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Especial - Oscar 2012 - Ator e Atriz

Ator


Jean Dujardin por O Artista

Premiar um ator em seu primeiro grande trabalho é muito perigoso. Ninguém sabe como o artista reagirá futuramente, os passos que dará, os filmes que participará. Ao longo da história, encontram-se atores e atrizes que foram premiados precocemente, protagonizaram fitas de gosto duvidoso após a consagração e levaram consigo, para sempre, o subtítulo de "vencedor do Oscar". Porém, há casos como o de Jean Dujardin, em que um Oscar é quase obrigatório. Não há meios termos ou politicagem. Não tem como escapar. O francês pode levar uma estatueta para casa e nunca mais entregar uma atuação digna de nomeações; o fato é que, no momento, nas atuais circunstâncias, não há como abraçar o futuro. O jeito é aceitar o presente e fazer o que é certo. Vencedor do prêmio de Melhor Ator em Cannes, é bem verdade que Dujardin derrapou e enfraqueceu em certo momento da longa temporada de premiações. Nesse meio tempo, George Clooney, o único que pode derrotá-lo, era o favorito. Mas as coisas mudaram e os ventos ficaram a favor do sujeito. Espere um discurso bem humorado e emocionado do ator (alguns dos melhores discursos da temporada são dele), e provavelmente a repetição da piada do agradecimento mudo, em que ele apenas mexe os lábios, não pronuncia uma palavra sequer, remetendo obviamente à obra em preto e branco e muda que encabeça.



George Clooney por Os Descendentes

Não fosse por Dujardin, Clooney seria uma das barbadas da noite. Com atuação primorosa no fabuloso longa de Alexander Payne, o ator prova ser um profissional completo: direção e roteiro impecáveis em Tudo pelo Poder, atuação brilhante em Os Descendentes. É uma pena ver alguém tão versátil e competente sair de mãos vazias da cerimônia, mas é o que vai acontecer. Se em 2006, quando foi indicado por Boa Noite e Boa Sorte e Syriana, Clooney levou uma estatueta - Ator Coadjuvante pelo longa sobre petróleo - mais pelo conjunto da obra no ano do que pela atuação propriamente dita e comentou em seu discurso que como estava vencendo na categoria de coadjuvante, não teria chance em outra área: "isso quer dizer que não serei o melhor diretor da noite". Em 2012 não tem consolação, não tem homenagem. Clooney certamente será indicado inúmeras vezes em diversas categorias diferentes nos próximos anos, certamente vencerá mais Oscar até a aposentadoria ou morte (até mesmo prêmios de Direção e Roteiro, onde o galã se sai muitíssimo bem) e não é preciso contemplá-lo agora, ainda mais com um careca dourado tão recente na estante.



Gary Oldman por O Espião que Sabia Demais

Gary Oldman é um dos melhores atores da atualidade. Tachado como ator cheio de floreios e exagerado muitas vezes, Oldman prova em O Espião que Sabia Demais que pode, quando quer, ser contido e introspectivo. A maior prova de que seu trabalho na fita de Thomas Alfredson é brilhante, é que Oldman não precisa pronunciar uma palavra sequer para roubar a cena toda para si; o ator não precisa também de longos monólogos ou cenas emocionalmente complexas para se fazer entender e surpreender. Óculos de lentes grandes no rosto, sobretudo bege e mãos no bolso. George Smiley não grita, fala sempre num mesmo tom de voz. É o tipo de atuação que Colin Firth concebeu em Direito de Amar. Ambos os trabalhos são cheios de nuances e detalhes quase imperceptíveis, com olhares e gestos minúsculos; duas interpretações que mereciam todos os prêmios do mundo. O empecilho no caminho de Gary é simples: o filme que representa não é unanimidade crítica; para os acadêmicos e críticos em geral, não é a melhor atuação do ano; não tem o mesmo hype que Dujardin e Clooney possuem.






Brad Pitt por O Homem que Mudou o Jogo

Brad Pitt se sai muito melhor quando está introspectivo, contido em suas abordagens. Seu Jesse James em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, talvez seja a melhor atuação de sua carreira, e a fita nem é toda dele. Em O Homem que Mudou o Jogo, Pitt entrega outro trabalho do tipo, e não é a toa que recebeu uma indicação ao Oscar. Está longe de uma vitória, todos sabemos, mas é ótimo ver um excelente ator como ele receber certo reconhecimento. O galã de Entrevista com o Vampiro e Tróia sempre buscou papeis importantes e relevantes para sua carreira, fracassou algumas vezes, claro, mas sempre levantou e seguiu em frente. É o tipo de ator que nunca se ouviu comentar sobre um fracasso ou uma polêmica. Pitt tem muitos anos pela frente e certamente levará um Oscar no futuro (a não ser que se aposente ainda jovem, o que acho improvável), assim, pode esperar mais um pouco. O único erro de Pitt foi largar Jennifer Aniston. Imperdoável, caro leitor; imperdoável!





Demián Bichir por A Better Life

Demián Bichir não chega a ser uma surpresa. Indicado ao SAG - que exerce grande influência na temporada e nos prêmios posteriores - e alavancado por boa campanha, o mexicano está curtindo o momento. Ele mesmo já falou, em entrevista, não acreditar no que aconteceu e que não esperava uma indicação. Está, em suma, curtindo as festas, os ensaios fotográficos e os inevitáveis convites que chegam. O filme pelo qual concorre não é unanimidade e o fato de ser uma obra praticamente desconhecida contará e muito no final. Não que isso fosse fazer diferença, já que de qualquer forma ele seria derrotado, o problema é que alguns votantes não devem ter assistido ao filme de Chris Weitz e isso fará com que perca ainda mais votos. É, de todos, o azarão. Gary Oldman deve angariar mais votos que ele, por exemplo. Além disso, é um ator desconhecido cuja filmografia futura pode ser muito irregular; a Academia não quer apostar as fichas em alguém que pode não aguentar o próprio título de "grande vencedor do Oscar", esse adendo irá para Jean Dujardin, que parece ter bem mais capacidade para tal e está à frente do filme do ano.




Vence: Jean Dujardin por O Artista
Pode vencer: George Clooney por Os Descendentes
Meu favorito: Gary Oldman... Jean Dujardin... George Clooney... Tá bem, tá bem: Gary Oldman

Atriz

Meryl Streep por A Dama de Ferro

Meryl Streep é a maior atriz viva do Cinema. Não há discussões. Quem não gosta dela? Quem não a considera um poço de talento, simpática, elegante; uma dama nata. É uma atriz perfeita: são poucos os filmes com ela que não deram certo, e até mesmo estes têm seus fãs; esses mesmos filmes que não deram certo contam com atuação magistral de sua protagonista (o caso de A Dama de Ferro, inclusive); a maioria de seus filmes conta com uma equipe competente e um escopo abrangente; os que não contam com tais adjetivos são divertidos ou emocionantes; todos querem trabalhar com Streep; ela é protagonista pura, o diretor ou produtor que der um papel coadjuvante para essa mulher deve ser preso; um roteirista ou diretor mediano deve ter Streep no elenco, será meio caminho andado e garantirá, ao menos, elogios à sua atriz principal. E novamente caímos em A Dama de Ferro. Phylidda Lloyd, a diretora do projeto, é limitada e pouco talentosa, teve na capacidade de sua amiga Meryl Streep e de sua equipe uma forma de ser vista e lembrada. Os méritos são todos da veterana intérprete. O que pode contar contra a vitória dela? Meryl é indicada a praticamente todos os filmes que participa, é presença constante no Oscar; quando um projeto seu é anunciado, os apostadores e blogueiros já colocam seu nome como pré-candidata ao prêmio, e sempre acertam; ela será indicada várias vezes no futuro, até mesmo no ano que vem, talvez; todas as atuações que ele entregar nos anos vindouros merecerão nomeações e prêmios. Streep acabou por se tornar mobília da Academia, imóvel. Deixe-a ali, quieta. Ela estará aqui na próxima edição, e na próxima. Até que o tempo a leve e em seu lugar fique um imenso vazio. 


 Viola Davis por Histórias Cruzadas

Viola Davis é um assombro. Uma das maiores revelações femininas da década passada é favorita ao prêmio de Melhor Atriz em 2012. Davis é tão boa, que em 2009 fora indicada na categoria de atrizes coadjuvantes por sua participação em Dúvida; o fato é que a atriz tem, basicamente, uma cena durante toda a projeção. Mas é das cenas mais impactantes que o Cinema proporcionou naquele ano. Uma segunda indicação seria inevitável. O curioso é que Davis geralmente trabalha como coadjuvante, um projeto nunca é inteiramente seu, como é o caso de Streep em A Dama de Ferro, e isso pode atrapalhá-la no final. Até em Histórias Cruzadas, pelo qual concorre a Atriz principal, Viola é quase uma secundária; até mesmo Octavia Spencer parece ter mais atenção do público nessa temporada. Outra ironia é que as duas maiores concorrentes estão à frente de filmes criticados por boa parte dos especialistas, o que pode pesar, levando a atriz mais experiente à vitória. Outro fator atenuante: Davis será indicada no futuro e provavelmente vencerá, o que pode roubar alguns votos nas atuais circunstâncias.





 


Rooney Mara por Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Ainda que muitos alardeiem Rooney Mara como protagonista de Millenium, há de se concordar que a fita de David Fincher possui outros atrativos. Não é um filme só dela. E isso pode pesar. Mara é também jovem. É seu primeiro grande papel no Cinema e sua carreira é incerta. Outro "detalhe" é que, caso Fincher resolva dirigir as duas continuações de Millenium, Mara retornará, entregando outras duas interpretações que podem ser indicadas. Mara, em resumo, terá chances em outros filmes e até mesmo pela mesma personagem. Não há o que explicar ou entender, o prêmio da Rooney está guardado em algum lugar do futuro.








 Michelle Williams por Sete Dias com Marilyn

Promissora jovem atriz, Michelle Williams parece tão envergonhada, tímida nas premiações, mas é um estrondo quando deve atuar. Recentemente Williams fora indicada nessa mesma categoria por Namorados para Sempre, onde, ao lado de Ryan Gosling, entrega uma atuação soberba e poderosa, desvendando as faces de um relacionamento em crise. Em 2012 a frágil Michelle concorre à estatueta por sua interpretação de Marilyn Monroe em Sete Dias com Marilyn, não é pouco para uma atriz tão jovem. Com considerável filmografia, esta é sua terceira indicação ao Oscar (a primeira foi como coadjuvante, por O Segredo de Brokeback Mountain), e muitas ainda virão. O filme que representa não recebeu críticas muito positivas, e isso, nesse caso, conta contra, afinal, Williams ainda não é uma Streep para estar num filme ruim e ganhar um Oscar. Enfim, as atenções estão voltadas para Streep e Davis, são elas as estrelas da noite.




 
  Glenn Close por Albert Nobbs

Há um bom tempo longe da tela grande, Glenn Close volta ao Cinema e ao Oscar com categoria. É outro fenômeno que pode participar de uma fita mediana e se destacar. Albert Nobbs, como todos sabem, foi duramente criticado, abrindo um espaço ainda maior para a interpretação de Close. Ainda assim, ela não merece um prêmio. Antes de a obra ser lançada, Glenn era tida, ao lado de Streep, como favorita absoluta ao Oscar, após o lançamento do filme e as reações mornas, tudo mudou; hoje, Close é apenas uma figurante entre as finalistas. Sua nomeação esse ano deve abrir as portas para lembranças futuras, já que sua última indicação foi em 1988, por Ligações Perigosas. Caso o hype em torno das favoritas não fosse tão grande e Albert Nobbs fosse um bom filme, Close certamente estaria na corrida pelo prêmio, já que nunca venceu um Oscar e merece, e muito, tal consideração. 






Vence: Meryl Streep por A Dama de Ferro
Pode vencer: Viola Davis por Histórias Cruzadas
Minha favorita: Adoro Viola Davis, mas não pelo filme o qual concorre e não contra Meryl Streep. Streep é única.

Matheus Pereira

2 comentários:

Parabéns pelo post e blog, já estou seguindo.

Eu esperava uma edição cheia de surpresas, mas acabou sendo bem previsível.

Minha análise dos vencedores também já está no ar: http://peliculacriativa.blogspot.com/

27 de fevereiro de 2012 21:20  

Olá!

Muito obrigado! Visitei o seu blog e gostei muito também. Parabéns!

Eu gostei da cerimônia, sabe? Foram poucas surpresas mesmo, mas gostei do resultado como um todo.

Ah, e parabéns pelo bolão! rsrs

Abs!

27 de fevereiro de 2012 21:54  

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