Os Melhores da Década

Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton
Elenco: Ben Burtt, Sigourney Weaver, Fred Willard, John Ratzenberger
País de Origem: EUA
Gênero: Animação/Aventura/Ficção-científica
Duração: 98 min.
Convenhamos, a Pixar é um estúdio que cria animações para adultos. Não que não encante ou divirta as crianças, mas a profundidade, a alma de suas animações é tanta que ás vezes é difícil crer que suas produções são feitas, principalmente, para os pequenos. Aposto alto que os mais velhos se divertem e se emocionam muito mais que as crianças. Todas as metáforas sobre crescimento, solidão, vida, morte, amor, são voltadas para os mais velhos. Temos que nos render e confessar que muitas vezes os personagens animados digitalmente têm mais alma e amor dentro de si do que muitos atores e atrizes por aí, e que suas histórias são muito mais interessantes que as que surgem nas telas a cada semana. Não é tão difícill, por exemplo, emocionar o público "assassinando" um dos personagens principais, difícil mesmo é fazer um pequeno robô emocionar o público, fazer com que uma máquina seja carismática e, para finalizar, fazer acreditar no romance entre dois robôs. A Pixar é capaz disso. Depois de emocionar o mundo com bonecos, insetos, uma família de herois, um rato cozinheiro, monstros e tudo mais, a Pixar lançou sua maior obra-prima: Wall-e. Fica difícil escolher apenas um exemplar para representar esse magnífico estúdio, produtor incansável de obras-primas. Creio que Wall-e seja o mais completo, o mais profundo de todos, por isso acho que é o melhor representante das almas da Pixar. Almas estas que permanecem vivas. Seja na memória, seja no coração de cada um de nós. São obras e personagens imortais. Wall-e é um deles.
Os Melhores da Década
Elenco: James McAvoy, Saoirse Ronan, Keira Knightley, Vanessa Redgrave
País de Origem: Inglaterra
Gênero: Drama/Romance
Duração: ?
Desejo e Reparação talvez seja o melhor representante dos romances clássicos da última década. Além de ser um filme de época, trás também a vitalidade e as características dos filmes mais antigos. Daqueles romances profundos, que permeiam a alcunha de "saga". Aqueles romances clássicos em que o mocinho sofre para ficar com a bela e adorável jovem. Desejo e Reparação, porém, não tem o mesmo otimismo. É bem pesado e triste. Seu final é vago. Será que foi um final feliz, ou triste? Será que foi o melhor? Desejo e Reparação é quase metalinguístico, afinal, ensina a fazer cinema. Ensina, principalmente, adaptar uma difícil obra literária. Ensina a criar personagens bem estruturados e importantes vínculos. Ensina a enganar o espectador, que é um dos feitos mais notáveis desta arte. O romance dirigido por Jon Wright conta a história de Briony (Saoirse Ronan, perfeita), menina de onze anos apaixonada por um rapaz (James McAvoy) que, por sua vez, é apaixonado por sua irmã mais velha (Keira Knightley). Ao ler uma carta enviada pelo rapaz para a pretendente, Briony resolve mentir e entregar o casal para os pais, por ciúmes, impede que os dois se vejam. Começa aí a trágica história do casal e da garota, que depois cresce e se arrepende do que fez. Com perfeccionismo técnico e um dos planos sequência mais brilhantes e geniais da década, Desejo e Reparação acaba e deixa dúvidas: o amor pode ser eterno? E um erro?
Mas não vá tecendo pré-julgamentos. A única coisa que The Pacific divide com Band of Brothers é o pano de fundo (a 2ª Guerra Mundial) e os produtores. O estilo é outro. Se na minissérie de 2001 o tom era escuro, opaco, cru como o de O Resgate do Soldado Ryan, The Pacific está mais para Além da Linha Vermelha, ao menos o seu primeiro episódio. O tom é mais claro, violento do mesmo jeito, mas diferente. Aqui vemos uma praia, digamos tropical. Árvores, calor. É outro cenário.
Assim como em Band of Brothers, The Pacifc foca, principalmente, na vida de certos personagens. Três, mais especificamente. Bob Leckie, Eugene Sledge e John Basilone. Aos poucos vamos conhecendo mais e mais sobre a vida, sobre o caráter de tais personagens e, incrivelmente, já é possível criar um forte vínculo com os soldados já no primeiro episódio.
A minissérie é uma das mais caras já produzidas e já recebeu uma indicação ao prêmio de Melhor Minissérie no Emmy deste ano.
Direção: Tim Van Patten
O que é mais notável na estreia de The Pacific é a naturalidade com que apresenta seus personagens. Em pouquíssimo tempo já gravamos seus nomes, um pouco do caráter de cada um e podemos criar um vínculo. Antes da metade do episódio eu já estava interessado pelos personagens. Intrigado. Queria conhecê-los um pouco mais. Queria acompanhá-los. Os personagens principais são Leckie, Sledge e Basilone. O primeiro episódio é focado na breve apresentação dos mesmos e no desembarque de Leckie. Pode-se dizer que o primeiro capítulo é de Leckie. Ele é o foco principal. Enquanto acompanhava o dia cansativo do soldado, estava pensando o que estava acontecendo com os outros personagens. E constatar isso logo na estreia é muito bom. E raro. Criar um vínculo com os personagens tão rápido prova a qualidade da produção. Pude definir os personagens mais interessantes e aqueles que não merecem tanto espaço. Sledge, por exemplo, parece o menos interessante, mas ainda é cedo para afirmar, tendo em vista que assisti apenas o primeiro episódio.
The Pacific é daquelas séries torturantes. No bom sentido, claro. É uma tortura ter que esperar para assistir o próximo episódio. Nota-se pela minha resenha que a minissérie começa bem envolvente. Não possui mistérios, segredos, ursos, monstros de fumaça e coisas do tipo para prender o espectador e fazer com que se importe com o futuro dos personagens e da história. Escrita com cuidado, The Pacific nutre um claro elo entre os personagens, e não se perde no meio de tantos personagens e acontecimentos. Quando os pouco mais de cinquenta minutos se passaram, tive a impressão de que já conhecia aquelas pessoas há muito tempo ou, ao menos, de que já assistira algum filme, alguma série com aqueles personagens.
Mas além de cuidar de seus personagens com extremo cuidado, The Pacific também investe na ação, e já no episódio de estreia somos brindados com uma sufocante sequência de guerra. Pouco enxergamos na cena, e isso é o que há de melhor na sequência. Assim como os soldados, enxergamos apenas as balas cortando o vento, os riscos de luz passando de um lado para o outro. Diferente de Band of Brothers, que reservou seu episódio de estreia apenas às apresentações, The Pacific vai direto para a guerra. É nítido o gasto da minissérie. Os milhões de dólares saltam aos olhos com belas cenas e efeitos especiais.
Com um primeiro capítulo promissor, The Pacific parece querer marcar. Dificilmente alcançará a obra-prima que é Band of Brothers, mas conseguindo chegar a uns oitenta por cento da perfeição daquela minissérie, já é grande coisa.
Nota: 9,0
Fernando tem um blog, o Blog do Fonseca. Seus textos são sempre elogiadíssimos e bem escritos. Jornalista recém formado, o palmeirense vem acrecentar qualidade e experiência ao blog.
Tenho certeza que você que não o conhece, irá adorar os textos do rapaz. Simples e direto, Fernando faz sucesso por onde divulga seu blog.
Então, porque não nos unirmos? Foi isso que fizemos. Tendo em vista que somos grandes amigos e que o cara escreve mutíssimo bem, o convidei para fazer parte dessa família, a família Pipoca.
Assim como eu, Fernando tem inúmeras ideias para o blog. E quem ganha, como sempre, é você que nos acompanha.
Então, prepare-se.
E seja bem-vindo, irmão!
Blog do Fonseca
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Nota: 10,0
Nota: 9,0
Obs.: O filme se baseia em um episódio da série Além da Imaginação, que por sua vez, foi escrito pelo gênio Richard Matheson.
Nota: 7,0
Nota: 8,5
Podemos ver já no primeiro segundo que trata-se de um filme de Burton graças a inconfundível trilha sonora (única, perfeita, trilha sempre característica de seus filmes), mas podemos constatar de cara que também é um filme de estúdio quando o logo da Disney aparece na tela (afinal, qual foi o último filme distribuído pela Disney que não tenha uma forte influência do estúdio? Só os da PIXAR...) e quando, nos créditos finais, surge uma "música encomendada". Nota-se que é um filme de Burton graças a incrível direção de arte, ao estilo inconfundível. O mundo de "Alice", criado por Lewis Carrol, casa perfeitamente com o estilo de Burton. É como unir sinônimos. O universo ora sombrio, ora alegre, mas sempre surreal de "Alice" é um parque de diversões para Burton e sua equipe de arte/figurino/fotografia. E que equipe!
Impossível não se encantar com todas as cores. Cada detalhe, cada flor, cada criatura. Os figurinos são excelentes (mas ás vezes pensei estar vendo um desfile de moda, pois Alice coloca um vestido, depois tira e coloca outro mais bonito, aí ela cresce ou diminui e tem que trocar...) e a fotografia é algo digno de nota. Desde as primeiras cenas na festa até a chegada no mundo subterrâneo, tudo é muito bem cuidado. Mas "Alice" tem sim seus problemas técnicos, e estes envolvem seus efeitos especiais e sua maquiagem. Muitas vezes o excesso de efeitos aproxima o filme de um longa de animação e o torna muito irreal. Às vezes as criaturas não passam a veracidade necessária e o "País das Maravilhas" parece um jogo de video-game. Não posso criticar o 3D, pois não assisti o longa neste formato, mas posso afirmar que muitas vezes o 3D é usado de modo convencional (volta e meia os personagens jogam coisas na direção do espectador). Há também problemas com as perspectivas. Quase tudo no mundo subterrâneo tem tamanho alterado, nada é, simplesmente, normal. Só que isso dificultou a vida da equipe e falhou em alguns momentos. Note, por exemplo, quando o personagem de Crispin Glover, o Valete de Copas, se aproxima da Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter). Ele, alto demais, perto dela, cabeçuda demais, proporciona uma estranha cena, que poderia sim, ter um melhor acabamento. A maquiagem exagerada de Johnny Depp (eu sei que o exagero faz parte do personagem, mas exagero demais não cai bem...) também causa um sensação estranha.
O roteiro fica só na superfície. Alice fica sempre escondida, nunca mostra ser a Alice que todos esperavam que ela fosse, até mesmo depois que ela resolve se "libertar", fazendo com que nós, os espectadores, assim como todos no "País das Maravilhas", duvidemos: "Será essa, a verdadeira Alice?". O roteiro não tem grandes defeitos, só é simples e frágil. Não se aprofunda em seus personagens e se preocupa apenas com a diversão. Burton faz o que pode e dirige com competência, porém sempre é claramente barrado pelas "regras" do estúdio.
No final, fica claro que Alice no País das Maravilhas foi feito para os olhos, não para a mente. É, como tantos outros, um produto. Basta ver as bolsas, acessórios e todas as bobagens feitas e baseadas no filme. É uma pena que Burton não esteja "cem por cento" nesta obra, seria inesquecível se estivesse. Mas ainda com todos os problemas, Alice ainda encanta pela beleza e é divertido, mesmo sendo um legítimo poduto.
Ou você já viu bolsas do Sweeney Todd ou do Beetlejuice por aí?

Nota: 7,0
O filme, em primeiro lugar, é uma ótima mescla de drama sobre superação, preconceito, amor e boas doses de humor. Sim, humor. Volta e meia estamos rindo por alguma coisa. Não chega a emocionar, ao ponto de arrancar lágrimas, e isso é um bom sinal, pois se fizesse o público chorar facilmente, seria um sinal de melodrama. E o filme chega a poucos passos do tal melodrama. É um filme simples, mas bem cuidado. Espanta, até certo ponto, a bilheteria considerável e sua indicação ao Oscar de Melhor Filme, afinal, é um filme sem grandes pretensões e sem muita originalidade. Debruça-se no carisma e no talento de Sandra Bullock e nas fórmulas de um filme desse tipo. Um Sonho Possível tem todas as características de um filme feito pra TV, daqueles produzidos pela HBO que acabam sendo lançados em DVD e são indicados ao Globo de Ouro e/ou Emmy, mas isso não o torna inferior. Só evidencia sua simplicidade.
Como dito, o filme não é tão original. O roteiro do próprio John Lee Hancock (O Álamo) é, como todo o filme, simples. Baseado no livro de Michael Lewis, o roteiro de Hancock é direcionado a ascenção de Michael Oher, ou melhor, antes disso. Suas dificuldades, sua entrada na família Touhy, sua nova vida, as habilidades e, principalmente, às mudanças que Michael causa na vida de Leigh (Bullock). O filme é, em tese, sobre Oher, mas temos que fazer de conta que o filme é sobre ele, pois a personagem principal dessa obra é, sem dúvida, a interpretada por Bullock. Todos os holofotes estão virados para ela. Embora Quinton Aaron faça um surpreendente trabalho, é Bullock quem rouba a cena. Um problema do roteiro de Hancock é a velocidade com que as coisas acontecem. Tudo muito rápido. Ele está na rua, é acolhido, de repente ganha um quarto, é chamado de filho, ganha um carro, é adotado legalmente, joga futebol, recebe altas propostas e muitos outros acontecimentos. Em duas horas tudo acontece. Por um lado, tal velocidade é boa, pois impede a monotonia, por outro, é ruim pois impede o completo compreendimento dos fatos. Outro problema do roteiro (o mesmo de Amor Sem Escalas, também indicado ao Oscar) é não alçar grandes voos, não ousar. Ficar sempre na simplicidade, na normalidade.
Como dito, é Bullock a estrela máxima desta obra. Sua atuação não é tão digna de Oscar como tantos falam, mas é muito boa e até merece (a concorrência este ano estava fraca). Sua atuação é sutil. Cheia de detalhes. Sei que, se você não gostou do filme, é difícil ver tais detalhes. Mas eles estão lá. Tão sutis que ás vezes são imperceptíveis. Além de que sua beleza e carisma também ajudam. Quinton Aaron fez um trabalho notável. Nunca permite que seu personagem se torne um débil mental ou mero objeto. Ele tem sentimentos e ninguém tira da minha cabeça que ele e John Coffey (sim, o grandão de À Espera de Um Milagre) são primos.
Um Sonho Possível não é - como muitos dizem - um filme para americano ver. Tem sim toda a glorificação bairrista e as críticas ao "estado". É, em grande parte, um espelho da sociedade americana e seus costumes, mas acima de tudo, é uma história de superação, amor, bondade e tudo aquilo que nos dá gás, que nos faz ir para frente. É uma história mundial, que todos deveriam ver e aprender.
Nota: 8,0
Em agosto o blog completa um ano de vida. Meu Deus! Parece que já faz cinco anos que criamos este blog. Quanta coisa aconteceu aqui e nas nossas vidas. Estou cheio de ideias para tal data. Quero mudanças. Não quero ficar nas velhas promessas. Quero voltar para ficar, não para visitar. O Pipoca Net não é um típico blog de fim de ano, daqueles que só funcionam de outubro a fevereiro, mais ou menos. O "Pipoca" tem que sobreviver. Sei que os números ultimamente têm sido vergonhosos, mas temos que continuar.
Todas as boas ideias (ou as que deram certo) permanecerão. Irei continuar com os Melhores Momentos da Década, com as críticas, tentarei voltar com a coluna, continuarei com as prometidas Maratonas, vamos fazer a segunda edição do Pipoca de Ouro no fim do ano, e mudaremos. Faremos mudanças.
Resta esperar. Vamos ver o que acontece nos próximos dias, e nunca, nunca deixe de passar por aqui.
Abraços!
Matheus Pereira
Nos pés, as bolhas ardiam. Os joelhos já não suportavam o peso do dono. De tempos em tempos quase caía, mas sempre se esforçava para que isso não acontecesse.
Talvez esta fora sua maior viagem. Já caminhara muito na vida, mas nunca como agora. O sol já lhe queimara a pele. A garganta doía de tão seca. A barba estava comprida. O cabelo fedia. Há tempos não tomava um banho. Apenas caminhara, e muito.
Vestia trapos. Não roupas, mas trapos. Aqueles pedaços rasgados de pano não poderiam ser chamados de roupas. Vestia uma túnica branca. Ou melhor, era branca. Agora estava uma mistura de cinza, com preto e cores sem nome. Vestia uma longa peça de roupa parecida com um casaco, ou sobre-tudo. Era marrom. Esta até que estava bem limpa e cuidada perto do resto. Estava descalços, caminhara tanto que perdera os calçados no caminho. As pequenas pedrinhas do caminho já perfuraram o pé. E as bolhas ainda ardiam.
Ele nem sabia para onde estava indo. Só estava caminhando. Já vira tanta coisa. Vira o homem, no sentido mais amplo da palavra, ir do topo ao mais fundo dos precipícios. Vira o mundo ruir e nascer de novo. Vira um ser, muito conhecido das maiorias, pintar e bordar com suas criações. Vira irmão matando irmão...
Aos poucos, a paisagem desértica foi mudando. Ao longe, o cinza predominava. Continuou caminhando. Quanto mais se aproximava, mais a paisagem ia tomando forma. E mais confuso ele ficava.
O que era aquilo?
A alguns metros de seus pés a terra se transformava em um tipo de assoalho cinza escuro, quase preto. Havia alguns desenhos em tal chão. Tal chão era duro como pedra. Parecia estar colocado sobre a dura terra daquela paisagem semi-árida.
Continuou caminhando.
À sua direita, enormes construções.
"Várias casas empilhadas", pensou. Uns eram cinza, outros coloridos. Tinham buracos quadrados nas paredes. Buracos estes tapados por vidros. À esquerda, mais casas empilhadas. Um grande e estranho objeto com quatro rodas viradas para cima exalava uma fumaça.
Continuou caminhando.
Mais adiante viu o corpo de uma pessoa. Do pescoço jorrava um sangue vermelho escuro. Ele ficara chocado. Já vira muitas coisas, mas sempre se chocava ao ver um cadáver. A poucos metros dali, mais casas empilhadas e casa normais. Muito, mas muito diferentes daquelas que conhecia, mas dava pra ver nitidamente que eram casas. Mais e mais objetos com quatro rodas. Uns tinham apenas duas e estavam jogados, com seus supostos donos mortos ao lado.
Mais e mais corpos. Já estava sendo impossível caminhar e não pisar num corpo. Alguns estavam empilhados.
Uma explosão. De uma das casas empilhadas uma forte fumaça saía. Dava para ver o fogo ardendo lá no alto. Uma coisa enorme, parecida com um pássaro caía velozmente há metros dali. Sem saber o que era e o que estava acontecendo, apenas viu o "pássaro gigante" cair. Não levou muitos segundo para o grande pássaro atingir o solo e ocasionar uma enorme explosão. As labaredas foram alto. O barulho deixou-o temporariamente surdo.
Correu até uma das coisas de quatro rodas e se escondeu. Tal coisa tinha suas rodas voltadas para cima. Ficou sentado. Escondido. O mundo estava desmoronando. Ele sabia disso. Não sabia onde estava, nem o que eram aquelas coisas estranhas, mas sabia que o mundo estava caindo. Sempre dá pra notar.
As bolhas ainda ardiam. A cabeça doía como nunca doera. Podia ouvir barulhos vindos de longe. Podia ouvir gritos. De repente, uma mulher vestida com as mais ridículas e estranhas roupas que já vira, aparecera correndo em seu campo de visão. Estava gritando histericamente.
-Ei, ei você! Sua louca! - estava falando num idioma estranho. Muito estranho. - Ei, mulher. - o que ele queria falar saía de sua boca, só que em outro idioma. Ele sabia o que estava falando, mas de outra forma.
A mulher parou e gritou:
-Você está normal? Não falou no celular? Não atendeu? Responde! Você está bem?
Surpreendentemente ele entendera o que a mulher dissera. Era outra língua, mas ele entendera. "Ah, Ele sabe tudo, Ele sempre sabe!"
-Sim, sim! Estou bem sim! O que é celuar?
-Olha, você está bem ou não?
-Sim!
-Se está bem, por que não fala direito?
-Olha mulher, não estou lhe entendendo. Acabei de chegar, não sei o que está acontecendo!
-De que mundo você é? Se for de outro, volte rápido, porque este está acabando! - e ela mal acabara de falar quando um homem com sangue escorrendo pelo rosto a ataca. O homem morde o ombro da mulher. Ela grita. O sol já se escondera atrás de uma nuvem. O homem agora morde o braço da pobre mulher. A roupa ridícula que a coitada vestia agora estava suja de sangue. Ela fechou os olhos e caiu. O homem gritou alguma coisa. Algo que não entendera. Não era em seu idioma antigo, nem no novo. Talvez nem fora uma palavra. Era mais um rugido. Depois de gritar umas três vezes, o homem deixa sua presa para trás. Dá pra ver que o homem ensanguentado caminha sem rumo. Tropeçando nos próprio pés.
Sem motivo aparente, o homem com sangue no rosto ignorara o estranho encostado na "coisa com rodas". O andarilho levantou e caminhou. Chocado com tudo a sua volta, nunca vira o mundo ruir de uma maneira tão violenta. Talvez até vira, mas o cenário desconhecido ajudava na percepção dos acontecimentos. A alguns metros dali, pessoas atacavam pessoas. Muito sangue. O estranho chão cinza escuro, com listras amarelas pintadas no centro, estava decorado com poças de sangue.
Mais adiante havia um lugar cujo chão era revestido com um gramado verde forte e vivo, talvez um pouco morto agora, mas ainda vivo. Em sono eterno, pessoas ali jaziam. Aquele lugar onde a vida era tão comum, onde a alegria deveria ser a regra única, hoje abrigava, sob a grama verde, corpos ainda quentes.
O caminhante desviava dos corpos. Viu um cão morto e sem um das orelhas. Sentiu uma ânsia dentro de si.
O andarilho despencou e fitou o céu. Em uma das esquinas, tinha a palavra "Parque" escrita numa placa enfeitada.
O nome do andarilho era Caim.
E ele estava cansado.
Este é um blog sobre cinema. Unicamente, mas por curiosidade, postarei um conto de minha autoria para ver a reação do público. Trata-se de um trabalho de Língua Portuguesa que estou fazendo para o IF que estudo.
A primeira parte do trabalho consistia em cada aluno ler um livro e apresentá-lo para turma. Após, deveríamos formar grupos e unir histórias de livros diferentes num só conto. O conto deveria ter 10 páginas, o meu está na metade e já passa das 15, mas vamos lá...
O livro que li é Celular, de Stephen King, o livro que meu colega leu é Caim de José Saramago e o outro, que minha colega leu, é A Divina Comédia, de Dante.
Unimos as três histórias e resultou no que vocês irão ler em breve.
Celular conta a história de um Pulso, pessoas que enlouqueceram e viraram zumbis depois de falarem ao celular. As poucas pessoas que não falavam e não atenderam o aparelho, lutam pela sobrevivência.
Em Caim, Saramago conta a história de Caim, filho de Adão e Eva, irmão de Abel, de uma forma diferente, questionando as ações de Deus.
Em A Divina Comédia, Dante vai do inferno ao céus.
É disso, mais ou menos, que você precisa saber para entender a história.
Sinopse Quando Deus Perdeu a Esperança:
Caim é um andarilho que ao caminhar, viaja no tempo. Eternamente. Andando normalmente, chega num lugar diferente, em que tudo está ruindo. Sendo destruído. Um lugar onde as pessoas matam umas as outras de forma bestial. Caim viu coisas que nunca vira antes. Viu pessoas se matando, viu corpos escondendo o asfalto e exalando um fedor a morte. Depois de conhecer um casal e passar por dificuldades, Caim está decidido: Deus perdeu as esperanças com a humanidade e resolveu acabar com tudo. Caim nutre um ódio contra Deus e decide "ajudar" a humanidade, indo contra a decisão do Criador, assim como fez no dilúvio, na distante época de Noé. No final, você irá se surpreender.
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Toda sexta um novo capítulo da saga de Caim. Não perca. Dê opiniões e comente!
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