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As Melhores Séries do Ano

O Pipoca Net é um blog sobre Cinema. Ponto. Mas o autor deste singelo blog gosta muito de séries; assim, compilei uma pequena lista com as séries que considero as melhores do ano.

01º - Breaking Bad

Breaking Bad é, ao lado da finada Six Feet Under, minha série favorita. Bryan Cranston é um monstro e os três Emmy consecutivos de Melhor Ator que recebeu são mais do que justos. Walter White é o personagem com o melhor arco dramático dos últimos anos e seu pupilo, Jesse Pinkman (Aaron Paul, excelente), é uma das mais trágicas figuras da TV. O criador Vince Gilligan guiou o programa de forma magistral, conduzindo uma história profunda e coesa, aliado a uma brilhante equipe de diretores e roteiristas. Não há (repito: não há!) um episódio ruim. Há, obviamente, episódios magníficos e outros "apenas" excelentes, mas todos mantêm um nível acima da média. Com uma das melhores fotografias da temporada e uma season finale simplesmente perfeita, Breaking Bad é, sem pensar duas vezes, não só a melhor do ano, mas a melhor série da atualidade, dos últimos anos.

02º - Game of Thrones

Não comparemos Game of Thrones com Senhor dos Anéis. Não espalhemos por aí frases do tipo "Game of Thrones é o Senhor dos Anéis da televisão". Vamos com calma. A série épica da HBO é fabulosa, mas estamos na primeira temporada e compará-la a algo tão grandioso e irretocável é exagero e absurdo. Pode-se dizer que o roteiro é ótimo e a parte técnica irrepreensível. É divertida e emocionante. Em dez episódios, Game of Thrones tomou a televisão para si. Ensinou muita gente a fazer um bom épico e a construir uma boa e corajosa história. Passou por cima de qualquer preconceito contra produções televisivas, quebrando barreiras e provando que, com pessoas certas no comando e um canal disposto a qualquer coisa, - quase - tudo é possível. A nível cinematográfico - narrativa e tecnicamente falando -, Game of Thrones veio para ficar.


03º - Fringe

Fringe pode ter suas idas e vindas absurdas na narrativa (temas trabalhados em temporadas anteriores, mas que são deixados de lado na temporada seguinte), pode ter alguns efeitos especiais medianos (é uma série da TV aberta, afinal) e uma mitologia que parece interminável. Mas o fato é que são justamente essas idas e vindas, esses efeitos e essa mitologia que fazem de Fringe uma grande série. Anna Torv, Joshua Jackson e, principalmente, John Noble compõem um trio carismático e adorável pra qualquer fã de ficção científica. A esperta heroína, o heroi e o cientista louco são os pontos principais do programa mais inteligente da TV aberta (e fechada, vamos lá...). É clichê e talvez exagerado alegar isso? Talvez; mas o fato é que elogiar Fringe é delicioso. Divertida e propiciando vários debates e teorias, a série se renova de tempos em tempos e surpreende a cada temporada.

04º - American Horror Story

Elogiar American Horror Story nos seus primeiros episódios era perigoso. A maioria bradava que Ryan Murphy perdera a cabeça e entregara o programa mais "sem noção" do ano. Esquisito e "brega" eram adjetivos constantes. Hoje a série ganhou um precipitado ar cult e é elogiada pela mesma maioria que a criticava anteriormente. Eu gosto de dizer que fui fisgado pelo programa logo no piloto, dirigido por Murphy. Gosto de ver que agora todos se dobram pela interessante mitologia criada pelo pai de Glee (...) e que toda a "cafonice" virou originalidade. A temporada acabou ainda esta semana, com um ótimo episódio final, que encerra o arco deste ano de maneira coerente e competente, abrindo bons caminhos para a próxima temporada. Uma coisa é fato: nunca vi uma casa tão assobrada quanto essa! Uma pousada de espíritos!




05º - The Killing

The Killing era uma grande promessa do canal AMC (mesmo de Mad Men e Breaking Bad), assim, não deixa de ser triste constatar que a série decepcionou a grande maioria do público. Dedicando toda a sua temporada à investigação do assassinato de Rosie Larsen, a season finale do programa nada respondeu, ainda deixando um gancho para a segunda temporada. Presumia-se que o assassinato da jovem Rosie seria solucionado e que, na segunda temporada, outro caso seria investigado. Quase tudo aí é verdade. Realmente teremos outro crime na segunda temporada, mas o mistério envolvendo Larsen ficou para ser desvendado apenas no próximo ano. É um tanto frustrante? É; mas não podemos criticar todo o brilhante trabalho realizado desde o início da série. Os produtores e roteiristas do programa nos enganaram. Claro! Forçar a audiência a voltar no segundo ano é um ato de covardia e desespero; desespero este infundado, já que a série tinha boa aceitação entre o público e a crítica. Aconteceu que tudo ficou com um ar arrastado; as pessoas enchiam a boca para falar que o programa era um grande engodo sem fim. Opiniões são opiniões. Considero o roteiro excelente e todo o clima (a chuvosa Seattle é o plano de fundo perfeito) fantástico. Resquícios da antiga Twin Peaks serão achados, mas compará-las é um exercício fútil. São séries diferentes feitas em épocas diferentes. Qual é a melhor? Fica a gosto do freguês.

As outras séries do ano:

06º Modern Family (A melhor comédia da televisão. Sem mais.)

07º Justified (Timothy Olyphant é um ótimo ator e seu Raylan Givens é um dos melhores personagens masculinos da atualidade).

08º Community (A série que se reinventa a cada episódio).

09º Homeland (A queridinha do ano merece os elogios a ela relegados).

10º Boardwalk Empire (Inferior à primeira temporada, e irregular em alguns pontos, mas ainda assim excelente).

Matheus Pereira

3º Pipoca de Ouro

_____3º Pipoca de Ouro_____

O Pipoca Net anuncia a realização de mais um Pipoca de Ouro. A "premiação", que chega este ano a sua terceira edição, visa a interação entre os cinéfilos que acompanham o blog e a comunidade da Revista Preview, a qual as enquetes para votação estarão disponíveis.

Diferente dos outros anos, o 3º Pipoca de Ouro terá menos categorias. Saem as categorias de "Melhor Cena", "Melhor Personagem", "Melhor Casal", entre outras, e permanecem as mais importantes. As quinze categorias que compõem a próxima edição são: Melhor Filme, Direção, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original, Roteiro Adaptado, Edição, Animação, Fotografia, Figurino, Direção de Arte, Trilha Sonora e Efeitos Especiais.


Alguns pontos a serem esclarecidos:

1º - Como nas edições passadas, serão sete filmes indicados na categoria de Melhor Filme e cinco nas demais categorias.

2º - Os votantes podem fazer suas escolhas através de comentários na Lista de Indicados aqui mesmo no blog ou podem votar diretamente nas enquetes a serem criadas - logo após a revelação dos indicados aqui no blog - na comunidade da Revista Preview - Oficial (http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=92382958).

3º - Comentários serão bem vindos aqui no blog, nas enquetes e no tópico exclusivo do 3º Pipoca de Ouro.

4º - É permitido votar apenas uma vez. Caso o votante divulgue suas escolhas através de comentários no blog, este deve se identificar.

5º - Os indicados serão revelados no próximo domingo (25/12), às 20h.

6º - Os vencedores serão revelados no dia 15/01/2012 (domingo), às 20h.

Enfim, espero que participem. Votem e comentem! É essencial a sua participação.

Contamos com todos...

Pipoca Net

Indicados ao Globo de Ouro 2012

Foram revelados hoje - quinta, 15/12 - pela manhã, os indicados ao Globo de Ouro 2012. Como sempre, a Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood optou por "homenagear" os mais famosos e os maiores sucessos ao invés dos verdadeiros merecedores. Tudo pelo Poder, de George Clooney, por exemplo, tem inúmeras críticas positivas, mas não foi constante nos prêmios da crítica americana, chegando a ser apontado como aposta insegura para o Oscar e para os prêmios futuros. Foi então que o Globo de Ouro indicou a fita para Melhor Filme e Melhor Direção. Vale citar que este ano tem-se seis indicados na categoria dramática, logo, particularmente, penso que Tudo pelo Poder conseguiu uma vaguinha entre os indicados unicamente por ser um filme de Clooney. O fato de o filme ser badalado e elogiado veio bem a calhar. A propósito, Clooney, indicado pelo mesmo filme a Melhor Direção, parece roubar a vaga tida como certa de Steven Spielberg. Não deixa de ser curioso o fato de o diretor de War Horse ser esnobado aqui. Spielberg, um dos ícones da Hollywood que a Associação adora homenagear, é famoso, amigo de todos, boa praça e sinônimo de audiência, atributos levados a sério pelos votantes do Globo de Ouro (vide Clooney nesta e em várias outras edições); seu trabalho em War Horse vem sendo indicado na grande maioria dos prêmios e sua ausência aqui é realmente estranha. Missão Madrinha de Casamento - superestimado ao extremo - não chega ser surpresa na categoria principal das comédias, mas pensar que Amor a Toda Prova poderia estar aqui é doloroso. A presença de Histórias Cruzadas em várias categorias não surpreende, já que o longa é sucesso de público e segue a fórmula adorada pelos votantes. Particularmente o ótimo O Homem que Mudou o Jogo me surpreendeu. Era certa sua presença em algumas categorias, mas a fita de Bennett Miller foi além: Melhor Filme, Ator, Ator Coadjuvante (Jonah Hill, surpreendente no filme e surpreendendo nas premiações) e Roteiro. De escolhas duvidosas, o Globo de Ouro apresentou uma indicação tosca para Carros 2 e uma estranha para In the Land of Honey and Milk, mas o critério de avaliação da Associação para Filmes em Língua Estrangeira não pode ser levado muito a sério, afinal, qualquer filme americano falado em outra língua tem chances aqui (vide Cartas de Iwo Jima, vencedor da categoria em 2006). Mas o Globo de Ouro teve outras ótimas escolhas: Viggo Mortensen, Ator Coadjuvante, por Um Método Perigoso, revive o longa de David Cronenberg nessa temporada. Albert Brooks, Ator Coadjuvante, por Drive; Owen Wilson, Ator, por Meia-Noite em Paris; Michael Fassbender, Ator, por Shame; Rooney Mara, Atriz, por The Girl With the Dragon Tatoo; entre outros.

Nas categorias destinadas à TV, prefiro não comentar, já que a ausência de Breaking Bad, e sua fantástica quarta temporada, na categoria principal faz qualquer prêmio perder a graça. Feliz por American Horror Story e Game of Thrones serem lembradas.

Mas vamos aos indicados, com The Artist sendo o filme com mais indicações: seis, no total.

Cinema:

Melhor filme (drama)
Os Descendentes
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
Tudo pelo Poder
O Homem Que Mudou o Jogo
Cavalo de Guerra

Melhor filme (musical / comédia)
O Artista
Missão Madrinha de Casamento
My Week With Marilyn
Meia-Noite em Paris
50%

Melhor ator (drama)
George Clooney - Os Descendentes
Leonardo DiCaprio - J. Edgar
Michael Fassbender - Shame
Ryan Gosling - Tudo pelo Poder
Brad Pitt - O Homem Que Mudou o Jogo

Melhor atriz (drama)
Glenn Close - Albert Nobbs
Viola Davis - Histórias Cruzadas
Rooney Mara - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Meryl Streep - A Dama de Ferro
Tilda Swinton - Precisamos falar sobre o Kevin

Melhor ator (musical / comédia)
Jean Dujardin - O Artista
Brendan Gleeson - O Guarda
Joseph Gordon-Levitt - 50%
Ryan Gosling - Amor a Toda Prova
Owen Wilson - Meia-Noite em Paris

Melhor atriz (musical / comédia)
Jodie Foster - Carnage
Charlize Theron - Jovens Adultos
Kristen Wiig - Missão Madrinha de Casamento
Michelle Williams - My Week With Marilyn
Kate Winslet - Carnage

Melhor ator coadjuvante
Kenneth Branagh -My Week With Marilyn
Albert Brooks - Drive
Jonah Hill - O Homem Que Mudou o Jogo
Viggo Mortensen - Um Método Perigoso
Christopher Plummer - Toda Forma de Amor

Melhor atriz coadjuvante
Bérénice Bejo - O Artista
Jessica Chastain - Histórias Cruzadas
Janet McTeer - Albert Nobbs
Octavia Spencer - Histórias Cruzadas
Shailene Woodley - Os Descendentes

Melhor diretor
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
George Clooney - Tudo pelo Poder
Alexander Payne - Os Descendentes
Michel Hazanivicous - O Artista
Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret

Melhor roteiro
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon - Tudo pelo Poder
Michel Hazavanicious - O Artista
Jim Rash, Nat Faxon, Alexander Payne - Os Descendentes
Aaron Sorkin, Steve Zaillian - O Homem Que Mudou o Jogo

Melhor filme em lingua estrangeira
A Pele Que Habito (Espanha)
A Separação (Irã)
O Garoto da Bicicleta (Bélgica)
In the Land of Honey and Milk (EUA)
The Flowers of War (China)

Melhor longa animado
As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne
Operação Presente
Carros 2
Gato de Botas
Rango

Melhor trilha sonora original
Ludovic Bource - O Artista
Abel Korzeniowski - W.E.
Trent Reznor & Atticus Ross - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Howard Shore - A Invenção de Hugo Cabret
John Williams - Cavalo de Guerra

Melhor canção original
"Hello Hello" - Gnomeo & Julieta
"Lay Your Head Down" - Albert Nobbs
"The Living Proof" - Histórias Cruzadas
"The Keeper" - Redenção
"Masterpiece" - W.E.

TV:

Série Dramática
American Horror Story
Boardwalk Empire
Boss
Game of Thrones
Homeland

Série Cômica
New Girl
Enlightened
Episodes
Glee
Modern Family

Minissérie ou Telefilme
The Hour
Downton Abbey
Cinema Verite
Mildred Pierce
Too Big To Fail

Atriz de Série Dramática
Claire Danes por Homeland
Mireille Enos por The Killing
Julianna Margulies por The Good Wife
Madeleine Stowe por Revenge
Callie Thorne por Necessary Roughness

Ator de Série Dramática
Steve Buscemi por Boardwalk Empire
Bryan Cranston por Breaking Bad
Kelsey Grammer por Boss
Jeremy Irons por The Borgias
Damian Lewis por Homeland

Atriz em Comédia
Laura Dern por Enlightened
Zooey Deschanel por New Girl
Tina Fey por 30 Rock
Laura Linney por The Big C
Amy Poehler por Parks and Recreation

Ator de Série Cômica
Alec Baldwin por 30 Rock
David Duchovny por Californication
Johnny Galecki por The Big Bang Theory
Thomas Jane por Hung
Matt LeBlanc por Episodes

Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme
Jessica Lange por American Horror Story
Kelly Macdonald por Boardwalk Empire
Maggie Smith por Downton Abbey
Sofia Vergara por Modern Family
Evan Rachel Wood por Mildred Pierce

Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme
Peter Dinklage por Game of Thrones
Paul Giamatti por Too Big To Fail
Guy Pearce por Mildred Pierce
Tim Robbins por Cinema Verite
Eric Stonestreet por Modern Family

Atriz de Minissérie ou Telefilme
Diane Lane por Cinema Verite
Romola Garai por The Hour
Emily Watson por Appropriate Adult
Kate Winslet por Mildred Pierce
Elizabeth McGovern por Downton Abbey

Ator de Minissérie ou Telefilme
Hugh Bonneville por Downton Abbey
Idris Elba por Luther
William Hurt por Too Big to Fail
Bill Nigh por Page Eight
Dominic West por The Hour

Papo Rápido

Papo Rápido - Amanhecer - Parte 1



É fácil chutar cachorro morto. É fácil criticar a "saga" Crepúsculo, afinal, todos os críticos e blogueiros o fazem. A questão é que a "saga" chega, em Amanhecer - Parte 1, num nível de mediocridade em que merece ser chutada. Sem medo ou receios, esta ofensa cinematográfica há de ser chutada. A reta final da "saga" criada pela brilhante Stephanie Meyer já mostrou sinais de sua ridicularidade exacerbada ao dividir o capítulo final em duas partes e torturar as pessoas de bom senso ainda mais. Se em Harry Potter a escolha pareceu um golpe para arrecadar mais em bilheteria, em Amanhecer parece não só um golpe, mas uma cópia descarada. Mas na série de J.K. Rowling, a divisão ficou excelente, afinal de contas, o texto original é fabuloso e a equipe que trabalhou na adaptação era muito competente. No insulto vampírico temos uma primeira parte insossa, completamente vazia e entediante. A "coisa" - não chamemos isso de filme - é tão ruim que, mesmo me colocando no lugar das fãs e fazendo um esforço incomensurável para imaginar o que elas sentem, eu acho a "coisa" péssima. Não consigo imaginar como as fãs enlouquecidas conseguem gostar de algo tão fraco dentro dos parâmetros limitados da própria série. Se Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse já eram ruins, mas ainda assim ofereciam o nível de mediocridade aceitável, este Amanhecer irrompe qualquer barreira do aceitável e se transforma num verdadeiro teste de paciência ao mesclar às atuações vergonhosas um roteiro que consegue fazer jus aos livros, sendo uma confusão mal escrita e ilógica. Nada é justificado com clareza e lógica. A peleja entre os lobos e os vampiros - na falta de um nome pejorativo, chamemos os seres criados por Meyer de vampiros. Que Drácula e Blade me perdoem! - não faz sentido algum e tudo se resolve com uma desculpa besta e sem sentido. O clímax é aqueles momentos clássicos da vergonha alheia. Os personagens secundários abrem a boca para falar meia dúzia de ridículas palavras e para lembrar o espectador de que as mentes por trás daquelas frases e daquelas atuações são pessoas que não merecem nada mais que uma "saga" Crepúsculo em suas vidas. O filme é tolo até mesmo ao abordar suas "metáforas" antigas: a escritora - ok, ok: a mulher que tentou escrever um livro - mostrou em três partes toda a castidade, a abstinência por trás do relacionamento entre Bella e Edward apenas para, no final, mostrar Bella como uma completa devassa que apenas esperava o casamento para mostrar suas garrinhas. Edward continua o mesmo vampiro/príncipe patético dos outros exemplares e Jacob continua... tirando a camiseta. Para finalizar, por que Edward não vira a costumeira purpurina quando está sob a luz do sol? Variadas vezes ele aparece de dia e sua pele não brilha. De qualquer forma, se tal brilho ocorreu, não percebi; ou meu cérebro não quis assimilar tal acontecimento. Mas nada - em toda a série - sem compara ao momento em que os lobos conversam entre si. Dos piores momentos dos últimos anos no Cinema.

Matheus Pereira

Papo Rápido

Papo Rápido

X-Men: First Class



X-Men: First Class poderia ser o melhor da franquia, mas os péssimos diálogos - a maioria ditas pelo Professor Xavier/James McAvoy - e os efeitos visuais capengas prejudicam um pouco o resultado final. Kevin Bacon está ótimo, Michael Fassbender também, mas January Jones é inexpressiva e Jennifer Lawrence atua no piloto automático. Divertido, cheio de boas referências internas e ótimas decisões. Apesar de um tropeço aqui e ali, é um ótimo filme.



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A Árvore da Vida



A direção de Terrence Malick é, ao lado da de Darren Aronofsky (em Cisne Negro), a melhor do ano, a mais competente. Bem conduzido, com excelente fotografia e belas mensagens sobre Deus, vida, natureza e graça, A Árvore da Vida toca cada pessoa de um modo diferente. Amando ou odiando a obra de Malick, é impossível ignorar a beleza das imagens. Malick pinta quadros que beiram a perfeição. Pode não ser o melhor filme do ano, mas é, certamente, o mais belo.



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Larry Crowne



A força de um protagonista, ou, neste caso, de um casal, podem salvar um filme do completo fracasso. Larry Crowne, dirigido por Tom Hanks, é um embaraço cheio de clichês e situações imbecis que não chegam a lugar algum. Cansa antes do fim. Tolo e óbvio, o filme ainda trás uma Julia Roberts totalmente sem graça e situações que não funcionam no contexto. Hanks, como sempre, esbanja carisma e Bryan Cranston merecia mais tempo na tela.



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Melancolia



Ainda que brilhantemente dirigido, estupendamente fotografado e atuado com devoção por Kirsten Dunst, Melancolia é um pacote fechado sem muitas coisas para oferecer. Convence no seu estudo de personagem e trata a depressão, a melancolia, com inteligência e delicadeza, mas no final das contas, não chega a lugar algum, preferindo apenas mostrar os personagens conversando e se entregando, cada um, aos seus problemas. Poucas coisas acontecem e o filme não anda.



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Transformers - O Lado Oculto da Lua



Como pode um filme tão barulhento, cheio de luzes e explosões, ser tão sonífero? Como pode algo tão vazio ter quase duas horas e meia? Repetindo sem vergonha o péssimo capítulo anterior, Transformers - O Lado Oculto da Lua recicla até mesmo pequenas cortes de cenas de outros filmes (é verdade, as provas estão espalhadas pela internet) e mantém o mesmo formato narrativo. A impressão, no final, é que estamos vendo o mesmo A Vingança dos Derrotados com algumas cenas diferentes, pois a batalha dos robôs gigantes continua monótona e idêntica às outras.


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A Casa



A Casa, filme uruguaio que se diz ser filmado em plano sequência (sem cortes), poderia ser chamado de "como estragar algo já ruim nos minutos finais". O filme é uma bobagem inócua que só tem a competente fotografia como bom atrativo. O diretor (que também escreveu e editou) sabota o próprio filme tornando-o ilógico. Há vários cortes escondidos durante toda a fita, tornando-o artificial em vários instantes. Têm alguns poucos bons momentos, como aquele que vem depois dos créditos, mas num todo é um enorme engodo.


Matheus Pereira

Papo Rápido

Amor a Toda Prova



Falar das várias variações do amor, e seus caminhos mais sórdidos, tornou-se um difícil trabalho depois que Richard Curtis lançou o seu Simplesmente Amor. O filme, o qual considero a melhor comédia romântica dos últimos tempos, reunia um grande elenco (britânico em sua maioria) e retratava as várias faces do amor e os diversos lugares onde ele aparecia. Não que falar de amor sempre fora fácil, mas depois que o parâmetro máximo foi estabelecido, tratar do amor nos moldes que aquele belo filme tratou seria tarefa árdua. Que fiquei claro: ninguém alcançou o feito de Curtis e nenhum filme - nem este Amor a Toda Prova - se igualou a Simplesmente Amor. De qualquer forma, a nova fita de Glenn Ficarra e John Requa (diretores de O Golpista do Ano), ainda que em suas devidas limitações de roteiro, é o que mais se aproxima daquilo que o filme britânico alcançou com louvor. Amor a Toda Prova não tem a complexidade narrativa e emocional necessária para fazê-lo um grande ponto na história da comédia atual, mas tem competência suficiente para ser notado e apreciado. O elenco encabeçado pelo sempre carismático e talentoso Steve Carrel, reúne Julianne Moore, Ryan Gosling, Emma Stone e Kevin Bacon, numa salada amorosa cheia de vai e vens e surpresas pelo caminho. O roteiro não apresenta grandes reviravoltas e é até previsível em vários momentos, mas caso o espectador entre no clima e saiba apreciar suas investidas, a experiência pode ser agradabilíssima. Dirigido economicamente, mas com vigor, pela dupla, o filme ainda trás uma excelente montagem e uma leveza mais que bem vinda num gênero que ultimamente resolveu reunir grupos e grupos de amigos para falar palavrões e apelar para a escatologia. Ainda que em filmes diferentes, com pessoas diferentes e tratando de casos diferentes, Amor a Toda Prova objetiva falar apenas de uma coisa: simplesmente amor.

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Drive



Quando o mundo e a indústria se encontram na mediocridade artística e cultural na qual nos encontramos atualmente, é natural que nos tornemos nostálgicos. Que passemos a encarar o passado, e todo o clima que ele encerra. Assim podemos explicar porque festas temáticas dos anos oitenta façam tanto sucesso, ou porque filmes e as demais mídias, quando voltam os olhos e incorporam décadas passadas, recebam tanta atenção. Drive, dirigido por Nicolas Winding Refn (vencedor do prêmio de Melhor Direção no último festival de Cannes), evoca esta aura, esse clima oitentista que, quando bem abordado, dá bons resultados. Com Ryan Gosling à frente de um elenco que ainda conta com Carey Mulligan (não muito diferente dos outros papéis que apresentou até aqui) e o ótimo Bryan Cranston (da magnífica série de TV Breaking Bad), Drive é um filme simples, mas refinado. Com direção caprichada (Refn ganhou o prêmio em Cannes, afinal) e um ótimo estudo de personagem, o filme se mantém em poucos, mas importantes pilares: direção, atuação e clima. O clima, juntamente aos outros dois pontos recém citados, é o cerne da fita, que exala elegância e consistência. Gosling, carismático e arrebatador, entrega aqui aquela que talvez seja sua melhor atuação neste ano, e carrega a obra com firmeza e segurança. Alternando algumas cenas mais intensas com outras mais intimistas, Drive mistura ação e drama e é certamente um filme diferente, original. Ainda que tenha um esqueleto comum, é a gordura, os detalhes e a abordagem que fazem de Drive único e um dos melhores do ano.

Matheus Pereira

Papo Rápido

Um pouco sobre alguns filmes que assisti recentemente.

Sucker Punch - Mundo Surreal



Zack Snyder nunca fez um filme excelente. Seus filmes são bons. Criador de belos enquadramentos, de visuais belos e arrebatadores, os filmes do diretor pecam, geralmente, no roteiro. Watchmen, seu filme mais ambicioso, é o que mais se aproxima das "cinco estrelas". Mas Madrugada dos Mortos é um filme divertido e interessante e é uma boa prova de que o cineasta tem talento, só que muito dependente do texto de outras pessoas. E isso nos leva a Sucker Punch - Mundo Surreal, que é o primeiro filme com roteiro original de Snyder. Com trama frouxa e capenga, Sucker Punch serve apenas como diversão e apreciação do belo visual. Snyder usa e abusa da beleza de suas atrizes, numa insistência incomodativa. A narrativa não flui, a edição é fraca e até o diretor, que antes ao menos sabia criar boas sequências, tropeça nos exageros e falta de pulso.

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Caminho da Liberdade



Peter Weir conduz sua câmera com inteligência e talento neste drama edificante sobre pessoas que buscam a liberdade. Não se precisa saber muito para acompanhar a bela e envolvente história desenhada com cuidado por Weir. Com o costumeiro cuidado técnico, o diretor constroi belas sequências e concebe uma fita com narrativa fluida, diferente de seu último trabalho, Mestre dos Mares, em que o ritmo era o ponto negativo. Aliás, muitos criticam o ritmo de Caminho da Liberdade, o que é compreensível, visto que tudo acontece lentamente e a duração do longa é um pouco elevada. Com excelentes atuações e fotografia deslumbrante, Caminho da Liberdade é um dos filmes mais interessantes do ano.

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Biutiful



Alejandro Gonzáles Iñárritu pesa a mão na melancolia, mas ainda assim entrega um tocante e sincero retrato da degradação emocional de um homem. Interpretado brilhantemente por Javier Bardem, Uxbal descobre ter câncer e que tem poucos meses de vida. O que já era triste fica mais e os problemas parecem se acentuar. A mediunidade do personagem é vaga, mas, em geral, o estudo do personagem é excelente e bem cuidado. Assim como em Preciosa, por exemplo, os roteiristas parecem buscar tudo que há de triste e sujo no mundo para incluir em seu texto. Câncer, prostituição, drogas, imigração ilegal, tráfico e, claro, morte. Às vezes toda a tristeza pode soar forçada e vazia, e há de se ter paciência para acompanhar tudo que é mostrado na tela. Mas é um ótimo filme. Iñárritu capricha em alguns quadros e sequências (os reflexos, ainda que repetitivos, são ótimos) e a atuação de Bardem é arrebatadora.

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Em um Mundo Melhor



O atual vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pode não ter a força que O Segredo de Seus Olhos tem, por exemplo, mas é um belo retrato da vida e dos problemas de pessoas comuns. Contanto a história de famílias que se cruzam através de seus rebentos, Em um Mundo Melhor traça paralelos entre os opostos de seus personagens de maneira interessante, quase beirando no simplista e em metáforas inócuas, mas, felizmente, Susanne Bier mantém a narrativa firme e coerente, sempre no caminho certo e sem desvios. Com elenco afiado e roteiro fluido, o longa dinamarquês busca na simplicidade de contar uma história, uma forma de passar sua mensagem.

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Namorados para Sempre



Namorados para Sempre tem uma estrutura narrativa simples. O filme começa mostrando os personagens principais (um casal, interpretado brilhantemente por Ryan Gosling e Michelle Williams), após um acontecimento, o personagem de Gosling relembra seu passado, pouco antes de conhecer sua parceira. Depois voltamos ao presente. Após outro acontecimento, é a vez de voltarmos ao passado, mas agora junto a Williams. Retornamos para os dias atuais. E assim voltamos ao início enquanto acompanhamos o fim do relacionamento numa rima bela e inteligente. É fabuloso perceber o cuidado que os roteiristas têm ao construir o relacionamento intercalando com a desconstrução do mesmo. Vemos o primeiro beijo, em seguida vemos brigas constrangedoras. Vemos a união se intensificar, logo após vemos o casal rompendo pouco a pouco o que nutriam há anos. É um filme sobre amores reais, pessoas reais. Não há vilão ou vilã. Mocinho ou donzela. Há pessoas que brigam e se amam. Dão carinho e se machucam. O amor é assim; a vida é. É realmente interessante ver a história sendo costurada nas idas e vindas no tempo, mas perto do final, com os nervos à flor da pele e o drama tomando contornos cada vez mais sérios, a tensão beira o insuportável e o exagero em alguns pontos pode incomodar. Mas é o romance mais verdadeiro e visceral a aparecer nos últimos meses.

Matheus Pereira

Crítica - Planeta dos Macacos: A Origem



Planeta dos Macacos: A Origem é uma surpresa. Você já deve ter lido essa frase várias vezes em vários meios de comunicação. Num contexto geral pode até ser "surpresa", visto que a grande maioria não estava muito empolgada com o lançamento do filme. Desde o primeiro trailer, que fora cercado de suspense pela Fox, uma demasiada curiosidade tinha despertado em mim. Fiquei com muita vontade de assistir o filme, mesmo sabendo que a nova investida na franquia poderia resultar num completo desastre. O filme estreou em seu país de origem e as críticas logo surgiram. Positivos em sua grande maioria, os comentários foram surpreendentes. Muitos alardearam a fita como o melhor blockbuster do ano e a comprovação da revitalização da Fox que, neste mesmo ano, lançou o elogiado X-Men: Primeira Classe e estava encarando uma má fase. Os macacos chegaram por aqui e foi a mesma coisa: público e crítica aprovaram. E não tem como não aprovar. Planeta dos Macacos: A Origem é o típico "filmão pipoca" que não ofende o espectador, é muito bem realizado e respeita suas origens. Se as refilmagens e novas roupagens de clássicos do Cinema desapontam e afrontam seus originais, Planeta foge desta regra e mostra uma equipe preocupada não só com os novos espectadores que virão a se apaixonar pela história, mas com aqueles que sempre valorizaram a antiga série.

A história é simples, mas coesa e esperta: Will Rodman (James Franco) é um cientista que está prestes a desenvolver um vírus capaz de curar o mal de Alzheimer e faz os testes em uma símia chamada Olhos Brilhantes. Rodman percebe que, após os testes, o animal fica demasiado inteligente, o que prova a eficácia do experimento. Tal inteligência passa para o filhote, batizado como Cesar pelo pai de Rodman (que sofre do mal de Alzheimer) depois que Olhos Brilhantes é morta durante um incidente. Adotado e morando com Rodman e seu pai, Cesar evolui sem precedentes e mostra grande inteligência. Oito anos depois, Cesar começa a questionar Rodman sobre seu passado e sente-se desconfortável com algumas coisas (ele pergunta ao "pai" se ele é um animal de estimação depois de ver um cão andando, assim como ele, com uma coleira no pescoço, numa interessante sacada dos roteiristas). Depois de um incidente, Cesar vai para um abrigo reservado para símios e, assim, a (r)evolução começa. Os escritores Rick Jaffa e Amanda Silver mantêm o ritmo durante toda a narrativa e desenvolvem o personagem central, Cesar, de forma inteligente e dedicada. Ainda que alguns personagens não tenham o mesmo cuidado relegado a Cesar, este quesito do roteiro não chega a prejudicar o resultado final. Bem estruturado, o texto nasce praticamente do zero e se firma sozinho, sem depender de toda a franquia que o precedeu, o que é um feito louvável. Fazendo ótimas referências ao original (como a Estátua da Liberdade em miniatura que Cesar "brinca"), a dupla toma cuidado ao costurar pontas e unir detalhes dos filmes.

Tecnicamente irrepreensível, Planeta dos Macacos: A Origem apresenta uma fotografia interessante, tendo em vista o material em questão, que, em outras mãos, seria algo burocrático e sem novidades. O fato é que aqui, a fotografia salta aos olhos nos momentos em que Cesar se encontra entre as árvores e contemplando a cidade do alto. Com reflexos, diferentes paletas (as cores no habitat natural são fortes e vivas, já as cenas do clímax na cidade tem como cor predominante o cinza e uma forte névoa) e bons quadros, as imagens enchem os olhos e comprovam o cuidado da produção. Outro ponto que merece destaque é a edição. Diferente da maioria dos filmes de ação/aventura atuais, as cenas são montadas com clareza e coesão. Podemos apreciar cada instante da ação sem perder detalhe algum. O clímax é um dos melhores momentos do ano: cheio de cenas tensas e bem coreografados, Planeta: A Origem chega, neste instante, a um patamar que nenhum outro exemplar do gênero conseguiu nos últimos meses.

Mas são três pontos que elevam Planeta: a direção de Rupert Wyatt; os efeitos especiais que beiram a perfeição e a atuação cheia de humanidade de Andy Serkis. A direção de Wyatt (e aqui temos um ponto realmente surpreendente) é o pilar do filme: conduzindo com inteligência e talento as cenas de ação e com cuidado e calma as cenas mais dramáticas, Wyatt, que é um estreante nesse tipo de produção, mostra fibra e criatividade durante todo o tempo. Os planos abertos que revelam a cidade ou os closes que focam as mais sutis reações/emoções de Cesar, merecem atenção. E isto nos trás aos efeitos especiais do longa: com realismo impressionante, os símios de Planeta parecem reais. Os pêlos, os movimentos, os olhos; tudo é perfeito e detalhado. E isso ajuda na construção dos personagens e dão aos atores total liberdade. E assim chegamos ao terceiro item: a atuação de Serkis. Perito nesse tipo de projeto, Serkis já interpretou o lendário Gollum, em O Senhor dos Anéis, o King Kong e em dezembro chega aos cinemas em As Aventuras de Tintim, também vestindo os trajes da captura de movimento. Aqui, Serkis prova mais uma vez o seu talento interpretando não apenas um chimpanzé, mas sim, um ser dotado de inteligência e emoções, e cada olhar do ator e movimento, denotam o estudo aprofundado do mesmo com relação ao personagem e ao animal que ele teve de interpretar. É possível ver Serkis ali; podemos ver alguns traços de seu rosto em Cesar, o que dá ainda mais veracidade à atuação do ator.

Pensando bem, Planeta dos Macacos: A Origem é sim uma surpresa: consegue ser melhor do que eu pensava. A fita não se limita apenas à guerra de símios versus humanos, mas desenha com calma e esperteza toda a evolução, o caminho de Cesar até a revolução. A obra trás também pontos interessantes da própria metalinguagem cinematográfica: até que ponto torcemos pelo "mocinho"? Quem representa o bem e o mal aqui? Tais questões podem soar maniqueístas, mas se tornam interessantes quando percebemos que os humanos são seres desprezíveis - e sabemos disso - e passamos a torcer pelo símio que, sem falar, nos agarra e nos faz pensar como e com ele. E isso é um grande feito dos roteiristas, do diretor, de Serkins e do filme como um todo.

Matheus Pereira

2 Anos de Pipoca Net

Pipoca Net
2 Anos



No dia vinte e cinco de agosto de 2009 eu publicava o primeiro post do Pipoca Net. No texto, eu dava boas vindas a quem visitasse o blog e estava cheio de planos. Na época éramos três: Anabela, Caio e eu. Com o passar do tempo, alguns sairam, outros entraram, uns escreveram de vez em quando, mas o Pipoca ficou. Teve bons tempos, cheios de postagens, e teve outros em que houve apenas uma postagem durante um mês inteiro. O blog foi aceito pela SBBC (Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos), todo ano faz sua própria "premiação" (o Pipoca de Ouro) e tem uma boa parcela de visitas. Este post deveria ser alegre, cheio de coisas belas e palavras de agradecimento, mas este post é, para mim, um modo de refletir e pensar no futuro do blog. Tenho duas opções: continuar como está, com raras postagens, ou tentar retornar com todas as forças com postagens diárias. Jamais abandonarei.

De qualquer forma, agradeço você que vem aqui de vez em quando (ou sempre), você que comentou em algum post, que indicou o blog, que o segue de perto; e você que criticou, afinal, seu ponto de vista, absurdo ou não, serviu de alguma coisa.

Com vários posts ou não, peço que siga junto ao Pipoca Net. Acompanhe, leia, comente! São dois anos de puro amor ao Cinema!

Matheus Pereira

Papo Rápido

Sobrenatural



Se Sobrenatural, fita dirigida por James Wan (Jogos Mortais, o único bom exemplar da franquia), não tivesse o final que tem, certamente seria o melhor filme de horror do ano. Claramente dividido em duas partes - o antes e depois da chegada dos paranormais -, Sobrenatural (péssimo título nacional para Insidious) tem em sua primeira parte sustos legítimos. É surpreendente a forma como o diretor carrega sua trama simples e como a transpõe à tela. A tensão é pesada e os sustos não são baratos. Wan soube usar os clichês a seu favor. Se em outras obras a trilha dissonante ecoava alta quando algum vulto surgia na tela, aqui o artifício funciona e sempre somos surpreendidos. Curiosamente produzido por Oren Peli (diretor do superestimado Atividade Paranormal), Sobrenatural acerta em tudo que o longa de 2007 erra. Se aquela fita era prejudicada pela monotonia e pela falta do que mostrar, Sobrenatural explora muito bem a paranormalidade e os fatos. Superior ao filme de Peli, Sobrenatural cria um bom clima de tensão e tem um relativo desenvolvimento de personagens. Ainda que alguns clichês apareçam aqui e ali, é interessante acompanhar a consternação da mãe (Rose Byrne) e a estranha frieza do pai (Patrick Wilson). A primeira parte acerta também ao não ser explícita. Os "seres sobrenaturais" não são completamente mostrados e isso ajuda na construção da trama, diferente do que acontece na segunda parte, em que a explicitação quase prejudica toda a experiência. A segunda metade, a propósito, é infantil. Com explicações absurdas para os fatos e revelações que em nada surpreendem (desde o princípio é possível antecipar as grandes reviravoltas), tudo que é dito nos minutos finais de Sobrenatural pode ser considerado como outro filme. Afinal, é deprimente constatar que todo aquele clima tenso e todo o terror desenhado até ali quase cai por terra ao ver a tentativa dos roteiristas em explicar a obra. Seria melhor se o filme de Wan tivesse quarenta minutos e terminasse sem uma conclusão. Assim, seríamos poupados de toda a explicação e de todo o pavoroso desfecho. Mas tem bons momentos: o pequeno plano sequência em que a câmera acompanha a personagem de Byrne pela casa recém adquirida enquanto um espectro aparece "escondido" em um canto da casa é excelente.

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Um Lugar Qualquer



Eu tento ver algo a mais nos filmes que assisto. É estranho entender, mas sempre tento buscar algo realmente interessante num filme. Se o exemplar que estou assistindo é excelente, tento melhorá-lo com novas descobertas. Mas às vezes não consigo. Às vezes os filmes estão ali e são aquilo mesmo, nada mais. Eles tentam ser algo mais, mas não passam de filmes interessantes que contam alguma história. Um Lugar Qualquer, último de Sofia Coppola (do fabuloso Encontros e Desencontros), é um exemplo desses filmes. Eu tentei enxergar algo mais profundo na análise de seu personagem central, mas não achei muita coisa. Talvez seja antipatia para com a obra, e entendam, eu gostei do filme, só não consigo ver muita coisa. A impressão que tive ao término da fita, era de que a diretora/roteirista tentara mostrar muita coisa, tentara esculpir um personagem complexo, mas que derrapara na falta de tempero. O silêncio e a estagnação que diretora impõe em vários momentos, por exemplo, às vezes incomodam. Por mais que as várias voltas de carro logo no início e a cena em que o ator é submetido ao demorado processo de maquiagem possam dizer muitas coisas, alguns momentos soam triviais e sem muito propósito. É interessante acompanhar a rotina do ator de filmes de ação interpretado surpreendentemente por Stephen Dorf e como sua vida muda com a chegada repentina da filha de onze anos, mas chega um ponto que alguns detalhes cansam. É compreensível a monotonia e o tédio em vários instantes, afinal, estamos acompanhando a vida de alguém que, assim como a minha e a sua, tem seus momentos chatos, mas a insistência de Coppola aqui depõe contra o resultado final. Ainda assim, Um Lugar Qualquer merece uma conferida. É um bom estudo de personagem e um filme, de uma maneira ou outra, agradável. Há de se entrar no ritmo da diretora apenas.

Matheus Pereira

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