

Em uma temporada tão concorrida como essa, ser o favorito já é praticamente uma vitória. A corrida é curiosa. Se no ano passado Argo era apontado como favorito na categoria principal mesmo sem ser indicado para Melhor Direção, neste ano, 12 Anos de Escravidão é o favorito ao prêmio principal mesmo sem ser favorito em categorias-chave como Direção, Ator e Edição. Isso é a prova da grande quantidade de obras relevantes lançadas em 2013. O próximo Oscar, portanto, promete ser pulverizado, com os prêmios divididos entre vários filmes, não havendo um grande vencedor em termos numéricos. Analisando as chances do filme de Steve McQueen, percebemos que ele tem chances em apenas três categorias: Melhor Filme, Atriz Coadjuvante e Roteiro Adaptado. São categorias importantes, que já justificam a principal estatueta, mas não será como, por exemplo, Quem quer ser um milionário?, que levou oito Oscar para casa, tornando a vitória principal indiscutível. Com resultados tão distintos, talvez não haja um vencedor legítimo. O principal concorrente, Gravidade, promete levar a melhor em categorias importantes como Direção, Fotografia, Edição e Trilha Sonora, o que o tornaria o favorito absoluto como o Melhor Filme do Ano. O histórico da Academia, porém, nos conta uma história diferente: 12 Anos de Escravidão é um drama de estilo bem clássico, que pode vir a se tornar uma obra de relevância histórica e cultural no futuro. O longa versa por uma temática forte, importantíssima e pouco discutida. Há, portanto, toda uma importância cultural e social, algo que o filme de Alfonso Cuarón, ainda que excelente, não conta. Nessa corrida cabeça a cabeça, 12 Anos de Escravidão acaba levando a melhor.

Gravidade tem a seu favor a revolução tecnológica que representa e
o histórico invejável do diretor Alfonso Cuarón, que já recebeu indicações ao
Oscar anteriormente por Filhos da
Esperança (em Roteiro Adaptado e Edição) e Y Tu Mamá También (em Roteiro Original). Além disso, Gravidade é um sucesso de bilheteria, e isso conta muito, afinal de
contas, o Oscar é uma festa e um programa de TV, um produto que precisa de
audiência, de aprovação pública para funcionar; premiar um filme como o de
Cuarón, portanto, seria uma boa escolha, já que muita gente assistiu o longa e
esta seria uma forma de aproximar a premiação do público. Gravidade também se sai bem na corrida por ser uma inacreditável
mistura de filme autoral com “arrasa quarteirão”. Mas tudo nos leva a um fato
que não pode ser esquecido: trata-se de uma ficção científica, gênero que não
tem bom histórico dentro da Academia. Os exemplares deste grupo sempre se
saíram bem em categorias técnicas, mas dificilmente se dão bem em categorias
principais, sendo negligenciados até mesmo nas indicações. Gravidade, porém, é uma ficção que não poderia ser esquecida. A
crítica é praticamente unânime e a aprovação do público é inegável. A vitória
na categoria principal significaria muito para a Academia e para os longas do
gênero. Seria uma surpresa que não desagradaria e traria uma bem vinda inovação
para os engessados votantes do Oscar. Infelizmente, a corrida indica que Gravidade deve ficar mesmo em “segundo”
lugar. De todo modo, ao menos, o trabalho incrível de Cuarón deve ser
reconhecido.


O retorno oficial de Scorsese ao
Oscar está aqui. A Invenção de Hugo
Cabret é excelente, mas não é um Scorsese legítimo, ficando muito, mas
muito longe de obras como Os Bons
Companheiros e o subestimado – e um dos melhores do diretor – Cassino. O Lobo de Wall Street é um
épico. Não com cavalos, guerreiros e espadas, mas uma longa jornada cheia de
altos e baixos contada através de um texto poderoso ao longo de três horas. Um
épico, portanto. Terrence Winter, o roteirista, perdeu o controle de sua série,
Boardwalk Empire, e sempre se mostrou
um bom roteirista, mas adepto de longos textos que investem em textos e
acontecimentos desnecessários. Winter já mostrara sua predileção pela
prolixidade em episódios de The Sopranos e
em quase todo o percurso da já citada Boardwalk
Empire. E ele quase se perde aqui, mas toma o controle de sua história
antes que as coisas perderem o rumo. De todo o modo, porém, Winter se mostra um
excelente escritor quando se alia a Scorsese, e a imoralidade dos personagens
vistos em O Lobo parecem feitos sob
medida para o estilo dos dois. Além disso, Leonardo DiCaprio se entrega
completamente ao personagem principal, deixando qualquer pudor de lado. A
Academia, porém, não deve se render a nenhum dos indicados pelo filme. Scorsese
é o tipo de cineasta que merecia inúmeros Oscar na prateleira, mas não deve
levar o segundo para casa, já que venceu recentemente – e a concorrência este
ano é muito forte. DiCaprio e Winter verão os concorrentes levando as
estatuetas pelas quais concorrem e Jonah Hill está tão longe da vitória como
estava quando concorreu por O Homem que
mudou o Jogo. Thelma Schoonmaker, a editora, que merecia qualquer prêmio
por seu brilhante trabalho, sequer foi indicada.

Clube de Compras Dallas seria o quinto finalista caso a Academia
ainda indicasse apenas cinco filmes à categoria principal. Seria aquele filme
não indicado para Melhor Direção que roubaria de muita gente a indicação para
Melhor Filme. Filmes como o espetacular Ela,
de Spile Jonze, e Nebraska, de
Alexander Payne, provavelmente ficariam de fora, dando lugar a essa obra
relativamente simples que cresceu semanas antes das indicações. E esse amor da
Academia para com o filme é facilmente explicável. É corajoso, fala sobre um
tema polêmico e tem grandes atuações. Além disso, tem indicações para roteiro e
os votantes provavelmente já viam o filme como provável vencedor em ao menos
duas categorias de atuação (incluindo a concorrida categoria dos Atores principais), o que
o qualifica como um dos melhores lançamentos do ano. Clube de Compras Dallas, porém, ainda que muito bom, não é
excelente, e está longe de merecer uma indicação ao Oscar de Melhor Filme. Inside Llewyn Davis, por exemplo, merece
muito mais a honraria, e foi quase que completamente esquecido pelos votantes. Os Suspeitos, filme irretocável,
conseguiu apenas uma vaga em Melhor Fotografia. Mas tudo bem. Em um prêmio onde
filmes como Shakespeare Apaixonado e Quem quer ser um milionário? foram
grandes vencedores, a indicação de Clube
de Compras Dallas é até aceitável. Deve levar três prêmios: Ator, Ator
Coadjuvante e Maquiagem. Todos merecidos, ao menos.

Ela é o melhor filme de Spike Jonze. E isso não é pouco, já que
estamos falando do diretor de obras como Quero
ser John Malkovich, Adaptação e Onde
Vivem os Monstros. Escrito pelo próprio diretor, Ela não é apenas inteligente ou original, é poético. As palavras
românticas trocadas pelo estranho casal fogem do lugar comum, dos elogios
básicos e dos clichês. Eles falam sobre a vida, filosofam, falam bonito. Joaquin
Phoenix segue sua ótima fase na carreira e mais uma vez incorpora um personagem
diferente de tudo aquilo que fez até aqui. Caso haja justiça no mundo, Spike
Jonze vencerá o prêmio de Melhor Roteiro Original, mas para isso deve tirar Trapaça da corrida, o que não vai ser
fácil. A Academia pode querer homenagear o filme de David O. Russel de uma
forma ou outra, já que não deve vencer nas categorias técnicas e de atuação, e
com isso pode deixar Jonze, o real merecedor, de fora. Os críticos idolatram o
filme e já o premiaram em diversas categorias. Além disso, Ela também venceu o prêmio do sindicato dos roteiristas, na
categoria de Roteiro Original, deixando o favorito Trapaça para trás. Uma vitória no sindicato é importante, já que
muitos dos votantes são os mesmos. O roteiro também foi vencedor no Globo de
Ouro, o que não quer dizer muita coisa. E venceu, também, no Critics Choice
Award, o que significa muito. No final das contas, é surpreendente que muitos
apostadores sigam apontado Trapaça como
o favorito na categoria, dado o belo histórico do longa de Jonze. No mais, Ela tem poucas chances em qualquer outra
categoria, podendo surpreender, porém, nas categorias musicais de Trilha
Original e Canção.

Dentro da filmografia de
Alexander Payne, Nebraska empalidece
ao lado de Sideways e Os Descendentes,por exemplo. Mas é um
excelente filme. Todo em preto e branco – muito bonito, merecendo a indicação
em Melhor Fotografia –, Nebraska é
basicamente uma reinterpretação do que Payne já nos mostrou em ocasiões
anteriores, com arcos narrativos bem definidos, personagens fortes e a estrada,
personagem recorrente da filmografia do cineasta. Para os fãs do diretor, este
novo filme está mais para As Confissões
de Schmidt do que para qualquer outro. A relação conturbada de pai e filho,
bem delineada e interpretada, e o atraso da Academia para premiar Payne em uma
categoria principal poderiam contar a favor da obra em um ano mais fraco, ou
caso tivesse mais apoio da crítica ou das premiações anteriores, mas na atual
situação Nebraska deve terminar a
noite de mãos vazias. Em todas as categorias o filme encontra uma concorrência
muito forte. Não há a mínima chance em Filme, Direção e Ator, e as categorias
de Roteiro Original e Fotografia já têm seus favoritos. O único prêmio poderia
sair para June Squibb, como Atriz Coadjuvante, mas é improvável. Com toda a
divisão de prêmios que deve acontecer, Nebraska
deve ser um dos poucos indicados para Melhor Filme a ficar de mãos vazias.

Se há um grande prejudicado na
corrida do Oscar este é Capitão Phillips. Antes
do anúncio das indicações o longa de Paul Greengrass era favorito em categorias
importantes, como Direção e Ator. Ficou de fora – muito injustamente – das
duas. A categoria dos diretores este ano está realmente difícil, mas é
inaceitável o fato de Tom Hanks ter ficado de fora como Melhor Ator. Bruce
Dern, que está mais para coadjuvante do que protagonista de Nebraska, entrou; Hanks, na sua melhor
atuação em anos, fora. Greengrass, presente em inúmeras listas prévias, viu sua
vaga indo para as mãos de Payne. De qualquer fora, injustiçado ou não, Capitão Phillips não deve sair de mãos
completamente vazias: depois de vencer no sindicato dos editores, o filme pode
vencer como Melhor Edição. É possível, mas pouco provável, já que Gravidade é favorito aqui. O longa de
Greengrass pode também levar a estatueta em alguma categoria de Som, mas deve
perder para o longa de Cuarón. Pode levar, no máximo, e com muito custo, dois
Oscar.

Philomena é o Chocolate e o Regras da Vida deste ano. Todos são bons filmes, mas surgem entre os indicados a Melhor Filme sem merecer de fato tão regalia. Os três compartilham algumas coisas em comum. São filmes relativamente leves, tratando de personagens carismáticos, lições de vida e uma boa dose de drama. Há também alguns temas polêmicos aqui e ali (aborto, HIV, religião, homossexualidade, etc.), mas nada que perturbe o espectador. Dois deles são dirigidos pela mesma pessoa, Lasse Hallström, e outro por Stephen Frears, que também emplacou um filme na categoria principal quando este, apesar de bom, não merecia estar ali; trata-se, claro, de A Rainha. Mas a similaridade principal entre todos estes filmes é Harvey Weinstein. O produtor, que já emplacou as mais improváveis indicações ao Oscar, faz de tudo para que suas produções sejam lembradas pela Academia. O auge foi quando venceu o prêmio principal por Shakespeare Apaixonado, quando este não era o favorito da festa. A partir daí uma sequência de nomeações improváveis aconteceram. Dos já citados Regras da Vida e Chocolate, até campanhas ridiculamente sujas por parte de Weinstein e sua equipe envolvendo filmes como Chicago – um dos piores vencedores do Oscar dos últimos tempos – e Gangues de Nova York. De uns tempos para cá, porém, o poder do produtor parece ter amenizado um pouco. Conseguiu emplacar de verdade apenas Philomena, que provavelmente sairá sem nada da cerimônia. Também pudera: é um filme comum, sem nada que justifique sua indicação na categoria principal, tirando a vaga de filmes infinitamente superiores como Inside Llewyn Davis e Os Suspeitos.

O Esquecido: Inside Llewyn Davis é simplesmente um dos melhores trabalhos de Joel e Ethan Coen, e sua ausência em várias categorias é um dos maiores erros da Academia nesta temporada. Os votantes preferiram indicar um longa mediano como Philomena ao invés de homenagear este memorável drama musical cheio de coração e alma. Um dos filmes mais pessoais da dupla.

Talvez seja mais confortável para
a Academia premiar Alfonso Cuarón do que Steve McQueen. McQueen é um diretor
que foge mais do estilo da Academia. Seus filmes até aqui são praticamente o
oposto do que os votantes do Oscar costumam homenagear. Ainda que seu filme, 12 Anos de Escravidão, seja o favorito,
McQueen deve esperar mais alguns anos para que seu Oscar (que deve vir em
breve) lhe seja realmente de direito. O trabalho do diretor, porém, é
impecável. Dirigindo um elenco grandioso e cheio de bons atores e atrizes,
McQueen arranca o melhor de cada um. Além disso, aproveita para exercer seu
estilo, que conta com longas sequências sem cortes ou tomadas de silêncio.
McQueen constrói seu drama e seus personagens tão bem, que quando algo
realmente importante ou forte acontece, o impacto é indescritível.

É bom ver Martin Scorsese sendo
indicado para um Oscar por merecimento e não apenas por ser quem é, ou então
para que a consciência dos votantes da Academia fique tranqüila. Não há como
fugir de uma verdade: Scorsese, um veterano no que faz, ainda é um mestre. Ele
não apenas dirige, ele ensina. Ela mostra como deve ser feito. Comandando o
difícil texto de Terrence Winter durante três horas de filme com o mesmo vigor
com que dirigiu, por exemplo, Taxi Driver
e Os Bons Companheiros, Scorsese
parece voltar para o tipo de universo que ajudou a moldar ao longo do anos. Há
a imoralidade, os personagens fortes e dúbios que conquistam o espectador e
toda aquela técnica que o diretor domina. Ele e seu filme, O Lobo de Wall Street, provavelmente ficarão de mãos vazias, mas
mereciam alguma lembrança.

O Esquecido: Paul Greengrass
apareceu em várias listas de premiações que antecedem o Oscar e sua indicação
era quase garantida. A Academia, porém, optou pelo lugar comum, pela repetição,
e colocou Alexander Payne mais uma vez na categoria.

A atuação de Chiwetel Ejiofor é
daquelas que o pessoal costuma chamar de paranormal, daquelas que marcam a
carreira de um ator para sempre. É uma pena, portanto, que a hora de
McConaughey tenha chegado junto à sua e que o favorito tenha surpreendido tanto
nos últimos anos, ao contrário de Ejiofor, que não apresentou nenhuma grande
performance nos Cinemas. Se Sandra Bullock é, segundo Alfonso Cuarón, o próprio
filme Gravidade, Ejiofor é 12 Anos de Escravidão. Ainda que repleto
de coadjuvantes fortes, interpretados com excelência por grandes atores e atrizes,
Chiwetel é o cerne do filme. Sem ele, e a sua total entrega ao personagem,
talvez o longa de Steve McQueen tivesse metade do impacto que tem. É realmente
uma pena que um empate seja muito improvável na categoria de Melhor Ator, e que
os votantes não possam escolher tanto McConaughey quanto Ejiofor, pois os dois
merecem.
Os fãs de Leonardo DiCaprio
precisam se acalmar. O ator merece sim um Oscar, mas este virá em algum momento
no futuro. Não precisa pressa. Com o talento que tem, DiCaprio tem muito tempo
ainda para pensar e batalhar por uma estatueta. Além disso, dizer que ele já
deveria ter vencido é estreitar um pouco os fatos. Ele realmente já mereceu
vários prêmios, mas devemos observar seus concorrentes em cada ocasião. Quando
concorreu por O Aviador perdeu
justamente para Jamie Foxx. Já por Diamante
de Sangue viu o Oscar parar merecidamente nas mãos de Forest Whitaker. Este
ano, mesmo tendo arrebentado em O Lobo de
Wall Street, deve aplaudir de seu acento enquanto outro vai pegar a
estatueta. DiCaprio pode esperar.
Christian Bale é a melhor coisa
de Trapaça e se alguém do elenco
merece alguma coisa, este alguém é ele. Entregando-se físico e
psicologicamente, como de costume, Bale rouba as cenas de qualquer um que
apareça em cena. Com uma barriga gigantesca, cabelo estranho e figurino
extravagante, Bale consegue imprimir sua personalidade, sua interpretação,
acima de qualquer coisa. É curioso, por exemplo, pensarmos durante a projeção
de Trapaça que aquele sujeito já foi
o Batman, ou o esquelético operário em O
Operário. Conquistou merecidamente a indicação e isto já é seu prêmio.
Assim como outros três colegas, pode aplaudir McConaughey vencer a categoria.
Não sei se Bruce Dern é realmente
o protagonista de Nebraska. Caso
concorresse como coadjuvante, por exemplo, teria mais chances de vitória, além
de estar numa categoria que condiz com a sua participação no filme. Saindo da
categoria principal, nomes como Tom Hanks e Oscar Isaacs poderia entrar. A
atuação de Dern no longa de Alexander Payne é realmente muito boa, mas não
parece a principal se compararmos com a do companheiro de tela, William Forte.
De todo modo, Bruce Dern está aqui e apesar de toda a campanha que tem feio
durante a temporada de premiações, suas chances de vitória são praticamente nulas.
O Esquecido: Tom Hanks tem a sua melhor atuação desde... Náufrago, talvez? A categoria estava tão concorrida e cheia de opções que os votantes optaram por nomes ainda novos, deixando Hanks, vencedor de dois Oscar, de fora.

É difícil enumerar as
concorrentes ao prêmio de Melhor Atriz. Há Cate Blanchet e o resto. Depois
dela, quem poderia levar o prêmio? A que mais se aproxima talvez seja Amy
Adams, por Trapaça, mas a hora de
Adams ainda irá chegar em breve. Em sua primeira indicação na categoria
principal, Adams tem mais um ótimo momento em sua carreira e apesar de
contracenar com Christian Bale em um de seus melhores momentos, a atriz não
deixa por menos e chama atenção sem precisar exagerar (algo que sua colega de
elenco Jennifer Lawrence não conseguiu fazer).



A Esquecida: Adèle Exarchopoulos, assim como a colega de elenco, Léa Seydoux, está fantástica no elogiado Azul é a cor mais quente, filme que talvez seja pesado demais para os padrões da Academia.
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Michael Fassbender já merecia uma
indicação ao Oscar há algum tempo. Sua atuação em Hunger, dirigido por Steve McQueen, por exemplo, é ainda mais surpreendente do que aquela vista no
filme seguinte da dupla, Shame. Em
uma carreira relativamente curta, Fassbender já conquistou público e crítica, e
procura visitar diversos estilos e agradar diversos públicos, indo de grandes
filmes como X-Men – Primeira Classe até
os mais pessoais como os já citados Hunger
e Shame. Em 12 Anos de Escravidão finalmente consegue uma indicação. E muito
merecida. Na pele do maior vilão do filme, Fassbender consegue a façanha que
muitos colegas não conseguem: criar um sujeito horrível, mas multifacetado. É o
tipo de vilão sádico e monstruoso, mas é, também, um personagem interessante e
cheio de camadas.
Premiar Barkhad Abdi em qualquer
premiação é uma decisão arriscada. É inegável que sua performance em Capitão Philips é fantástica, e não
deixa barato para um ator da estatura de Tom Hanks, mas você sinceramente
consegue enxergar o ator em diversos papeis? É difícil saber até onde vai o
talento do ator e o que ele poderia fazer com o talento que tem. Em uma
comparação frágil, sua situação é parecida com a de Quvenzhané Wallis, indicada
a Melhor Atriz em 2013. A atuação da pequena atriz é muito boa, mas o que é
atuação ali e o que é a simples reação aos comandos do diretor? O que é
talento? Mas esta á uma questão muito delicada para se debater agora. Wallis e
Abdi tiveram grandes momentos e foram indicados por eles, o tempo, agora, há de
provar estes talentos das mais diferentes formas.
Jonah Hill está muito melhor aqui
do que estava em O Homem que Mudou o
Jogo, filme pelo qual foi indicado pela primeira vez ao Oscar. Ator de
talento inquestionável, trabalhou em O
Lobo de Wall Street por amor à camisa, por ser fã de Scorsese e por
reconhecer um grande projeto. O que faz de sua atuação tão boa é que ele não
serve como simples alívio cômico ou então como o personagem engraçado, amigo do
protagonista. Sim, ele é tudo isso. Alívio cômico, amigo do personagem
principal e o mais engraçado, mas é também um dos personagens mais curiosos do
grupo. Com voz, dentes e cabelo diferentes, Hill deixa as comédias básicas e os
personagens simples para trás e abraça, definitivamente, a complexidade da
profissão. Não vai ganhar, mas a indicação é muito merecida.

O Esquecido: Daniel Brühl poderia garantir a indicação mais importante para um dos maiores injustiçados deste Oscar: Rush. Assim como nas demais categorias, porém, o longa de Ron Howard ficou de fora.

June Squibb é uma das melhores
coisas de Nebraska. Em um papel que,
na superfície, é apenas um alívio cômico, a atriz, aliada ao belo roteiro,
constrói um personagem complexo, que oculta vários segredos e particularidades
sobre o seu casamento e sobre si mesma. Interpretando uma velha mulher de
opinião forte, Squibb consegue algo que poucos conseguem: transmitir emoções
sem querer passá-las. Podemos ver, através de sua grande atuação, o amor que
sente pelo marido, mesmo sem demonstrar tal afeto. Se levasse o Oscar, não
seria tão ruim.



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