SET de Sadovski elogiando a gestão de Marques. As colunas são desnecessárias e completamente sem graça. Todas elas têm um assunto ruim e que não chama atenção. As críticas são superficiais, mas nada muito diferente das que a equipe de Sadovki escrevia. A seção de DVD possui alguns absurdos em suas críticas, como a nota 7,5 para o filme Ação Imediata com Dolph Lundgren. A matéria que fala sobre a terceira temporada da série Mad Men não conta nada de mais. Os erros de português são gritantes! Palavras pela metade e com acentuação errônea. Títulos e nome errados e uma porção de errinhos, que a mim, encomoda.
Já a PREVIEW é novinha. Mas conta com uma equipe experiente (a antiga equipe de Roberto Sadovski na SET). Está recém na sua segunda edição, mas já mostrou todo o seu potencial. Em apenas duas edições já pegou as edições de outras revistas, embrulhou e botou no bolso (ou no chinelo, como queiram...). A primeira edição é um primor. Uma das melhores edições de revista de cinema do ano. Com suas pouco mais de 60 páginas, a primeira edição da PREVIEW trouxe Harry Potter na capa e um recheio perfeito. Com matérias muito bem escolhidas e críticas completas. A segunda edição traz o ator Robert Pattinson na capa e segue a linha da primeira edição. Com matérias completas e extremamente interessantes, a equipe da PREVIEW mostra que tem um gosto e uma inteligência que a muito não se via. A matéria da ótima Mariane Morisawa sobre a nova febre dos vampiros é perfeita e completíssima. A matéria intitulada perfeitamente como A Nova Dança dos Vampiros é uma das melhores da edição. Faz um parâmetro sobre os vampiros de ontem, hoje e amanhã e suas mudanças no decorrer dos anos. A matéria sobre Elia Kazan é para agradar um público mais cult e é sensacional, foi extremamente inteligente e feliz a escolha do assunto. PREVIEW assim como SET também reservou um espaço para o filme Up - Altas Aventuras, mas sinceramente e com todo o respeito, a matéria de Mariane Morisawa (ela de novo!) é muito, mas muito mais superior que a da concorrente. Mais completa, mais dinâmica, mais interessante e com um visual perfeito. A entrevista com Fernanda Torres é completa e agrada em todos os quesitos os fãs do cinema nacional e do seriado Os Normais. A próxima matéria é uma homenagem ao falecido e ídolo de uma geração John Hughes. Completa e muito bem escrita a matéria é uma das melhores da edição. Em seguida vem uma pequena matéria sobre o filme O Show da Vida que sai em Blu-Ray, menor, mas não menos importante. Logo em seguida vem a matéria Os Observadores (sobre as séries de TV Lie To Me e The Mentalist), que em minha sincera opinião é excelente. Escrita pela competente Suzana Uchôa Itiberê, a matéria vem para agradar todos, desde os cinéfilos aos viciados em séries de TV. A última matéria é sobre os Filmes ao Alcance do Mouse, que apesar de ser bem curta, passa sua mensagem e não se torna descartável, e sim útil. As seções são perfeitas: Entrada traz as últimas notícias do cinema e o que mais foi comentado nos últimos dias. As críticas da seção Cinema são completas. Não se resumem em meras sinopses, e sim em análises, que apesar de curtas, resumem o que o filme é e o que o crítico achou sobre o filme. Destaque para a análise de Ricardo Matsumto para o filme Deixa Ela Entrar. Em poucas linhas, Matsumoto conseguiu passar o que queria. A seção Home traz os lançamentos em DVD e Blu-Ray, com críticas completas e um espaço considerável. Link traz as novidades da tecnologia, dos livros e das trilhas sonoras. Canal mostra os destaques da programação da TV, e por último, Ensaio é o espaço em que um convidado especial escolhe o assunto. Enfim, PREVIEW agrada a todos sem forçar os leitores. Tem espaço para o cinema, para DVD, para TV, etc. PREVIEW com certeza é a melhor revista de cinema e entretenimento da atualidade. Completa e feita com dedicação, PREVIEW em apenas duas edições conquistou o público e se mostrou perfeita. Parabéns ao Matsumoto e a sua brilhante equipe.
Enfim, é isso. Acho que consegui passar a vocês a minha opinião sobre as revistas da atualidade. Peço desculpas se ofendi alguém, mas eu acho que o que é falho tem que ser criticado e o que é bom têm que ser elogiado sem precedentes...
Notas:
Revista SET - Agosto: 7,5
Revista PREVIEW - Agosto: 10,0
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Sexta feira que vem tem mais.
Espero que tenham gostado...
...e comentem...
Mas, na próxima quarta-feira, a coluna estará de volta, trazendo uma matéria completíssima sobre um outro problema enfrentado pelos atores de Hollywood.
Até lá!!!
Baseado em fatos verídicos. Essa expressão colocada no início de um filme imediatamente duplica meu interesse por ele, porque costuma garantir uma boa história.
Assim acontece com Grey Gardens, filme produzido no ano passado, estrelado por Jessica Lange e Drew Barrimore. Conta a vida atribulada e única de Edith Bouvier Beale e sua filha homônima, conhecida como Little Edie. Eram tia e prima da ex primeira dama dos EUA Jackelinne Kennedy Onassis.
Acostumadas a viver na riqueza, tiveram seu padrão de vida bruscamente modificado quando o marido de Edith a abandonou por outra mulher. Recusando-se a vender a imensa mansão de 14 quartos onde viviam e sem outra fonte de renda a não ser a reduzida pensão do ex marido, ambas tiveram que conviver com a contínua degradação da casa. Lixo, animais e mau cheiro estavam por toda parte e mãe e filha dividiam um minúsculo quarto, único cômodo ainda habitável .
Incomodados com o mau cheiro e a falta de conservação da residência, que ficava em um local nobre e cercado por mansões, os vizinhos denunciaram as duas à prefeitura.
Ao chegarem ao local, os fiscais se surpreenderam com o que viram, pois a casa não oferecia a menor condição de abrigar as duas residentes. Foram então intimadas a limpar o imóvel, ou então teriam que desocupá-lo.
A história, que foi parar nos jornais, chamou a atenção dos irmãos Maisley, famosos documentaristas que atingiram a fama ao fazer Gimme Shelter, documentário sobre a turnê dos Rolling Stones onde registraram o assassinato de um negro pelo grupo Hell Angels.
Ao chegarem a Grey Gardens, imediatamente perceberam o potencial da história que queriam contar. Edith e Little Edie viviam num completo estado de abandono e alienação, cercadas de lembranças e decadência. Começaram então uma série de entrevistas, nas quais ambas contavam suas memórias, ressentimentos, sonhos e frustrações. Mãe e filha acusavam-se mutuamente pela situação e, mesmo em meio aquilo tudo, o forte elo que as unia se evidenciava.
Little Edie rejeitara uma carreira e vários pretendentes, cedendo às constantes chantagens emocionais de sua mãe para permanecer com ela. Não tivera coragem de abandoná-la e assim, a linda e promissora jovem que ambicionara ser atriz e desfilara em passarelas internacionais, transformara-se numa personagem patética, consumida por lembranças de glória.
Mesmo em meio a miséria que as cercava mantinham seu ar aristocrático, e Little Edie constantemente improvisava roupas com xales, pedaços de tecido e até mesmo toalhas, procurando imprimir nelas todo o glamour da alta moda que um dia usara. Frequentemente era vista usando um turbante adornado com um broche, para esconder sua queda de cabelos provocada por forte stress.
As cenas nas quais canta e dança para registro dos documentaristas são tocantes, e mãe e filha deixam transparecer toda sua emoção por voltar a ser o foco das atenções. Com o destaque dado à história pela imprensa e o sucesso do documentário, conseguem ajuda da parente ilustre Jackeline Kennedy Onassis que financia a recuperação da casa onde ambas vivem até 1977 quando, com a morte de sua mãe, Little Edie muda-se para Nova York e depois para a Flórida onde vem a falecer aos 85 anos de idade.
A trágica história de co-dependência dessas duas mulheres tornou-se um fenômeno pop, e Little Edie, um ícone fashion. Referências a Grey Gardens aparecem constantemente na mídia e na moda. Foi também alvo de citações em seriados como Gilmore Girls, Will and Grace, L.World e até desenhos animados como Simpsons e Rugrats. Existem na Internet comunidades, sites e filmes feitos pelos fãs homenageando mãe e filha.
A história foi ainda transformada em um musical de sucesso da Broadway e o filme e as atuações de Drew Barrimore e Jessica Lange, indicados ao Prêmio Emmy. Ambos, filme e documentário, são imperdíveis. Big e Little Edie finalmente conseguiram recuperar todo o glamour de seus anos dourados.
Marcadores: Grey Gardens
Como produzir um filme de ação caro, dispensável e previsível:
Use uma história que já foi filmada anteriormente nos anos 70 com muito mais charme e bem menos dinheiro.
Chame Denzel Washington para o papel de mocinho em busca de redenção, e permita que ele atue com olhos chorosos em momentos anti climáticos
Chame John Travolta para o papel de psicopata doidão. Coloque nele uma touca, um cavanhaque esquisito e uma tosca tatuagem no pescoço.
Dê a ele total liberdade para interpretar um vilão de desenho animado, com todos os cacoetes e tiques do gênero.
Escale atores inexpressivos fazendo sotaques irreconhecíveis como capangas do psicopata doidão
Chame Tony Scott para a direção e deixe que ele utilize todo seu repertório de vícios estilísticos: câmera que não para de girar, fotografia estourada, cores saturadas, imagens aceleradas e montagem picotada.
Deixe que um ator usualmente bom como James Gandolfino seja desperdiçado num papel pequeno , com falas absurdas e credibilidade emocional zero.
Faça o mesmo com John Torturro.
Explore bem pouco o cenário do metrô, que renderia ótimas cenas de suspense, confinamento e claustrofobia.
Torre um monte de grana numa cena de corre corre pelas ruas de Nova York, envolvendo policiais patetas, muitos carros sendo destruídos e muito barulho por nada.
Como clímax do filme, crie uma cena sem pé nem cabeça, só para forçar o confronto entre o mauzinho e o bonzinho.
Finalizando, não esqueça da esposa chorosa do mocinho, que ao saber que ele enfrentará uma situação de vida ou morte, pede a ele por telefone e entre lágrimas, que compre leite antes de voltar para casa.
Curioso para saber se ele compra o leite? Este é um filme de ação caro, dispensável...e previsível.
Nota: 5/10
Marcadores: Sequestro do Metrô 123

A nação norte-americana, até então intocável e indestrutível, sofrera um dos maiores ataques terroristas do novo século. O poder balançou, e a política ficou perdida em meio ao caos. Sem saber o que fazer, o governo e a população apenas choraram e entraram em pânico. Quatro aviões foram sequestrados: um atingiu o Pentágono, dois atingiram o World Trade Center e o outro (que provavelmente se dirigia a Casa Branca) caiu, não chegando, obviamente, em seu alvo.
Os EUA e o mundo pararam. Em vários pontos do mundo, as pessoas choravam ou chocavam-se com o que acabara de acontecer.
Em minha sincera opinião, acho que tudo no mundo se dividiu em duas partes: Pré 11/09 e Pós 11/09. A história da humanidade tomou outros rumos, o governo tomou outros rumos (quando que em um país cheio de conservadores um negro ia ganhar o cargo político mais cobiçado do mundo? Antes dos atentados não, mas depois...), veio a guerra, veio a crise, as artes mudaram, e creio, que os meus e os seus filhos e netos receberão na escola um livro didático contando tudo o que aconteceu nestes anos. Já entrou para história. Já marcou o mundo, e a nós mesmos.
Vejamos então, como os atentados de onze de setembro afetaram (ou ajudaram, se você acha mais apropriado) o cinema.
Os atentados afetaram os EUA, foi o estopim de uma guerra, de erros políticos, de controvérsias e de crises, e é claro que um atentado dessa proporção afetou as artes em geral.
Os documentários surgiram, e junto com eles trouxeram um cara chamado Michael Moore, que peitou Bush e mostrou com coragem coisas que todos achavam mas que nunca falaria pra ninguém. Ele foi além: filmou, lançou, causou polêmica, ganhou um bom dinheiro e ganhou vários prêmios ao redor do mundo, inclusive um Oscar, e seu discurso na cerimônia foi polêmico e provocador. Outros documentários surgiram, uns conhecidos, outros nem tanto, uns mostrados todos os anos nos canais de documentários na TV fechada, outros que geravam calorosas discussões.
Mas não foram apenas os documentários que sofreram alteração. Vários filmes de variados gêneros sofreram alterações em seu roteiro ou em seus aspectos técnicos. Um grande exemplo disso é A Última Noite de Spike Lee, que só não foi melhor porque o diretor, triste e enraivecido com os atentados, inseriu várias cenas e diálogos sobre os atentados. Em certo momento, dois personagens conversam perto de uma janela que dá vista para os destroços dos arranha-céus, em outros momentos os personagens se lamentam e botam a culpa, de certa forma, nos atentados, os créditos iniciais do filme, por exemplo, mostram o quanto os atentados afetaram Lee, que preenche os espaços deixados pelos dois prédios com dois grandes fachos luz azul, representando as torres gêmeas.
Os filmes ficaram mais secos, e de certa forma, tristes. Antes dos atentados, se via filmes com finais felizes aos montes, todos bem resolvidos para deixar o espectador feliz. Hoje em dia os finais são tristes, secos e perturbadores. É só lembrar do Oscar de 2008 e das obras-primas Sangue Negro e Onde Os Fracos Não Têm Vez, ambos filmes secos, fortes e com finais secos e vagos, deixando espaços para interpretações e comparações com o mundo real. Até mesmo em algumas comédias os fragmentos dos atentados podem ser notados. Juno é uma dessas comédias, agridoce, seco e provocante, nota-se claramente que os atentados ajudaram na produção do filme, que dificilmente seria produzido ou patenteado antes dos atentados.
Assuntos como a poluição e tudo mais nunca foram tão pertinentes como agora. O fim do mundo e o medo de mais atentados também. Filmes sobre atentados terroristas pipocam por aí. Árabes, muçulmanos, iraquianos ou qualquer pessoa dessa etnia é vista com outros olhos, e geralmente são vilãs em filmes americanos.
Filmes de guerra como o quase desconhecido American Soldiers e o bom e bem conhecido Soldado Anônimo também são exemplos dessa fase. O inteligente Babel é um outro grande exemplo, pois mostra um casal de americanos que estão viajando por uma daquelas terras e que de repente a mulher leva um tiro disparado por crianças daquela terra que portavam uma arma ilegal.
As músicas também sofreram alterações, algumas citam os atentados e a crise em seus versos, outras tomaram outros rumos após os fatídicos acontecimentos.
São vários os filmes que relatam os acontecimentos e que foram afetados pelo 11/09, mas todos eles não cabem aqui. E você? O que acha sobre isso? Você acha que os atentados afetaram o cinema?
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Sexta feira tem mais! Espero que tenham gostado...
...e comentem...
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Eu particularmente gostei bastante do vídeo, apesar de não parecer nadinha com o original... Vamos ver o resultado...
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Porém, existem também aqueles que são bonitos, talentosos, mas sofrem de um mal que acomete grande parte dos atores: a falta de originalidade dos roteiristas (inclusive, minha coluna passada foi sobre esse assunto, clique aqui para ver). Explica-se: alguns astros tentam, tentam, mas ficam marcados por um único estereótipo de personagem, passando a interpretar o mesmo tipo de personagem por vários filmes, até mesmo por toda a carreira.
Dois exemplos atuais: Scarlet Johanson e Johnny Depp. Ambos são atores excelentes, carismáticos, bonitos, famosos, mas pecam por interpretar sempre um mesmo tipo de personagem. Ela, a vadia. Ele, o amalucado.
E, curiosamente, todas as tentativas de fuga do estereótipo resultaram em fracasso. Scarlet, por exemplo, descobriu isso da pior maneira possível no ruim “A Ilha”, de Michael Bay, um dos cineastas com a menor imaginação do cinema. Em seu próximo filme, “Homem de Ferro 2”, ela interpretará a espiã Viúva Negra que, para variar, é uma vadia que aparece para conturbar a relação entre Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Pepper Pots (Gwyneth Paltrow).
Depp, por sua vez, experimentou desse veneno por poucas, porém aterradoras vezes. Seus personagens marcantes, como o soturno Edward de “Edward Mãos de Tesoura”, o pirata Jack Sparrow de “Piratas do Caribe”, o doceiro Willie Wonka de “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, e o mais recente de sua galeria, o Chapeleiro Maluco de “Alice nos País das Maravilhas” (com estréia em abril de 2010), são amalucados e ao mesmo tempo misteriosos. Em seu mais recente trabalho lançado, o ator tentou novamente sair da fossa em “Inimigos Públicos”, onde ele interpreta um vilão não-amalucado. A crítica elogiou, mas o público não correspondeu, e o filme pode vir a se tornar novo fracasso na carreira do ator.
Bem, os casos são vários, mas esses são os que mais me chamaram a atenção (e serviram bem para ilustrar minha tese). Na próxima coluna, irei falar de um outro mal que aflige alguns atores da TV e do cinema. Não percam!
* Dedicação especial à minha amiga cinéfila Michelle, que me chamou a atenção para o curioso caso de Scarlet Johanson, o que me motivou a escrever essa coluna. Muito obrigado, Michellinha!


Mais ou menos como o Nick Cage em Despedida em Las Vegas. Ali estava um cara que sabia o que queria!
Desnecessário dizer que isso também me leva a admirar pessoas bem pouco convencionais.
Pois bem. Quando o assunto é cinema, dificilmente encontramos um personagem menos convencional do que o excêntrico, obstinado e apaixonado Edward D. Wood Jr. O doidão Eddie, nasceu em 1924 e aos 8 anos ganhou uma pequena filmadora de presente dos pais. Fascinado por filmes de terror, ainda bem novinho, caiu de amores pelo Conde Drácula, de Bela Lugosi.
Jovem, alistou-se no exército – era paraquedista – e declarou várias vezes que, na guerra, seu maior medo era ser ferido, e que então descobrissem que por baixo de seu uniforme, usava lingerie. Sim, ele cultivava o hábito de travestir-se.
O que no entanto o consumia e ditava os rumos de sua vida era o cinema e sua fé inabalável em sua capacidade de tornar-se conhecido e reconhecido por uma indústria que, convenhamos, costuma ter muito pouca simpatia por pessoas como ele. Cercado de um bando de desvalidos, loucos e idealistas sem dinheiro como ele próprio, entre os quais se encontrava um Bela Lugosi devastado pelo vício em heroína, em 1953 realizou o hoje memorável Glen or Glenda. A temática misturava transsexualismo, travestismo e psicologia de almanaque. Foi estrelado por ele e sua noiva Dolores.
Realizou mais de 20 filmes, sem um tostão no bolso e com muita criatividade, entre os quais se encontram o hoje cultuado Plan Nine From Outer Space. Morreu em 1978, alcoólatra, vitimado por um ataque cardíaco, pobre, de coração partido e sem reconhecimento algum.
Quinze anos depois, Tim Burton resgatou sua memória e o homenageou com seu tocante Ed Wood. Em 1996, um fã absoluto de Eddie, o autodenominado pastor Steve Galino, funda o Woodism, religião pop cultural que encara Wood como um salvador (não como O Salvador) e utiliza seus filmes como meio de espiritualizar seus membros. Atualmente conta com mais de 3.000 seguidores, prega a ampla aceitação ao próximo e a si mesmo e a fé na realização de seus ideais. Aceitam a todos de braços abertos sem exceção. Um bando de lunáticos, excêntricos e idealistas? Com certeza. Isso traria um belo sorriso ao rosto do Eddie de coração partido.
Defina: Cinema
O que é o cinema pra você? O que esta palavra significa? Qual a primeira coisa que vem a sua cabeça quando você escuta essa palavra?
Cinema é aquela sala escura em que as pessoas vão assistir um filme? Cinema é aquela sala escura em que o garoto leva a garota para tomar coragem e dar-lhe uns beijinhos (detalhe: o filme é um romance, o garoto odeia, a garota ama, mas ele faz um esforço para dar uma boa impressão)? Cinema é aquele lugar em que as pessoas vão, fugindo dos programas dominicais do Faustão e do Sílvio Santos? Cinema é o segundo lar de um cinéfilo? Cinema é aquela lista de filmes mentirosa que a Rede Globo e o SBT apresentam no início do ano, cujos filmes nunca passam? Cinema é um simples substantivo comum? Ou cinema é "simplesmente" cinema?
Apesar de todas as opções recém citadas serem consideráveis, particularmente fico com a última opção. Cinema é cinema. Não tem explicação, não tem fórmula e dispensa teoria. É simplesmente cinema. Aquilo que nós, fiéis cinéfilos, adoramos. Aquilo que nos prende na frente da TV ou do computador, assistindo trailers ou indo atrás de boatos. Aquilo que nos faz juntar uma graninha, evitar andar de ônibus para não gastar dinheiro (no caso de quem não se sustenta), apenas para ir ao cinema no fim de semana. Aquilo que nos move ou nos dá motivação, quando estamos na pior (eu tinha escrito "merda", mas aí troquei por "pior" para não ofender você, caro leitor) ou pra baixo. Aquilo que nos ensina, que nos faz pensar, que nos faz criar coisas novas e que nos incentiva a fazer coisas diferentes. Aquilo que como nada e nem ninguém nos faz chorar feito criancinhas mimadas ao perder o doce que acabara de ganhar. Aquilo que nos emociona, que muda a nossa forma de pensar, que nos choca, que nos faz rir, que enche nosso olhos, que sedentos de imagens e sons, brilham ao ver o logotipo da produtora surgir em meio à grande tela de projeção.
Sonhamos, vibramos, gritamos e nos engasgamos com a pipoca cada vez que uma explosão rompe a barreira dos sons nos assustando, e dependendo, nos dando uma bela dor de cabeça. E, convenhamos, qual outra arte ou coisa no mundo é capaz de fazer isso?
Cinema, pra mim, é a melhor arte do mundo! Sim, pois reúne a imagem, o som, a escrita, a dramaticidade da atuação e muitas outras que nós, meros mortais, nem imaginamos.
Quem conheceria ou choraria a morte de um ator se não fosse o cinema? Quem beijaria a garota dos sonhos se não fosse o cinema? Quem acreditaria em fantasmas ou ETs (ok, ok, Spielberg ajudou nesse quesito), se não fosse o cinema? Quem conheceria novos amigos em uma comunidade do Orkut se não fosse o cinema? Quem estaria aqui, escrevendo uma coluna para um blog se não fosse o cinema?
É, meu caro, o cinema é bem mais do que você imagina.
Pena que estas "fugas" dominicias ou da rotina estão sendo ameaçadas por uma coisa que o cinema cansou de repetir em seus roteiros: um vírus que amedronta a população. Em certos lugares do país, festas e shows foram cancelados, a população recebeu orientação para não frequentarem cinemas, teatros e lugares fechados em geral, as aulas foram canceladas e muitas outras coisas sofreram alteração.
É aí que sentimos a perda. As pessoas com medo, param de ir ao cinema, param de sonhar um pouco, param de se divertir e são obrigados a ficar em casa e assistir um apresentados atirar aviãozinho de dinheiro para a platéia, ou então sair de casa, mas ficar fora de ambientes fechados, evitando assim, a propagação da gripe.
E você, você que leu todo o texto (ou por preguiça, veio direto pra parte final), parou de ir ao cinema devido à gripe, ou continuou indo? Você está evitando a propagação, ou não está preocupado? Você acredita que indo ao cinema, os riscos são maiores?
Realmente essas perguntas lotaram e perturbaram os pensamentos dos cinéfilos e frequentadores do bom e velho cinema. O público dividiu-se em dois grupos: os que continuam indo, e os que evitam ir.
Enfim, reflitam sobre tudo o que vocês acabram de ler (se é que leram tudo...). Sobre o que é o cinema e sobre as questões levantadas.
Uma coisa eu posso dizer com toda a certeza: com gripe ou sem gripe, o cinema sempre vai ser o bom e único cinema, seja no estado bruto (aquela sala escura cheia de cadeiras), seja no estado sentimental (aquele que está dentro de nós, batendo forte, em busca de mais diversão e de um bom filme).
No fim de tudo chegamos a uma conclusão: não existe definição para o Cienema.
É simplesmente CINEMA.
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Estréia hoje a minha coluna aqui no blog. Espero que gostem, se gostaram comentem, se não gostaram comentem e apontem os erros para que eu melhore da próxima vez.
Na próxima sexta tem mais.
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