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Observações sobre o Oscar 2013 #03


Quem merecia uma vaga em Melhor Direção?

Primeiro de tudo: a direção de Tom Hooper em Os Miseráveis não é esse caos que todos andam apregoando nos últimos dias. É um trabalho que pode não agradar a muitos, mas não é o fiasco que grande parte tem comentado. O problema é que uma crítica negativa é como um vírus na internet: se a pessoa que viu primeiro resolveu criticar uma decisão do diretor, todos que virão a seguir criticarão a mesma coisa. É incrível o número de críticas que falam exatamente a mesma coisa. Não condeno, claro, que as pessoas gostem ou desgostem das mesmas coisas, mas poucos foram os que contra-argumentaram ou então deram mais profundidade a tal crítica. Todos resolveram criticar os ângulos escolhidos por Hooper em seu novo filme, mas poucos se aprofundaram no assunto, resolveram pegar o bonde e falar a mesma coisa. Entendam: não sou um fã xiita – como muitos – deste musical. Aprecio a obra, mas vejo alguns problemas em sua composição; só queria deixar claro, portanto, este pequeno pensamento acerca do que tenho visto ultimamente.

Assim, vamos à resposta da pergunta: qual diretor(a) merecia uma vaga entre os cinco finalistas? A resposta é fácil: Paul Thomas Anderson. Nada de Tom Hooper ou Kathryn Bigelow, quem merecia um espaço era PTA. É claro que Ben Affleck também merecia uma chance, mas falemos sobre ele depois. Dos diretores que estavam fora da roda de apostas (e até mesmo entre os nomes mais quentes), Anderson é o mais merecedor de indicações. Vencedor de alguns prêmios da crítica por seu trabalho no fabuloso O Mestre e clamando por um Oscar a cada obra que faz, PTA seria aquele indicado por puro merecimento, um trabalho digno que realmente merece uma lembrança, e não o nomeado do tipo “propaganda”, indicado por ter um nome respeitado ou mais amigos na indústria. Anderson ficou de fora por ter um filme muito polêmico e pesado para os padrões da Academia. Fica, porém, o descontentamento com sua ausência.

 
Entre os três nomes que eram apontados e ficaram de fora (Affleck, Bigelow e Hooper), o único que merecia uma indicação era Affleck. Bigelow é uma grande diretora, mas seu momento foi em Guerra ao Terror (fita muito superior a A Hora mais Escura); agora, seu nome cresceu mais do que ela, tornando-a em uma artista superestimada, com excesso de confiança (o que pode ser visto em seu último filme). Já Hooper ficou de fora por dois motivos claros: primeiro porque venceu um Oscar há pouquíssimo tempo; segundo porque as pessoas ficaram visivelmente divididas com relação à obra. Pegue, por exemplo, a crítica especializada: muitos gostaram, mas outros tantos desaprovaram o trabalho de Hooper. Assim, é fácil imaginar que os membros da Academia também tiveram problemas com o musical. Além disso, o estilo carregado do diretor pode não agradar a todos. Enfim, temos Ben Affleck, uma injustiça legítima. Seu trabalho em Argo é excelente e uma indicação seria essencial. Uma vitória? Talvez não, mas seu nome entre os cinco finalistas cairia bem.

Para encerrar, é preciso olhar para os indicados da Academia avaliando as coisas boas e não as ausências. A maioria olha os finalistas e parte direto para as críticas, apontando quem ficou de fora, quem roubou a vaga de quem, etc. O fato, porém, é que as escolhas da Academia na categoria de Direção deste ano são invejáveis. Corajosa como há muito não o era, a lista trás nomes improváveis e realmente merecedores. Michael Haneke é um dos monstros do Cinema atual, sua nomeação é completamente merecida; já Benh Zeitlin, de Indomável Sonhadora, tem um trabalho impecável como diretor. Com total domínio da história, do elenco e, principalmente, da câmera, a indicação do jovem cineasta é uma das melhores surpresas do ano.

Quentin Tarantino levará mais um de Roteiro Original?
 
Ao que tudo indica sim. Depois que A Hora mais Escura teve uma queda vertiginosa ainda no início da corrida, Tarantino se viu como favorito na categoria. Se eu pudesse escolher, ficaria dividido entre os roteiros de Haneke, do belo Amor, ou de Wes Anderson e Roman Coppola, de Moonrise Kingdom. Mas Tarantino é tão bom roteirista que mais um Oscar não vai ser nada ruim ou imerecido. É uma categoria difícil, de todo modo. Haneke, que provavelmente levará de Melhor Filme Estrangeiro, foi indicado como Melhor Direção, regalia que Tarantino não conta. Além disso, a Academia pode sentir necessidade de premiar o veterano diretor de Caché e A Fita Branca, e deixar o ainda jovem Tarantino, que já levou um Oscar nesta mesma categoria, e que provavelmente será indicado mais vezes nos próximos anos, de fora. Assim, o mais sensato seria dar o prêmio a Haneke. Um detalhe, porém, conta a favor e contra Tarantino: a polêmica. Amor é um longa pesado, melancólico e polêmico, os membros votantes podem se afastar de uma escolha tão arriscada. Mas a polêmica também não conta muito a favor de Quentin: seu texto (e ele próprio) já foi tratado como racista inúmeras vezes, e a Academia talvez não queira premiar um roteiro envolto em tamanha acusação. De todo o modo, Tarantino já levou o Globo de Ouro, o Critics Choice e o BAFTA na categoria. Seu segundo Oscar parece bem próximo.

3 comentários:

Concordo com sua análise, até mesmo porque gosto muito da direção de Tom Hooper em "Os Miseráveis". Ao que tudo indica, a estatueta vai para Spielberg, e isso me chateia muito.

17 de fevereiro de 2013 15:44  

Este comentário foi removido pelo autor.

17 de fevereiro de 2013 19:07  

Eu também gosto muito da direção dele. É carregada, claro, mas não é o caos que muitos têm declarado.

Eu gosto muito do Spielberg, então um prêmio pra ele não me desagrada; é um pena, talvez, que seu terceiro Oscar venha por um filme menor em sua carreira...

Acho que, caso tivesse de votar, escolheria Haneke, embora não ache Amor seu melhor filme...

Abraço!

17 de fevereiro de 2013 19:08  

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