Blogger Templates by Blogcrowds

Na TV - De 10/04 a 17/04

A Vila


Já falei aqui mesmo no blog, e volto a falar: adoro "A Vila". A crítica detonou, o público deu as costas. Mas por quê? "A Vila" é uma aula de como fazer um suspense. A calma com que o diretor constroi seus personagens e sua história é o ingrediente principal de um bom suspense. Flertar com o desconhecido também é outro ingrediente que não falta no longa de M. Night Shyamalan. Visual bacana, fotografia perfeita, direção de arte excelente, trilha sonora marcante. Ora, se "A Vila" tem tudo isso, por que não recebeu a devida atenção? Sinceramente, não sei! É claro que não tem a mesma força e a mesma surpresa de "O Sexto Sentido", nem a inteligência de "Corpo Fechado" nem o terror de "Sinais", mas é ótimo. É bom justamente por ser diferente. Shyamalan merece aplausos justamente por se desvencilhar e fazer algo diferente, mas sem nunca deixar as "raízes" de lado. É, também, seu filme mais gráfico, afinal, aposta alto na fotografia e na direção de arte. É também seu filme mais simples em termos de roteiro, sem muitas metáforas ou alusões. Mas ainda assim, é um filme de Shyamalan. E um ótimo suspense.

Nota: 8,5
Dia: 10/04 ás 13:30 na TNT.
____________________

Pearl Harbor

Na época do lançamento de Pearl Harbor, algumas pessoas (amigos do diretor, provavelmente) e até mesmo os envolvidos na produção do filme diziam que "Harbor" era o novo Titanic. Bem, até que esse louca comparação tem fundos de verdade. Assim como Titanic, Pearl Harbor é uma superprodução. Assim como Titanic, "Harbor" usa como pano de fundo momentos marcantes da história da humanidade para contar uma história de amor. Assim como no filme de James Cameron, o longa de Bay garante o espetáculo visual, mas deixa uma pouco de lado o roteiro. Assim como o longa vencedor de onze Oscar, "Harbor" é longo, tem frases de efeito bem infantis, volta e meia apela para o sentimentalismo e esquece um pouco do fato histórico que ocorre no momento. É claro, que Cameron é muito, mas muito mais experiente e mais competente que Bay, e que Titanic é inúmeras vezes melhor que Pearl Harbor. É ignorância compará-los por este ponto de vista. Titanic é um clássico. Com alguns erros, é ainda um dos maiores e mais emocionantes filmes já produzidos. Diferente de Pearl Harbor, que é um belo espetáculo, mas não emociona e marca da mesma maneira. No final das contas, é sim, uma comparação deconexa, mas que tem alguns fundinhos de verdade.

Nota: 7,0
Dia: 10/04 ás 18:30 na TNT
____________________

O Grande Truque

O Grande Truque é, acima de tudo, um filme extremamente inteligente. O roteiro repleto de indas e vindas, reviravoltas e surpresas a cada minuto empolga e nunca se torna monótono. Além de ser inteligente, o filme consegue entreter, divertir. Os bastidores da magia são expostos, alguns truques são revelados, mas no final sempre somos enganados. No ilusionismo, e aqui nesta obra, é assim. Ficamos atentos, prestamos atenção em cada cena, em cada diálogo, mas no fim somos pegos de surpresa por algo que estava ali, diante de nossos narizes. O filme começa provocante, com o personagem de Michael Caine (excelente, como sempre) dizendo: "Você está olhando atentamente?". A partir daí, nossa atenção fica redobrada. Acompanhamos truque a truque. Surpresa a surpresa. Acompanhamos as excelente atuações do elenco: Chistian Bale está ótimo, e nunca se sabe se ele é o vilão ou o mocinho da história. Hugh Jackman também está muito bem, por vezes até parece o mocinho, mas sua obsseção faz com que essa bondade evapore. Scarlet Johanson está linda, e sua beleza já é um atrativo. No final nos damos conta que não existem vilões ou mocinhos, e sim, mentirosos ilusionistas, assim como cada um de nós.

Nota: 10,0
Dia 10/04 ás 21:00 na Warner Channel
____________________

Quem Quer Ser Um Milionário?

O que "Quem Quer Ser Um Milionário?" tem de tão bom? Sinceramente? O que faz dele este filme que a maioria idolatra? O que faz dele merecedor de inacreditáveis oito Oscar? Eu confesso que não vi nada de extraordinário na obra de Danny Boyle. É um bom filme, sem dúvidas. Mas nada do que disseram e ainda dizem por aí. A história é simples e um tanto clichê, a direção peca em alguns quesitos, as atuações são caricaturais e pouco inspiradas, entre outros. Mas então por que um filme tão desconexo fez tanto sucesso? Por ter sido lançado em boa época, talvez. "Slumdog" tem um ótimo clima. É vibrante, é colorido, é alegre, talvez por isso que todo o mundo tenha reverenciado-o. Infantil e bobinho, Slumdog é um filme mais estranho que o seu concorrente no Oscar (me refiro a ele mesmo: Ben Button), e bem inferior ao mesmo. Com uma trilha sonora marcante ("Jai Ho" é bem legal!) e uma excelente fotografia, "Slumdog" é um filme, digamos, normal. Não mais que isso.

Nota: 7,0
Dia: 13/04 ás 22:00 no Tele Cine HD

V


Vocês já devem ter notado que eu não falo sobre séries. Este é um blog só sobre cinema. Nada mais. Mas achei interessante fazer breves comentários sobre a nova série "V" que estreiou hoje (06/04) na Warner Channel.

Trata-se de uma refilmagem da clássica série dos anos 80 "V - A Batalha Final", e mostra a chegada (será?) de visitantes de outro mundo no nosso planeta. Várias naves sobrevoam as principais cidades do mundo simultânemente. O primeiro contato é de paz. A líder dos "Vs"é uma bela mulher (será?) e diz que eles estão ali em busca de "amizades" (será), conhecimento e, claro, algo que eles não têm, mas que nós temos. Em troca desse "algo", eles irão compartilhar suas tecnologias e que estão aqui em paz. Sempre.

Só que os Vs já estão aqui há um bom tempo, e uma resitência contra os visitantes já até foi formada. Participam dela humanos e "desertores", extraterrenos que trairam seu povo. Os Vs, claro, não são os bonzinhos que pintam e irão fazer um bom estrago.

O primeiro episódio é muito bom, e provavelmente chamou atenção de muita gente. Sem enrolar muito e indo direto ao ponto, em poucos minutos já somos apresentados aos visitante e num só episódio já temos várias dúvidas, mas já somos surpreendidos várias vezes. Nos vinte minutos finais as surpresas vão se tornando constantes, o episódio fica ainda melhor e, bem ao estilo LOST, termina.

Muito bem dirigida (o estilo semi-documental caiu muito bem), V surpreende pela luxo da produção. Contando com um ótimo elenco, efeitos especiais caprichados (não se comparam aos de um filme, mas é muito para uma série de TV) e uma história bem inteligente, V conquista rapidamente. A bela fotografia e uma interessante direção de arte completam o pacote.

Mas V não está isenta de erros. Os clichês estão lá e algumas infantilidades são bem perceptíveis. Algumas coisas acontecem muito rapidamente, dando a impressão de que os roteiristas quiseram colocar muita coisa interessante só pra chamar atenção no primeiro episódio.

Levantando assuntos interessantes e polêmicos, como a comparação com a religião e seus devotos, envolvimento político e o atual "terrorismofobia" V prova ter cérebro. Impossível não comparar uma coisa e outra com Distrito 9, mas deixamos isso pra outra hora...

Episódio 1 - 1ª Temporada: 8,0

TOP 20
Os Melhores da Década

15º - Vôo United 93 (2006)


Direção:
Paul Greengrass
Roteiro: Paul Greengrass
Elenco: Christian Clemenson, Trish Gates, Polly Adams, Shawna Fox, James Fox
País de Origem: Estados Unidos
Gênero: Drama
Duração: ?

Se houve um fato extremamente marcante e que irá estampar as páginas dos futuros livros didáticos, este fato é o atentado de 11 de setembro. Se há acontecimento atual que nossos filhos e netos irão estudar e se surpreender, tal acontecimento é o famoso 11 de setembro. A história da humanidade se divide em pré-história, antiga, média, moderna e contemporânea. Cada passagem, de uma "fase" para outra, é marcada por um acontecimento marcante (a descoberta ou invensão -como preferir- da escrita é o acontecimento que marca a passagem da pré-história para antiguidade, por exemplo). Sendo assim, se no futuro os estudiosos resolverem fazer outra divisão posterior a contemporânea, a qual estamos vivendo, tal divisão deve ocorrer após os eventos do 11 de setembro. Se a idade contemporânea deve acabar para dar lugar a outra "fase", tal troca deve ser marcada pelo 11 de setembro. Depois destes atentados, o mundo inteiro não foi mais o mesmo. Não foram apenas os americanos que sofreram e mudaram com a tragédia, o mundo inteiro mudou sua forma de ver e entender as coisas. Depois do fatídico dia, o cinema mudou, tomou novos rumos, adquiriu novos olhares e, parece, que se amargurou. A cultura em geral mudou, afinal, as pessoas mudaram. Crise? O que era isso antes dos acontecimentos? É claro que tinha uma e outra, mas nenhuma que afetasse tudo tão brutalmente. Guerras? Nossa! Tinha um conflito lá que outro, uma briguinha que estava morna, mas não apagada, mas nada como a guerra que sucedeu tais acontecimentos. O mundo mudou. Nunca esquecerei, era mais ou menos oito e meia da manhã. Era uma criança, não entendia coisa alguma sobre política ou religião. Acordei, liguei a televisão e a primeira coisa que vejo e a notícia de um atentado às torres americanas. Eu podia ser uma criança e não entender as coisas por completo, mas aquilo eu entendi. Vi na hora que aquilo era a história sendo escrita com sangue. Mal sabia eu, que em algum campo dos EUA um avião sequestrado caía devido aos esforços dos bravos passageiros que morreram para que o avião não atingisse o alvo. Vôo United 93 é, sem dúvida alguma, um dos filmes mais impactantes e angustiantes da década. Inesquecível e digno.

Matheus Pereira

Clipe: Kick-Ass

Foi divulgado um novo clipe do aguardado Kick-Ass. A mistura de comédia e ação promete cenas bem orquestradas e originalidade, resta torcer e esperar.


TOP 20
Os Melhores da Década

16º - O Curioso Caso de Benjamin Button (2008)


Direção: David Fincher
Roteiro: Eric Roth
Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson, Tilda Swinton
País de Origem: Estados Unidos
Gênero: Drama
Duração: 159 min.

Como escrevi em minha crítica, O Curioso Caso de Benjamin Button é sobre a vida, tempo, amor e morte. Quatro dos mais delicados e perigosos assuntos a se tratar. Além de profundos, tais assuntos são paradoxos. São inexplicáveis. Não da para imaginar a dificuldade para criar este filme. Pra começar, o conto que o filme se baseia tem pouquíssimas páginas, não é tão profundo e tem momentos completamente diferentes (inclusive seu final). Como criar um personagem que nasce velho e vai rejuvenescendo? Como seria fisicamente? E emocionalmente? Como construir uma história com um argumento desses e não torná-la fantasiosa ou absurda? Como unir assuntos tão complicados como aqueles citados no início deste texto? E pior: como uni-los com uma história tão "diferente" como a de Benjamin Button? Tais perguntas passaram pela cabeça do diretor David Fincher e do roteirista Eric Roth, mas tais perguntas não foram páreo ante o perfeccionismo e intelecto do primeiro nem a dedicação do segundo. Fincher, conhecido pela inteligência e pelo extremo perfeccionismo (e sigo afirmando sem medo que Fincher é um tipo novo de Stanley Kubrick) criou um filme belíssimo, com cenas profundas que enchem os olhos. Mas não só isso. Fincher também conduziu como ninguém uma história difícil e emocionante. São vários personagens que passam na tela. Cada um com uma personalidade. Cada um construído com perfeição. Roth, que roteirizou Forrest Gump e Uma Mente Brilhante, concebe um trabalho notável. Seu roteiro quebra qualquer barreira e une fantasia e realidade como nenhum outro até então. É impossível dissecar um filme tão profundo e tão cheio de nuances em tão poucas linhas. Encerro este texto com a mesma frase que encerrei minha crítica: de O Curioso Caso de Benjamin Button emana a mais pura arte e mais exímia perfeição.

Matheus Pereira

Não, Sempre ao Seu Lado não é daqueles filmes bonitinhos com cachorrinhos fofos fazendo palhaçada. Sempre ao Seu lado não é um filme sobre cachorros, é sobre a amizade entre o homem e o cachorro, é sobre a lealdade que emana destes dois seres. Diferente de Marley e Eu, que derrapava neste quesito e optou por um lado mais "fofo" do que um mais sério, Sempre ao Seu Lado tem suas cenas exclusivas com o cão, mas nada grotesco ou sem propósito. Nada de cenas feitas sob medida para os espectadores assistirem e sussurrarem com voz meiga "oh, que bonitinho". A simplicidade da história é incrível. Nada de surpresas, nada de tramas intrincadas, apenas a história entre um cão e um homem. Só isso. E o grande feito da produção reside aí. Pegar uma história tão simples e transformá-la em algo interessante, emocionante e tridimensional é um feito notável. Ao lado do roteirista Stephen P. Lindsey, o diretor Lasse Hallström (Regras da Vida, Chocolate)consegue transformar uma pequena história em algo profundo, apoiando-se apenas na amizade do professor Parker (Richard Gere) e seu cão Hachi.

Parker, ao descer do trem e caminhar pela estação, encontra um belo filhote de cachorro da raça akita. Parker leva o cãozinho para casa e lá permanece por uns dias. A identificação entre Parker e o cachorro é tanta, que o casal resolve ficar com o cão e não doá-lo como queria a esposa anteriormente (um dos poucos clichês da história: a esposa que não concorda com a permanência do animal). Aos poucos o cão vira um membro da família, e a amizade entre eles é tão bela que a falta de acontecimentos nem é notada. Todos os dias, Hachi acompanhava seu dono até a estação, e depois ia buscá-lo. Como todos devem saber (e aviso aqui que se você ainda não sabe e não quer saber de um momento importante da história, volte a ler a crítica mais adiante), Parker morre dando aula, e não volta. Hachi sente a falta do dono como ninguém, e todo dia no mesmo horário, ele ia até a estação esperar o dono que nunca mais retornaria. Assim Hachi fez por nove anos seguidos.

Serei franco com você: como a história termina, pouco importa. Você pode assistir oa filme, sabendo do desfecho, tranquilamente, pois o que importa não é o fim, e sim, o meio da história. Todo o relacionamento, toda a amizade. O roteiro tem seus tropeços, como a esposa que não admite a adoção do cão, momento cômicos que destoam do clima predominante do longa (o genro de Parker, que é mostrado com o típico "quase-retardado) e o uso desnecessário do ponto de vista do animal, que apesar de ser tecnicamente belo, não serve para a história. Como eu já havia citado, Sempre ao Seu Lado está muito mais para drama do que para uma comédia fofa com cachorros, e dá para constatar isso logo no início com a melancólica trilha sonora. E por falar em trilha, um outro problema do filme reside neste quesito. A trilha é belíssima, mas a forma como é usada no filme é exagerada. A trilha, no meu ponto de vista, tem de acompanhar o filme, e não aparecer mais que o mesmo, e isto acontece em Sempre ao Seu Lado. Além de repetir várias vezes a mesma música, ás vezes ela se destaca do longa e destoa.

Mas são pequenos problemas perto de toda a emoção e profundidade da história. Dirigido com leveza e atuado com simplicidade, Sempre ao Seu Lado pode não ser um dos melhores filmes do ano, mas com certeza é uma das melhores surpresas. Prepare os lenços e se emocione com a simples história de um cão e seu dono.

Nota: 8,5

TOP 20
Os Melhores da Década

17º - Cidade de Deus (2002)


Direção: Fernando Meireles Co-direção: Kátia Lund
Roteiro: Bráulio Mantovani
Elenco: Leandro Firmino, Alexandre Rodrigues, Seu Jorge, Phellipe Haagensen, Alice Braga, Douglas Silva
País de Origem: Brasil
Gênero: Drama

É engraçado constatar hoje, que já se passaram oito anos desde o lançamento de um dos melhores filmes nacionais e um dos mais badalados no exterior. Foram quatro merecidas indicações ao Oscar (só não foi indicado ao prêmio de Melhor Filme devido ao bairrismo da premiação), incluindo Melhor Direção para Fernando Meireles. Foi bonito. Não, não foi bonito, foi lindo de ver Meireles sorrindo como uma criança ao lado de Peter Jackson, Clint Eastwood e Peter Weir. Foi engraçado também. Enquanto os outros quatro concorrentes estavam nervosos, com rostos fechados, Meireles estava sorrindo, fez sinais para a câmera, sorriu mais um pouco. E quando o nome de Peter Jackson foi anunciado como vencedor, ele foi o único a jogar a cabeça para trás, abrir um largo sorriso e bater sinceras palmas. Senti orgulho. Vi que a sinceridade, a felicidade e a autenticidade brasileira estava muito, mas muito bem representada. Pouco importava se vencesse ou não, o importante era estar ali. Só de ver seu nome ao lado de monstros como Jackson e Eastwood já era uma vitória incomensurável. Ouso a dizer, e falo isso não por ser brasileiro, mas sim, realista, que se Jackson não estivesse na competição, a melhor direção era a de Meireles. Talvez Eastwood ganhasse, mas era Meireles que merecia, caso Jackson não existisse. A direção semi-documental de Meireles na época, era inovadora e arrebatou o mundo. O roteiro intrincado, cheio de vai e vens, narrativa inteligente, montagem perfeita e fotografia excelente completam o pacote. Sei que serei criticado por colocar Cidade de Deus em uma posição um tanto alta, mas isso, sinceramente, não importa, afinal, Cidade de Deus conquistou tudo que podia, é e sempre será um marco do cinema nacional. O melhor entre os melhores. Orgulho!

Em DVD - Crítica: Lua Nova

Assim como Crepúsculo, Lua Nova tem incontáveis erros. Uns chegam a ser absurdos. Mas há algo neles que chama atenção. Algo que faz com que gastemos dinheiro e tempo para assisti-lo. Por mais que conheçamos seus erros queremos assistir. Curiosidade? Talvez. Ouso a dizer que o filme nem é tão ruim assim, mas devo dizer também que são inaceitáveis alguns amadorismos. Tantos profissionais, tanta gente olhando daqui e dali e ninguém nota erros infantis (a péssima maquiagem é um deles, afinal, será que nenhum ator perguntou para o maquiador: "você só vai maquiar o rosto? O pescoço não precisa?"). Mas vamos começar pelo princípio, obviamente. Os erros irei comentar depois.

A essas alturas todo mundo deve saber quem é Bella Swan, Edward Cullen e Jacob Black. Como a necessidade de apresentações já foi suprida em Crepúsculo, Lua Nova já começa no estilo "este filme é pra quem já conhece a história". Em Lua Nova a história parece mais intrincada. Apenas parece, afinal, todas as histórias paralelas são apenas citadas ou pessimamente exploradas, enquanto a maior parte do tempo é voltada para o romance chato de Edward e Bella e amizade colorida e também chata de Jacob e Bella. Resumirei o filme com minhas palavras: o longa começa errado, com um clichê mais velho que o próprio cinema: o sonho que é interrompido, claro. Neste caso, o sonho é meio surreal, vemos Bella vendo sua versão (bem) mais velha, enquanto Edward se aproxima, brilhando perante a luz do sol, fazendo as pessoas de bom senso sentirem vergonha alheia. É então que o pai da moça a acorda. Bella está fazendo dezoito aninhos e tem uma aversão à velhice incrível. Bella ganha uma câmera digital (protagonista de um dos mais inacreditáveis erros do filmes, que citarei mais adiante) para tirar fotos dos amiguinhos e fazer um bonito álbum sobre o último ano na escola. Bella vai para a casa dos Cullen comemorar o aniversário. Na festa, corta o dedo com o embrulho de um presente. Gotas de seu delicioso sangue caem no carpete, e um tal de Jasper se excita. Corre e vai em direção a indefesa Bella. É então que o vampiro diamante protege sua amada. Com medo do que pode acontecer, Edward termina com sua amada e ele e sua família saem da cidade para nunca mais voltar. É então, que aquele "amigo" que sempre quis passar a mão na sua namorada aparece, com todo o amor pra dar. A amizade vai se tornando colorida, a mocinha vai se apaixonando pelo tal "amigo" Jacob e acaba confundindo as emoções. Tudo se complica quando Bella descobre que o rapaz é um lobisomem maior que um urso. Enquanto isso, Bella vai sonhando com o diamante ambulante, tendo visões do mesmo, se aventurando em busca de adrenalina (ela e o personagem de Jeremy Renner em Guerra ao Terror fariam uma bela dupla), mandando mensagens tristonhas para Alice, irmã de Edward. Alice, que tem o poder de prever os acontecimentos, tem uma estranha visão: Bella irá cometer suicídio. A notícia "vaza" para Edward que vai até os Volturi (clã clássico poderoso de vampiros, que vivem na Itália e são a polícia dos vampiros. São eles que mantêm a ordem, mesmo que para tal, tenham que matar seres como eles) e pede para que os mesmos o matem. Bella fica sabendo e corre para a Itália para tentar impedir a tragédia. Paro por aí para não estragar (mais? ainda é possível?) o filme, mas acredite, o filme se resume a isso aí mesmo. Estes são os principais acontecimentos do filme, o resto é puro lengalenga e repetição de cenas e frases.

Agora, chegou o grande momento: os erros. Irei começar pela direção. É nítida a mudança na direção. Para melhor, felizmente. Enquanto Crepúsculo era um tanto mal dirigido por Catherine Hardwicke, Lua Nova ganha um novo fôlego com um diretor claramente mais criativo e competente: Chris Weitz (Um Grande Garoto e A Bússola de Ouro). Weitz sabe utilizar os efeitos especiais de maneira muito mais fluente e inteligente do que Hardwicke. Enquanto a diretora do primeiro tornava os conceitos ainda mais absurdos (brilhar de dia, se movimentar deixando rastros de cor para trás) com efeitos especiais capengas, Weitz ameniza as péssimas ideias da escritora e dos responsáveis do primeiro. No primeiro, o brilho emanado por Edward era ridículo, exagerado, aqui, é mais discreto e até mesmo mais bem feito. A péssima movimentação dos vampiros enquanto correm é pouco usada aqui, e quando mostrada é mais aceitável que as cenas do primeiro filme. Porém, nem tudo é perfeito na direção de Weitz. Tecnicamente, Weitz peca em pequenos detalhes. Enquadramentos sem lógica (em alguns momentos, Edward está sendo filmado de costas para a câmera com a cabeça de um jeito, quando ele é filmada de frente, a posição da cabeça muda consideravelmente, apenas para o rosto do ator ficar bem enquadrado), as repetitivas trocas de lugar através de montagens e efeitos de câmera (o ator está num lugar e quando se vira ou caminha já está em outro). Alguns erros de lógica também incomodam. Lógicas de distância, de tamanho (os lobos são enormes, do tamanho de ursos!) caem por terra.

Assim como em Crepúsculo, o roteiro de Lua Nova é muito fiel ao livro, e isso é um problema, já que a própria fonte (o livro escrito por Stephenie Meyer) é um emaranhado de problemas. Mas como esta não é uma crítica sobre um livro e sim, sobre um filme, deixarei minha opinião sobre a obra literária de lado. A saga Crepúsculo parece ser feita para retardados e retardadas. Desculpem a franqueza, mas é verdade. Não estou afirmando, estou presumindo. Talvez os espectadores da saga nem sejam retardados, o caso é que os realizadores da saga acham que as pessoas que assistem os filmes são. Não basta apenas mostrar ou sugerir. O que está sendo mostrado na tela é obrigatoriamente narrado por alguém, ou no momento ou depois. Algo acontece, minutos depois alguém repete a cena só que com palavras. Ás vezes alguém chega a algum lugar e fala algo óbvio, nítido, que está sendo visto. Parece que tais palavras são proferidas apenas para frisar o que está acontecendo e para ter a certeza de que o espectador entendeu a mensagem. É um reforço. Toda cena, pode ter certeza, tem seu reforço logo depois. É incrível como a roteirista (assim como a escritora da saga) repete demasiadamente algumas falas. Muitas delas absurdas e extremamente infantis ("Você me mantém vivo", "Não conseguiria vivem num mundo em que você não estivesse", meu Deus! Que coisa horrorosa!). A roteirista (juntamente com o diretor) comete erros mortais cada vez que mostra Taylor Lautner (Jacob) sem camisa. O rapaz só aparece seminu, mostrando os músculos. Ás vezes está vestido, mas segundos depois se despe, e quando tira a camisa, a câmera o enquadra lentamente mostrando cada segundo de seu quase streptease. Alguns momentos são desnecessários, como aquele em que Bella anda de moto com um homem. O momento se fosse bem concebido, seria um bom retrato dos sentimentos da moça no momento, mas tudo é tão rápido e sem sentido, que o que poderia ser um interessante detalhe torna-se um momento constrangedor. As melhores coisas da história são desperdiçadas. Os Volturi, por exemplo. Os vampiros mais interessantes e intrigantes aparecem muito pouco e deixam um gostinho de "quero mais". Alguns deles falam uma ou duas palavras. Já a relação entre Bella e Jacob, essa sim, essa tem um espaço irritante.

Mas, como disse lá no início, Lua Nova não é assim tão ruim. Tem suas qualidades, a trilha de Alexandre Desplat (O Curioso Caso de Benjamin Button) é um ótimo exemplo. É melhor que Crepúsculo, sem dúvida. Possui seus erros, mas pode ser assistido tranquilamente. As fãs já gritaram muito, e ainda tem muito que gritar, afinal, em menos de dois anos três filmes da série serão lançados (o último capítulo será dividido em duas partes, se não me engano). Até lá, muita coisa vai acontecer, e este Lua Nova vai ser só um borrão na memória dos cinéfilos.

Nota:
6,5

Obs.: O erro qual me referia lá no início e que envolvia a câmera digital, é o seguinte: na festa, Alice bate a foto na horizontal, mas quando Bella revela a foto em casa ela está na vertical.

Robert Zemeckis é um ótimo diretor com ótimos filmes no currículo, mas que pouco é lembrado. Notem em textos, comunidades, chats que seu nome pouco ou nunca aparece. Zemeckis é responsável por filmes como: Forrest Gump, De Volta Pra o Futuro I, II e III, Náufrago, Contato. Mesmo assim, ele não é citado como gênio ou como diretor visionário. Talvez realmente nem seja, mas não podemos negar que foi ele um dos responsáveis da fama da captura de movimentos. Foi com o ótimo O Expresso Polar que Zemeckis agradou o mundo com uma "nova" tecnologia. Ao que parece, desde o filme de natal protagonizado por Tom Hanks, Zemeckis não quer voltar ao terreno dos filmes feitos com pessoas reais, de carne e osso. Parece que, definitivamente, o diretor passou para o terreno da captura de movimento. Área que, como já citei, ajudou a alavancar e aperfeiçoar. Depois do "expresso", o cineasta lançou "A Lenda de Beowulf", um filme não tão bom que contava com as performances de Ray Winstone, Anthony Hopkins e Angelina Jolie. Apesar de ser bem divertido, o filme possui uma considerável parcela de erros. Veio então, "Os Fantasmas de Scrooge", adaptação da clássica história de Charles Dickens. Sabendo do perigo de adaptar uma história tantas vezes filmada e tão conhecida, Zemeckis inovou e não inovou ao mesmo tempo. Quanto ao roteiro, o cineasta resolveu ser extremamente fiel com o texto original. Quanto ao "visual", o diretor usou novamente a técnica de captura e incluiu efeitos em 3D. É uma pena que Zemeckis tenha tropeçado nos dois: no roteiro e na técnica. O roteiro possui alguns furos e absurdos. A técnica parece exatamente a mesma usada em O Expresso Polar. Veja bem, a técnica é a mesma, o que quero explicar, é que parece que tal técnica não foi aperfeiçoada. O passar dos anos e os responsáveis não a melhoraram. Os mesmos problemas de técnica que "Expresso" e "Beowulf" tinham, "Scrooge" tem, e ás vezes, tais erros ficam mais perceptíveis aqui do que nos anteriores. Além da conhecida falta de vivacidade dos olhos dos personagens, os movimentos e alguns efeitos soam absurdos e infantis. Além disso, Zemeckis peca ao tornar sua direção extremamente repetitiva. Perdi a conta de quantas vezes o diretor dá rasantes em cidades e lugares. Perdi a conta de quantas vezes o 3D é usado de maneira superficial e barata. Perdi a conta da repetição de gags, trejeitos e afins. A direção (e o filme em si) não é um desastre, longe disso. Há cenas belíssimas e planos interessantes, diferentes e ousados. Tecnicamente é excelente. Tudo é detalhado, a fotografia é bela e a atuação de Jim Carey é ótima. Outro problema do filme, é que ele é extremamente dependente da época em que se passa, ou seja, o filme depende muito do natal. O longa perde uma boa parte da graça se foi assistido fora da época natalina. Precisamos estar no clima do natal para apreciarmos o filme com mais prazer. Isso é um erro do diretor e dos responsáveis sim, afinal, um filme deve funcionar em todas as época e lugares, e não depender de alguma data para se firmar. Longe de ser desinteressante, Os Fantasmas de Scrooge merece uma conferida naquele dia que você chega na video locadora e as prateleiras estão vazias, e lá está ele, sozinho (ou não) esperando que alguém o alugue, o assista e minutos depois o esqueça.

Nota:
6,5


TOP 20
Os Melhores da Década
18º - King Kong (2005)

Direção: Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh e Philippa Boyens
Elenco: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Andy Serkis
País de origem: Estados Unidos/Nova Zelândia
Gênero: Ação/aventura
Duração: 187 min.


Qual seria seu próximo passo logo após terminar a maior e melhor saga do cinema? Faria um outro filme em larga escala ou algo mais modesto? Peter Jackson optou pela primeira alternativa. Depois de trazer novos ares ao cinema com o espetáculo narrativo e visual "O Senhor dos Aneis", Jackson resolveu refilmar seu filme favorito de infância: King Kong. Alguns torceram o nariz outros vibraram. Seria algo totalmente novo, mas com os pés no original. Com o centro da narrativa sendo mantido e a história se passando nos anos trinta, Jackson começou a filmar seu sonho. Do mesmo jeito que aquela antiga produção enxeu os olhos na época, esta nova versão deixou o público de boca aberta. O perfeccionismo de Jackson salta aos olhos em cenas de ação de tirar o fôlego. Assim como James Cameron e Steven Spielberg, Jackson sabe brilhantemente conduzir um grande espetáculo que possua alma e história. Focando em seus personagens e suas emoções, Jackson sonsegue uma proeza que já consiguira com Gollum de "O Senhor dos Aneis": fazer com que um personagem digital nos passe emoção. Um gorila gigante, por sinal. Com um simples olhar, o gorilão nos diz tudo sem dizer nada. Muitos criticaram Jackson pela escolha do elenco. Começando pelo magrelo Adrien Brody como heróis, passando por Jack Black (comediante em aventura...). Os únicos que pareciam estar corretos em seus papéis eram Naomi Watts (com uma beleza das mulheres dos anos trinta) e... Kong. Eu acho que Jackson acertou em cada escolha, justamente por surpreender e ir contra tudo que era esperado. Um espetáculo inesquecível.


Matheus Pereira

Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial