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Crítica - Distrito 9


Costumo me preocupar com minhas críticas. Sempre procuro escrever de forma justa e correta, e acho que quanto melhor o filme, melhor deve ser a crítica. Mas parece que é o contrário. Quanto melhor é o filme, mais difícil de escrever a crítica. Algumas críticas são concebidas já prontas, outras demoram para ser construídas. A última crítica que escrevi, sobre (o ótimo) Arraste-me Para o Inferno, foi fácil de ser escrita. O texto fluiu, pulou para ponta dos meus dedos e digitei. Mas a análise para Distrito 9 parece não surgir. Parecem que as palavras me fugiram. O filme é ótimo, indiscutivelmente é um dos melhores filmes do ano, mas inexplicavelmente está difícil escrever.

Posso começar dizendo que Distrito 9 não é um filme subjetivo. Suas mensagens (visuais e interpretativas) não são totalmente escondidas. Um exemplo disso é a alusão óbvia ao apartheid. Neill Blomkamp não é nem um pouco discreto ao ligar cartazes de "Proibido Aliens" diretamente aos que eram lidos na época do apartheid, "Proibido Negros". Na parte inicial do longa, onde os aliens são apresentados, a imagem que Blomkamp nos passa é que os alienígenas são seres ruins, que transmitem doenças e cometem crimes, aos poucos vamos vendo que a verdade não é essa. E que, nesta história, os aliens são seres bons, e que os humanos são os vilões. Essa talvez seja a melhor e a mais perigosa escolha, já que os americanos adoram ser as vítimas e mostrar os aliens em seres ruins que só querem destruir a casa branca. Uma das melhores e mais corajosas escolhas, foi também, a escolha de colocar uma nave espacial pairando sob os céus de uma área da África do Sul, e não, sob os céus de Nova York, por exemplo. Tudo é muito bem bolado, a história além de original, aposta em escolhas perigosas. A mistura de aliens com a pobreza da África é excelente e eleva o longa a outro patamar.

A humanidade esperava por um ataque hostil ou por gigantes avanços tecnológicos, nada disso veio. Os alienígenas chegam à Terra como refugiados e se instalam em uma área da África do Sul, o Distrito 9, enquanto os humanos decidem o que fazer com eles. A Multi-National United (MNU) é uma empresa contratada para controlar os alienígenas e mantê-los em campos de concentração e deseja receber imensos lucros para fabricar armas que tenham como "matéria-prima" as defesas naturais dos extraterrestres. Mas a MNU falha na tentativa de fabricação das armas e descobre que para que elas sejam ativadas, o DNA dos aliens é necessário. A tensão entre humanos e aliens aumenta quando Wikus van der Merwe espalha um misterioso vírus que modifica o DNA das criaturas impedindo a poderosa MNU de colocar em prática seus planos de exploração sobre as criaturas de outro planeta. Então o homem que se torna o mais procurado do mundo, tem que fugir, e sem casa e sem amigos, só tem um lugar onde se esconder: Distrito 9. Essa é a sinopse de Distrito 9. Original, convenhamos. Não é todo ano que temos a oportunidade de assistir um roteiro tão corajoso como esse. Referências e homenagens a outros longas também não são subjetivas, as cenas em que as unhas e a pele do personagem principal vão caindo e sendo arrancadas devido a mutação remetem diretamente ao filme A Mosca. Estas e outras referências vez por outra pipocam sem subjetividades. Distrito 9 não copia, homenageia.

O roteiro de Distrito 9 merece destaque. Tudo é muito bem explicado. Na primeira parte do longa ficamos a par de tudo o que acontece e de (quase) todos os problemas do distrito. Adotando um estilo documental, com entrevistas, imagens de arquivo e de reportagens, a parte inicial do longa é muito bem feita e bem bolada. É nela que ficamos sabendo das coisas mais importantes da história. Logo após esta primeira parte, conhecemos de maneira mais profunda Wikus Van De Merwe, que acabara de ser promovido pelo sogro. Sua missão é fazer com que os camarões (apelido pejorativo dado aos aliens) assinem um documento aceitando a saída do distrito 9 e a mudança para o distrito 10. É claro que as as sassinaturas não surgirão tão fáceis, e Merwe resolve checar cada barraco a procura de armas ou outro produto ou objeto considerado nocivo aos humanos, é mexendo em um desses produtos que Merwe é contaminado e passa a se transformar em um alien. Durante toda a segunda parte do longa, vemos Merwe fugindo e tentando se salvar da contaminação, e para isso se junta a um alien e seu filho (uma gracinha, apesar de ser um alien) que é o único que pode lhe ajudar. A terceira e ótima parte se resume a última missão dos dois juntos, que é claro, não irei contar, só posso afirmar que os efeitos especiais usados nesta parte são incríveis. Como você deve ter notado, o filme não perde força em nenhuma parte do longa.

E por falar em efeitos especiais, estes são incríveis. Custando míseros 30 milhões (sim, míseros, pois o preço é muito, mas muito baixo perto de outros filmes de ficção científica), Blomkamp e sua equipe fazem com que o filme que custou trinta milhões aparente ter custado mais de cem milhões. É incrível como eles conseguiram tal feito. Ao saber que o filme custou trinta milhões, você fica espantado, "como este filme muito bem feito e com efeitos de primeira custou apenas isso?", você se pergunta. A resposta: dedicação e criatividade. Os alien são muito bem feitos, parecem reais e seus movimentos são críveis. A máquina vista na parte final também é incrivelmente bem feita. Com Peter Jackson na produção tudo fica mais fácil. A direção de Blomkamp é excelente(acredito piamente que Jackson deus alguns pitacos na direção), uma das melhores do ano. O estilo predominante é o semi-documental e é amparado pela excelente edição. A fotografia merece destaque, tal qual a direção de arte responsável pelo design dos aliens e das armas.

Inteligente e original, Distrito 9 surpreende e deixa sua mensagem. Técnica e narrativamente perfeito, D9 é inesquecível. A última cena é arrepiante e excelente. Agora é só esperar por Distrito 10, mas para isso você não terá que esperar três anos...

Nota: 9,0

Matheus Pereira

1 comentários:

Nossa Matt, desse eu não gostei nem um pouco. Rolou até um riso involuntário! Minha crítica e a sua não poderiam ser mais diferentes!!! Mas essa é a beleza da coisa, né?

7 de dezembro de 2009 19:04  

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