Fantasmas de Hollywood
Fico particularmente intrigada pelo fato de que Charlie Chaplin, sepultado no mesmo cemitério, nunca tenha sido avistado; concluo que deve ter ido rapidinho em direção à luz tentando evitar um desagradável encontro com o fantasma de Thomas Ince, aquele que foi assassinado em seu lugar.
Não querido leitor (se é que eu tenho algum); não é “filme de zumbi” é “filme zumbi” mesmo.
Explico:
Podem me chamar de saudosista, rabugenta, o que for... Não estou nem aí! Compreendo que a crise de bons roteiros deva levar muito estúdio ao desespero, ao ponto de um jogo virar filme sem pé nem cabeça; mas vem cá... Será que com tantos livros bons esperando para serem adaptados é mesmo tão necessário pegar filmes perfeitos que têm uma legião fiel de fãs e arruiná-los em refilmagens horrorosas, descerebradas e sem alma? Sério mesmo, parece que os caras fazem de propósito para irritar os fãs! Acordam em um belo dia com apetite para ganhar uns trocados e escolhem aleatoriamente a próxima vítima do massacre.
Recentemente aconteceu com uma pequena obra prima dos anos 80 do brilhante Alan Parker, Fama. O original de 1980 tem um elenco talentoso e praticamente desconhecido e conta a estória de um grupo de alunos novatos em uma prestigiosa escola de artes em Nova York. Teve duas de suas canções indicadas ao Oscar, sendo que uma (Fame) cantada por Irene Cara, que também está no elenco, levou o prêmio. A trajetória durante os anos de formação dos 4 alunos que formavam o núcleo central foi contada com humor e emoção, em um roteiro indicado ao Oscar. O filme é recheado de cenas musicais de extremo bom gosto que se tornaram clássicas e foram alvo de citações em outros filmes.
A refilmagem, que passou com toda justiça desapercebida pelos cinemas, tinha igualmente um elenco desconhecido (que com certeza vai se manter assim) e veteranos como a musa dos musicais Babe Neuwirth, pagando mico; só seria mesmo pior, se além das atuações capengas, as coreografias fossem constrangedoras e as músicas fossem um lixo. Adivinhem só? Eram!
Outra vítima indefesa, O Destino do Poseidon de 1972, foi trucidado em uma refilmagem de Wolfgang Petersen, o diretor que adora brincar com água e já havia afundado Tróia. Aqui o caso foi mais grave ainda, porque mexeram com um dos ícones eternos do cinema catástrofe, achando com certeza que seriam absolvidos de tal crime pelos efeitos especiais de qualidade. Gene Hackman, Shelley Winters e Ernest Borgnine, entre outros, foram substituídos por Josh Lucas, Mia Maestro, o irrecuperável canastrão Kurt Russel e a cantora Fergie em uma ponta. Desnecessário dizer que temas legais como a fé vacilante do personagem principal em Deus passaram bem longe dessa versão. Uma coisa porém conta a seu favor: foi um prazer inenarrável ver Fergie morrer afogada depois de cometer um duplo atentado contra as artes do canto e da atuação.
Outros filmes cultuados, queridos e charmosos que foram igualmente zumbificados são A Morte Pede Carona, O Dia Em Que A Terra Parou, Invasores De Corpos e A Última Esperança Da Terra. Lamentavelmente o massacre vai continuar com Karatê Kid, Footloose, Os Caça-Fantasmas, História Sem Fim, RoboCop e ainda muitos outros, com certeza! Todos na fila para serem transformados em zumbis anabolizados sem alma. O que me alivia o coração é saber que essas refilmagens absurdas costumam ser grandes fracassos de bilheteria, muitas vezes nem chegando a se pagar. Praga de cinéfilo injuriado pega... he he he!

Verdade seja dita: nós gostamos mesmo de ver o mundo acabar. Freud explica. Talvez essa seja uma maneira de sublimar nosso medo. Agora com a tal da profecia Maia o assunto não sai da boca do povo, e Rolando Emmerich, que adora destruir o mundo, já está ganhando rios de dinheiro com seu novo filme. Fazia tempo que eu não via filas enormes nas portas de cinema (desde O Senhor Dos Anéis), e 2012 as trouxe de volta. Confesso que fiquei feliz, pois em tempos de profecias catastróficas à respeito da sobrevivência da 7ª Arte, ver um cinema cheio desanuvia o coração do cinéfilo. Troquei muitas idéias com amigos a respeito de 2012, e as opiniões que colhi sobre ele não foram das mais animadoras. Reclamações sobre a longa metragem do filme são as mais constantes. Realmente, Emmerich podia ter destruído o planeta em bem menos tempo. Isso pelo menos impediria que uma amiga minha e seu namorado tivessem dormido no cinema.
Outra reclamação recorrente, é a de que os personagens centrais não são simpáticos o suficiente para que nos envolvamos e torçamos por eles. Essa também procede. A família do herói (John Cusack, com cara de dono de loja de discos) é muito chatinha, o que torna difícil uma ligação emocional com eles; para piorar ainda mais, personagens interessantes e com alguma dimensão humana pelos quais valia a pena torcer, foram descartados prematuramente; porque diabos desfrutamos tão pouco da companhia do profeta do apocalipse doidão e chapadão, interpretado pelo igualmente doidão e chapadão Woody Harrelson, um dos melhores personagens do filme?
Minha maior expectativa, na verdade, eram os efeitos especiais; eles estão lá, abundantes e muito bem feitos. Talvez o problema seja mesmo o excesso, que acaba nos empapuçando e enjoando como quando nos entupimos de doces. É uma sensação difícil de ser descrita. Só sei que chega uma hora que você diz: tá, e daí? Nessa hora é que você, mesmo sabendo que não devia, começa a sentir falta de algo mais que não está lá, sensação que nos acompanha até o final do filme; então sua mente empapuçada começa a divagar, e você pensa porque diabos o batom da Amanda Peet ainda está tão lilazinho, brilhante e intocado, e imagina um slogan para o tal baton: “com você até o fim do mundo”; você olha para o Danny Glover, imagina que a qualquer momento ele vá soltar sua frase clássica de Máquina Mortífera, “estou muito velho para essa merda”, e conclui que talvez o mesmo se aplique a você. Finalizando, preciso destacar o efeito terapêutico do filme, que acaba demonstrando existir coisa bem pior do que a morte durante uma hecatombe mundial; quando o fim do mundo chegar, é bem melhor ver da janela como diz a Rita Lee, do que sobreviver em companhia de peruas vestindo Armani, homens arrogantes e gente chatinha. Isso sim, seria o fim do mundo!
Nota 7/10
Marcadores: 2012
Uma das primeiras coisas a serem ditas é que Harry Potter e o Enigma do Príncipe é o melhor de todos os Harry Potter. Os motivos que o tornam o melhor já foram comentados em uma crítica escrita por mim, aqui mesmo no blog, mas agora irei comentá-lo de forma mais rápida e direta, e como fã. Começando pelo quesito que mais chama atenção devido a grande mudanças: a direção. David Yates recebeu duras críticas de alguns por sua direção em "e a Ordem da Fênix", o que não discordo, afinal, Yates fez um dos piores da série, indo totalmente contra a ordem lógica das coisas: dar um passo a frente sendo melhor que o antecessor. O que Yates fez foi o contrário: retrocedeu alguns passos em relação a "e o Cálice de Fogo" e "e o Prisioneiro de Azkaban". Ainda que seu trabalho não fora desastroso (tendo em vista que o roteiro também era falho, talvez porque o habitual Steve Kloves não fora o roteirista) alguns pontos o fizeram um filme menor: esquecer alguns coadjuvantes bons, para colocar alguns sem graça e enaltecer demais a política do livro escrito por J.K. Rowling. Mas isso é passado, e em "e o Enigma do Príncipe" Yates aprende a lição e não comete os mesmo erros. Yates melhora tanto na direção do roteiro quanto na direção técnica, fazendo um dos filmes mais belos de toda a série. Notem cada quadro, cada ângulo, todos parecem uma pintura. A cena na caverna (e o fogo se abrindo em clara alusão ao Mar Vermelho e Moisés), a abertura no mundo dos "trouxas", a morte de um personagem importante, a cena em que Snape fica na frente de uma casa em chamas e o ataque à "Toca" são as melhores, excelentemente bem dirigidas além de muito, mas muito belas. Mas cada cena tem também o toque perfeito da direção de arte, uma das mais competentes da série, que merece (e muito) ser indicada ao Oscar. Outro quesito digno de indicações e prêmios é a fotografia, apesar de contar com muitos efeitos especiais e cenários virtuais, a fotografia se destaca de várias maneiras, de uma simples cena na torre de astronomia até o ataque à Toca. O elenco (tanto principal quanto coadjuvante) sofreu grande melhoria. Destaque para os veteranos: Jim Broadbent (perfeito), Michael Gambom (o melhor personagem para o melhor ator, ou vice versa) e Allan Rickman (excelente e preciso). Contando com ótimos efeitos e a volta de Kloves ao roteiro da série "Enigma" é, sem sombra de dúvidas, o melhor de todos os Harry Potter.
Obs.: O DVD duplo é muito bonito e recheado. A versão é em Widescreen, o CD 1 vem apenas com escolha de idiomas e escolha de cenas. Já o CD 2 de Informações especiais trazem um pequeno documentário sobre a vida de Rowling (altamente recomendável para os fãs, já que nesse documentário presenciamos o exato momento em que Rowling escreve a última palavra e o último ponto do último livro da série, terminando ali, toda a história do bruxo nos livros Momento impagável para quem acompanha a saga desde o princípio), trás também pequenos making-ofs que mostram os principais quesitos do filme (efeitos, maquiagem, fotografia...), cada item com um ator diferente. Trás também o extra "Responda em Um Minuto", em que cada ator tem um minuto pra falar sobre seu personagem. Há um extra exclusivo ao parque temático sobre a saga e muito mais. Vale a pena para fãs. Não é muito revelador, tirando o excelente documentário sobre a escritora. Os extras são destinados principalmente aos fãs e não a cinéfilos, o extra que fala sobre a fotografia só cita e comenta a loja dos irmãos Weasley, nada mais profundo ou revelador que agrade os cinéfilos mais exigentes. No mais, é um bom DVD, a capa é muito bonita e com ótimo acabamento. Vale a pena a compra ou locação.
Filme: 8,5
Extras: 7,5
O filme volta na linha do tempo da série, vemos o Capitão Kirk e o Sr. Spock se conhecerem na Academia, o voo inaugural da Enterprise e a primeira missão de sua tripulação. Os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman(Transformers, A Ilha, entre outras bombas...) surpreendem neste filme, pois pouco se esperava de uma dupla com uma carreira medíocre. Orci e Kurtzman recriam a série mesmo, eles não estão preocupados se irão alterar os fatos da série clássica (há alguns fatos que na série clássica acontecia bem depois do primeiro filme, mas aqui acontece já no primeiro) eles querem e recriar a mesma série e não copiar, eles querem mudar e não fazer o mesmo filme, os personagens são os mesmos, alguns acontecimentos também, mas a dupla tomou liberdade para criarem coisas novas e modificarem coisas já criadas. E a surpresa é que a dupla faz um excelente trabalho, não desrespeita os que já eram fãs da série e criam coisas novas para os novos fãs. É uma forma inteligente de manter todos felizes e por perto. Orci e Kurtzman acertam também ao dar a devida atenção aos personagens secundários, e uma vez ou outra nos fazer rir com um ótimo teor cômico(Simom Pegg e seu alienígena anão aparecem pouco, mas quando aparecem roubam a cena).
Abrams, como já demonstrara em M:I3, não é adepto do estilo "10 cortes por segundo" como Michael Bay, e constrói suas cenas de ação com maestria. Desde as cenas de ação do brilhante prólogo até a sensacional luta sobre a perfuratriz. Abrams concede planos inteligentes e ousados (amparados pelos ótimo efeitos visuais) e quadros belos. Talvez seu único erro seja a constante e desnecessária utilização de reflexos luminosos na tela, pois não ajuda na narrativa, incomoda e não é bonito esteticamente. De resto, Abrams acerta, tanto na composição das cenas quanto na direção de atores. Abrams mostra ter grande habilidade com cenas grandiosas e repletas de efeitos especiais, mas mostra também que sabe muito bem movimentar sua câmera dentro de uma nave, fazendo com que a nave do filme realmente pareça uma nave e não um cenário.
O elenco foi muito bem escolhido. Chris Pine encarna um Kirk de forma perfeita. Surpreende e mantém o personagem caminhando na corda bamba entre a impulsividade, o perigo e sonho de ser capitão. Não é um papel difícil, mas Pine conseguiu trazer detalhes excelentes ao personagem. Karl Urban surpreende e muito. Tido até agora como inexpressivo e canastrão, Urban consegue compor um personagem que não deve em nada para o original. Confesso que não gosto de Zoe Saldana, não sei bem o porquê, mas a garota não me convence, mas aqui ela faz um competente trabalho. Mas quem realmente merece destaque é Zachary Quinto e seu enigmático Spock. Os olhares, os trejeitos, a forma com que pronuncia cada palavra e sua "quase" arrogância são detalhados com exímia perfeição por Quinto.
Star Trek recria e apresenta seus personagens da melhor maneira possível, de forma divertida e bem contada, mas no momento em que o filme tem que apresentar um história inédita, ele falha, ou seja, quando o filme tem que andar sozinho, criando uma outra aventura, as falhas aparecem. Sobre a viagem no tempo tudo é muito bem contado e explicado, as falhas residem é no vilão, vivido por Eric Bana. Seu vilão por vezes se torna pífio. Sem graça, não dá medo, não passa perigo, apenas tem um desejo clichê de vingança. Não é um erro enorme, mas seu personagem podia ser melhor trabalhado pelo ator, e os roteiristas podiam caprichar na vingança e não torná-la clichê. Os motivos da vingança são interessantes, mas a vinganças em si não tem graça.
Contando com efeitos especiais de primeira, boas atuações, excelente direção e uma dupla de roteiristas inspirada (não sei até quando...) Star Trek é muito melhor do que se espera. É divertido e tem "recheio". Merece ser visto por fãs e iniciantes. Para os novos Star Trek e para Abrams e sua equipe:
"Vida longa e próspera!"
Nota: 8,5
Extras: 5,5
Por Matheus Pereira


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Bem, primeiramente peço encarecidas desculpas pelos atrasos, a semana foi cheia, corrida, o tempo não ajudou e o blog acabou ficando de lado. Meu grande amigo Richar postou algumas coisas e eu postei um crítica, ainda é pouco para um blog que tinha de 2 a 5 postagens por dia, mas isso com certeza irá passar. Fim de ano chega, o tempo aperta. O que me trás felicidade é que em breve as férias chegarão e eu terei muito mais tempo pra vocês, caros leitores. Prometo do fundo do coração que nesta semana que se inicia as coisas voltarão ao normal. Mais postagens, mais críticas e mais notícias. Novidades surgiram e novidades ainda irão surgir. Sobre a coluna de hoje, espero que tenham gostado. Injustiças? Com certeza houve algumas, afinal, é impossível uma lista pessoal agradar a todos, principalmente conseguir falar de todos os diretores. Caras como M. Night Shyamalan e Fernando Meireles ficaram de fora por critérios de desempate. Deem opiniões, critiquem e elogiem, mandem suas listas e botem a boca no trambone. Sexta feira tem mais...
...e comentem...
Aguarde, você não perde por esperar...
Marcadores: De Cinéfilo Para Cinéfilo
A trama será uma espécie de sequência do clássico original: Alice (Mia Wasikowska), aos 17 anos, vai a uma festa vitoriana e descobre que está prestes a ser pedida em casamento perante centenas de socialites. Ela então foge, seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou há dez anos, mas não se lembrava.
Segue embaixo os posters do filme:






DE: Staley Kubrick
COM: Tom Cruise, Nicole Kidman, Sydney Pollack, Madison Eginton, Jackie Sawiris, Leslie Lowe, Marie Richardson.

Há dez anos era lançado nos cinemas americanos (aqui no Brasil só em fevereiro de 2000) o filme Três Reis, de David O. Russel, com George Clooney, Mark Wahlberg e Ice Cube no elenco. Parecia apenas mais um filme de ação bem orquestrado, o que não deixa de ser verdade, mas além de um filme de ação bem orquestrado, Três Reis é um verdadeiro mosaico em que humor (negro), aventura e drama se mistura com exímia perfeição. O filme começa quando a guerra termina. É quando três soldados (o outro vai de arrasto) acham um mapa na bunda de um homem (sim, na bunda de um homem) e armam um plano: há, em algum lugar não muito longe dali, todo (ou parte) do ouro que Saddam roubou do Kwait, a partir daí os "ilustres" soldados decidem ir atrás do outro e se dar bem. No caminho, como obstáculos, eles tem um repórter que faz de tudo para ter sua matéria inédita, os soldados de Saddam, os prisioneiros dos soldados de Saddam, o peso do ouro, tiros perfurando a bile e muitos perigos inacreditáveis. Você até pode achar essa sinopse sem graça, clichê ou qualquer outra coisa de ruim, mas quando essa história passa diante de seus olhos como um filme, você fica envolvido, se diverte muito (muito mesmo, e Spike Jonze garante boa parte dessa diversão), vibra e torce pelos azarados soldados. Um roteiro de fácil entendimento, mas que é inteligente e exige certa atenção de quem está assistindo, o que é o mínimo em um filme que se preze. Sem nunca perder o ritmo, o roteiro não torna-se chato, cansativo ou repetitivo, sempre inova e é sempre eletrizante, sem ser clichê, Três Reis é, acima de tudo, original.
Matheus Pereira
Segue então, os dez cineastas mais promissores, em minha opinião.

-Amores Brutos
-11/09/01 - September 11
-21 Gramas
-Babel

-Cova Rasa
-Trainpotting
-Por Uma Vida Menos Ordinária
-A Praia
-Extermínio
-Caiu do Céu
-Sunshine - Alerta Solar
-Quem Quer Ser Um Milionário?

Filmes:
-Um Sonho de Liberdade
-À Espera de Um Milagre
-Cine Majestic
-O Nevoeiro
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Filmes:
-A Princesinha
-Grandes Esperanças
-E Sua Mãe Também
-Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
-Filhos da Esperança

Filmes:
-Pi
-Réquiem Para Um Sonho
-Fonte da Vida
-O Lutador
...e comentem!
Marcadores: Cinema, De Cinéfilo Para Cinéfilo, diretores

O PODER VAI DANÇAR
Com: Hank Azaria, John Turturro, Rubén Blades, Emily Watson, Philip Baker Hall, John Cusack, Cherry Jones, Angus Macfadyen, Bill Murray, Susan Sarandon, Vanessa Redgrave, Cary Elwes, Joan Cusack, Bob Balaban, Gretchen Mol, Jack Black.
Premissa:
No mesmo passo o governo tentava impedir a idéia de sindicalização da classe operária e a proliferação de partidos comunistas em solo americano. Quando um jovem compositor, Marc Blitzstein (Hank Azaria), surge com um musical sobre tais questões, o governo a censura, fechando o teatro, e proibe seus atores de a encenarem. Num episódio real, Orson Welles (Angus Macfadyen), dos poucos apoiadores do espetáculo e também seu diretor, empreendeu uma passeata por Nova York em protesto e realizou o espetáculo num teatro alugado apenas com seu autor em cena, pois era o único não sindicalizado. O desenrolar da encenação e as polêmicas que a cercaram fizeram da peça o que se considera hoje a maior estréia de uma peça teatral na história dos EUA.
Da efervescência social, passando pela hipocrisia e frivolidade do high society americano, até o furor criativo e intelectual que emergiu desse período, Tim Robbins concebe um dos maiores filmes do grande ano de 1999.
O elenco é dessas coisas intocáveis, dos trabalhos mais sólidos que já vi. Todos merecem menção. Bill Murray como um ventríloquo que vira delator concebe a que talvez seja sua melhor performance.
Fiquei real e completamente rendido ao vigor narrativo de Robbins, que também assina roteiro, neste trabalho que o coloca em outro patamar como artista, ao menos pra mim. Do drama social à comédia e ao musical, Robbins passeia por diferentes gêneros sem nunca perder de foco sua trama e seus ricos personagens.
John Turturro e Emily Watson (no climax, na foto abaixo num momento cinematográfico desses mágicos e antológicos) estão inclassificáveis de tão bons, vale mencionar.

O roteiro é muito bem escrito. Tudo é levado com maestria, deixando o filme, neste quesito, de fácil entendimento. O embate entre as duas figuras é tenso, apesar dos dois se encontrarem de verdade num confronto verbal apenas uma vez, Depp e Bale se antagonizam. Por falar em Bale, o coitado apesar de bom ator, é quase ofuscado pelo brilho de Depp. O filme torna-se confuso devido a escolha do elenco, pois eu fiquei muito confundido entre o ator que interpreta "Nelson Cara de Bebê" e outro ator coadjuvante, entre outras confusões que se tornar inevitáveis devido a esses pequenos erros. A reconstrução da época é excelente, os carros, as roupas, tudo é feito de forma cuidadosa. Cada detalhe (notem os aparelhos, como rádios), cada casaco e acessório, tudo é feito minuciosamente e mais real possível.
A direção de Michael Mann é majestosa, e com este filme, acabou tornando-se o melhor diretor de filmes digitais, ou seja, seus últimos filmes foram filmados com câmeras digitais e desde o primeiro, Mann só melhorou, e fica cada vez mais experiente. Se em Colateral, a filmagem digital foi bem explorado tal qual sua excelente fotografia, aqui em "Inimigos..." essa forma é levada ao ápice. Amparado por um ótima edição, Mann concedeu uma das melhores direções do ano.
Os extras do DVD simples (não sei se será lançado um DVD duplo, acho que não) são bem frustrantes, ou melhor: quase não há extras, apenas a opção de comentário do diretor Michael Mann. De resto, apenas os trailers de sempre. A capa do DVD não é das melhores, e é diferente dos cartazes. Nos cartazes de cinema, a cor das letras do título era branca, na capa do DVD as letras são vermelhas, o que não combinou com o restante da capa cuja sua cor predominate é o preto. É um trabalho bem feito, com bom acabamento, mas acho que poderiam manter a capa igual aos cartazes.
Por incrível que pareça, é extremamente difícil "dissecar" "Inimigos", ou seja, é difícil analisá-lo. Faltam palavras, talvez por sua força, talvez porque não há o que falar. A única coisa que tem de ser dita é que Inimigos Públicos é um dos melhores filmes do ano.
Notas:
Filme: 9,0
Extras: 3,0
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