10 - O Abutre
Assim como Matthew McConaughey, Jake Gyllenhaal tem surpreendido pelas ótimas escolhas que tem feito e pelas brilhantes atuações. Os últimos três filmes do ator não são menos que excelentes. Os Suspeitos, O Homem Duplicado e este O Abutre formam uma ótima trilogia que possui uma característica em comum: Gyllenhaal completamente inspirado e dentro de seus papeis. O Abutre é um filme ácido, uma crítica contundente ao jornalismo e à televisão atual. O longa de estreia de Dan Gilroy é o Rede de Intrigas dos dias de hoje. Como uma dura crítica ao sensacionalismo e à falta de ética na construção das notícias e programas de TV, O Abutre encontra, além da crítica social, espaço para sequências de pura tensão onde Jake Gyllenhaal pode brilhar intensamente. Lou Bloom é um dos personagens mais complexos e densos que o Cinema viu em 2014. Ao fim, O Abutre é um dos longas mais importantes do ano, acertando em todos os pontos possíveis, do roteiro à trilha sonora marcante, passando pelo comentário social e pelo duro retrato de uma sociedade doente.
9 - NebraskaAlexander Payne é um autor versátil. Alguns acusaram o diretor de ser elitista após realizar Os Descendentes, longa que mostra os problemas de uma família rica e branca que mora no Havaí. Além de vazia, tal crítica cai por terra ao ver que Nebraska, seu último filme, está longe de acompanhar personagens ricos ou fúteis. Ainda que não conte com o brilhantismo de Os Descendentes, Nebraska é um consistente drama que se debruça no subgênero dos road movies para acompanhar a relação de pai e filho. Nebraska é doce sem ser melodramático e profundo sem ser pedante. É linda, por exemplo, a história do filho que decide realizar as vontades do pai apenas para agradá-lo e fortalecer laços familiares já abalados. Woody claramente não foi um excelente pai, e o passado talvez tenha sido muito pesado para aquela família; ainda assim, há um amor notável entre eles, uma cumplicidade passada às telas através de uma bela direção de Payne, atuações memoráveis de Bruce Dern, Will Forte e June Squib e uma fantástica fotografia em preto e branco.
8 - Inside Llewyn Davis
Ainda que muitos não percebam ou não se importem, os irmãos Joel e Ethan Coen sempre deram um grande destaque às trilhas sonoras de seus filmes e às músicas que permeiam suas histórias. O maior sucesso de crítica da dupla, Onde os Fracos Não Têm Vez, é uma obra isenta de música, mas E aí, Meu Irmão, Cadê Você?, por outro lado, é um filme que dá um bom espaço às canções. Inside Llewyn Davis, outro grande acerto, pode ser considerado o musical dos Coen. Não é um musical inteiramente cantado como Os Miséraveis, ou performático como Chicago, mas daqueles que contam uma história, acompanham os personagens e fornecem um breve intervalo para que alguma bela canção nos seja apresentada. Inside Llewyn Davis é assim: acompanhando as desventuras de Llewyn e um gato fujão, os Coen aproveitam para contar mais uma história "fora da caixa" e agradar o público com excelentes exemplares da música folk. Llewyn é um personagem que só poderia ter sido criado por Joel e Ethan: depressivo e sem rumo, o músico, ainda que tenha um enorme talento (comprovado a cada canção), não é um artista comercial: suas músicas falam sobre solidão, tristeza e morte. Até o nome do sujeito é complicado de se escrever e pronunciar. A típica comédia de erros (ainda que não seja tão engraçada) dos Coen ainda encontra uma bela ironia ao trazer, em seus minutos finais, uma participação ilustre.
Assistir O Lobo de Wall Street é constatar o talento ainda inabalável de Martin Scorsese. Com setenta e dois anos, Scorsese se mostra um prolífico e talentoso senhor. Ao lado de Woody Allen, que também lançou um ótimo longa em 2014, Scorsese prova que talento não tem idade ou prazo de validade. O Lobo de Wall Street é um filme que ultrapassa limites e vai muito além, trazendo o bom e velho estilo de Os Bons Companheiros. A câmera ágil de Scorsese passeia e mostra o elenco brilhar. Leonardo DiCaprio prova mais uma vez o seu talento e Jonah Hill comprova sua versatilidade. Além deles, Lobo é povoado por ótimos coadjuvantes: entre eles, Kyle Chandler mostra novamente que o Cinema deve lhe dar mais oportunidades e Margot Robbie chega ao universo cinematográfico garantindo um futuro brilhante. Terrence Winter mantém seu estilo criado na TV com The Sopranos e Boardwalk Empire, com um texto verborrágico e denso, que nunca perde o ritmo. Que Scorsese permaneça o mestre que é.
Asghar Farhadi parece ter definido seu Cinema calcando seus roteiros em histórias aparentemente comuns, que podem acontecer com qualquer um de nós. Seus filmes são dramatizações dos conflitos familiares, da vida ordinária. Procurando Elly, A Separação e este O Passado começam com premissas simples; enquanto um parte do desaparecimento de uma mulher, outro se debruça na difícil separação de um casal. O Passado também parte da premissa de uma separação: aqui, porém, o casal já está separado, mas precisa oficializar o divórcio para que ambos possam seguir com suas vidas. Para isso, Ahmad (Ali Mosaffa, fantástico) volta à França para assinar os devidos papéis e se divorciar oficialmente de Marie (Bérénice Bejo, comprovando o talento proposto em O Artista). É apenas o início de um roteiro brilhante escrito por Farhadi. A partir de então, o diretor/roteirista descortina a vida dos personagens e remexe no nebuloso passado de suas relações. O título O Passado, ainda que abrangente, se mostra perfeito para o que Farhadi busca discutir. A sequência final (um dos momentos mais impactantes e bem conduzidos do ano) encerra mais uma obra absolutamente fascinante de um artista que, até agora, está longe de decepcionar.
5 - O Grande Hotel Budapeste
Não é necessário assistir mais de um ou dois minutos de O Grande Hotel Budapeste para saber que aquele é um filme dirigido por Wes Anderson. O estilo tão característico do diretor grita na tela. As cores vibram, a história se desenrola com o ritmo e o humor característico e os personagens, estranhos e simpáticos, encantam. O Grande Hotel Budapeste é o ponto mais alto de uma já brilhante carreira que recentemente nos entregou o excelente Moonrise Kingdom. Anderson, em sua nova criação, deixa os temas infantis de lado e abraça assuntos mais adultos, apelando para uma história bem mais elaborada e cheia de palavrões do que seu filme anterior. Anderson é absolutamente criativo em cada quadro de seu novo longa-metragem: cada imagem parece uma pintura ou uma foto com enquadramento perfeito. A simetria de seus quadros, por exemplo, nunca impressionara tanto como desta vez. Para completar o pacote, além das costumeiras participações de Bill Murray e Owen Wilson, temos Ralph Fiennes em uma de suas melhores e mais divertidas performances. É uma das melhores realizações de praticamente todos os envolvidos, o que nos diz muito, visto que o elenco e a equipe envolvidos em O Grande Hotel Budapeste raramente decepcionam.
4 - Ela
A filmografia de Spike Jonze mostra que o diretor/roteirista tem o seu próprio estilo para tratar sobre assuntos complexos e universais. O caminho tomado por Jonze pode ser considerado estranho, pouco ortodoxo, mas os resultados de suas abordagens sempre acabam satisfazendo. Sua última obra, Ela, é um exemplo perfeito, a síntese de seu estilo, de suas ideias. Trazendo Joaquim Phoenix (um dos melhores atores da atualidade) em um papel mais leve que o seu habitual, Ela conta a história de amor entre um homem e um sistema operacional, uma inteligência artificial. Essa ideia mirabolante é apenas uma saída para Jonze discutir sobre a tecnologia e como esta se relaciona e interfere na vida das pessoas. Ainda que jogue luz sobre estes assuntos, porém, Ela não é uma obra extremamente filosófica, mas sim um estudo intimista das regras que regem as relações diretas ou indiretas entre as pessoas e os meios tecnológicos. Além de tudo, ainda temos Scarlett Johansson naquele que talvez seja o melhor papel de sua carreira. Sua voz é doce e acolhedora, mas esconde um universo de mistérios e camadas que um mero humano não pode decifrar. Não surpreende que Theodore tenha se apaixonado por Samantha, bem como o público por este belíssimo filme de Spike Jonze.
3 - Garota Exemplar
David Fincher parece ter definido seu estilo. Seus filmes, ainda que diferentes entre si, dividem algumas semelhanças visuais e temáticas. Fincher, por exemplo, é adepto das tramas racionais, que não se entregam ao sentimentalismo barato. Seus últimos filmes são espertos, repletos de reviravoltas e personagens inteligentes e racionais. Em mãos menos experientes, estes filmes poderiam ser frios e permanecerem longe do público. Com David Fincher, porém, estas histórias envolvem o espectador, trazendo-o para perto e levando-o a caminhos inimagináveis. Garota Exemplar parece ser a síntese do bom Cinema desenvolvido pelo diretor. Visual arrojado, edição hábil, elenco preciso e nenhuma aresta solta. Nada em Garota Exemplar parece fora do lugar. Muito se deve, talvez, ao processo de produção do diretor: repetir exaustivamente cada cena até ela ficar perfeita, extraindo o melhor do roteiro e do elenco. E Fincher alcança seus objetivos com maestria: o roteiro, escrito por Gillian Flynn baseado em seu romance, é certeiro e o elenco não decepciona; até mesmo Ben Affleck e Tyler Perry, atores notadamente limitados, brilham em seus papeis.
12 Anos de Escravidão é o filme sobre escravidão, preconceito e intolerância mais incisivo dos últimos anos. Ainda que Django Livre, de Quentin Tarantino, verse sobre o assunto, a abordagem do longa-metragem estrelado por Jamie Foxx é completamente diferente daquela vista na obra de Steve McQueen. Enquanto no longa de Tarantino havia o humor e a diversão, 12 Anos de Escravidão é uma drama denso, sem espaço para alívios cômicos. Assistir ao filme é uma experiência poderosa, fazendo-nos pensar como o nosso passado é vergonhoso, além de indagar ao espectador como toda aquela barbárie foi permitida, como tudo aquilo foi feito, e o pior: como resquícios daquele absurdo permanecem vivos até hoje. 12 Anos não é didático ou maniqueísta, e nem tenta falar sobre a escravidão de modo amplo. O objetivo é acompanhar o período doloroso vivido por Solomon Northup quando este, homem livre do norte dos EUA, fora sequestrado e levado para o sul para servir como escravo. No percurso, é claro, o filme acaba discutindo algumas características que eram comuns da época, mas tudo acaba sempre voltando a Solomon ou aos personagens coadjuvantes. O elenco é fantástico: começando Michael Fassbender, passando por Lupita Nyong'o e chegando em Chiwetel Ejiofor, alma e coração da obra. Dentre os melhores momentos há aquele em que Solomon olha para o horizonte e, depois, direto para a câmera, olhando nos olhos do espectador. Um momento singelo que vence qualquer outro.
1 - Boyhood
Há uma constante no Cinema de Richard Linklater: a passagem do tempo e seus efeitos nas pessoas. Desde seus primeiros filmes, Linklater dialoga sobre como os anos podem transformar alguém. Um dos maiores exemplos é a trilogia composta por Antes do Amanhecer/Pôr do Sol/Meia-noite, que acompanha o amadurecimento e os pontos altos e baixos de um casal. Jovens, Loucos e Rebeldes, um dos primeiros trabalhos do diretor/roteirista, ainda que não mostrasse a passagem do tempo, mostrava como a perspectiva de amadurecimento afeta jovens com longos futuros pela frente. Boyhood é o ápice desta temática tão querida por Linklater. Filmado ao longo de 12 anos, Boyhood acompanha o crescimento de um garoto dos seis aos dezoito anos e, para isso, Linklater descortina a vida do personagem de forma sincera, sem inventar dramatizações exageradas ou cenas grandiosas. A intenção é acompanhar as idas e vindas do garota e sua família de um jeito intimista e completamente realista. É a vida normal, comum, mas não menos importante, impressa numa belíssima obra, daquelas que entram para a história e que o tempo, que Linklater tanto discute, não pode apagar.
Os Melhores do Cinema em 2014 - Indicados
Melhor Filme12 Anos de EscravidãoO AbutreBoyhoodElaGarota ExemplarO Grande Hotel BudapesteInside Llewyn DavisO Lobo de Wall Street
NebraskaO Passado
Melhor DireçãoSteve McQueen por 12 ANOS DE ESCRAVIDÃORichard Linklater por BOYHOODSpike Jonze por ELADavid Fincher por GAROTA EXEMPLARWes Anderson por O GRANDE HOTEL BUDAPEST
Melhor AtorChiwetel Ejiofor por 12 ANOS DE ESCRAVIDÃOJake Gyllenhaal por O ABUTREMatthew McConaughey por CLUBE DE COMPRAS DALLASLeonardo DiCaprio por O LOBO DE WALL STREETChristian Bale por TRAPAÇA
Melhor Atriz
Marion Cotillard por ERA UMA VEZ EM NOVA YORK
Rosamund Pike por GAROTA EXEMPLAR
Berenice Bejo por O PASSADO
Kate Winslet por REFÉM DA PAIXÃO
Scarlett Johansson por SOB A PELE
Melhor Atriz Coadjuvante
Lupita Nyong'o por 12 ANOS DE ESCRAVIDÃORene Russo por O ABUTRE
Patricia Arquette por BOYHOODTilda Swinton por EXPRESSO DO AMANHÃJune Squibb por NEBRASKA
Melhor Roteiro Adaptado
12 Anos de EscravidãoAlabama MonroeExpresso do AmanhãGarota ExemplarO Lobo de Wall Street
Melhor AnimaçãoUma Aventura LegoOs BoxtrollsComo Treinar o seu Dragão 2FrozenVidas ao Vento
Melhor Edição
12 Anos de Escravidão
Boyhood
Ela
Garota Exemplar
O Lobo de Wall Street
Melhor Fotografia
Era Uma Vez em Nova York
Garota Exemplar
O Grande Hotel Budapeste
Inside Llewyn Davis
Nebraska
Melhor Direção de Arte
12 Anos de Escravidão
Ela
O Grande Hotel Budapeste
Inside Llewyn Davis
Interestelar
Melhor Trilha Sonora
O Abutre
Ela
Garota Exemplar
Godzilla
Interestelar
Melhor Canção Original
"Split the Difference", BOYHOOD
"Moon Song", ELA
"The Last Goodbye", O HOBBIT - A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS
"Yellow Flicker Bird", JOGOS VORAZES
"Lost Stars", MESMO SE NADA DER CERTO
Melhor Figurino
12 Anos de Escravidão
Ela
O Grande Hotel Budapeste
O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos
Malévola
Melhores Efeitos Especiais
Godzilla
Guardiões da Galáxia
O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos
Interestelar
Planeta dos Macacos - O Confronto
O Melhor da TV
2014
1º
House of Cards talvez seja a série favorita dos cinéfilos, os amantes do Cinema. Seu formato - com temporadas lançadas inteiras de uma só vez - e seu elenco estão mais para o Cinema do que para a TV. A liberdade criativa, porém, é algo que só se vê ultimamente na televisão. A escalada de Frank Underwood ao poder é um legítimo épico político escrito com precisão e conduzido com maestria. Com a despedida de Bryan Cranston e seu Walter White, Kevin Spacey toma o posto como o melhor ator com o melhor personagem da TV.
2º
Refilmagens e readaptações de histórias preestabelecidas em outras mídias geralmente não funcionam. Quando o Cinema tenta adaptar a TV e vice versa às coisas tendem a não dar certo. Com Fargo, porém, o resultado é surpreendente. Baseada no filme homônimo de Joel e Ethan Coen, a série utiliza o nome, a ambientação/clima e os personagens atípicos para contar uma história completamente nova e regada a muito sangue, idas e vindas. A maior diferença, porém, é que a série vai além e consegue ser melhor que a obra original.
Assim como Fargo, True Detective é uma antologia, ou seja, contará uma história diferente com personagens distintos a cada temporada. O novo formato parece estar em moda entre os estúdios televisivos e a criação de Nic Pizzolato é um dos melhores exemplares dessa nova abordagem. Estrelada por Matthew McConaughey e Woody Harrelson (ambos genais), True Detective não se furta de muita filosofia, metáforas e belas paisagens para contar a história de uma investigação que dura anos e cujo impacto não se mostra apenas nas vítimas.
4º
Assim como a maioria das séries britânicas, Sherlock é curta: três episódios. Nessa rápida caminhada, Sherlock abraça toda a emoção e o impacto que a maior parte das séries alcança apenas com treze ou mais episódios. Com tão poucos capítulos, a série do detetive mais famoso do mundo acaba tendo uma premiere e uma finale quase que consecutivamente, deixando pouco espaço para respirar. Entre roteiros excelentes, um elenco fantástico e técnica impecável, a única ressalva está no fato da série ir ao ar só a cada dois anos.
5º
A comédia sempre foi um ótimo veículo para estudo de personagens e acontecimentos. Louie, mistura de drama e comédia de Louis C.K., busca falar sobre o banal, o corriqueiro, a rotina que, no limiar, é tão importante quanto os fatos inéditos ou raros. Louie fala de relacionamentos, solidão, infância, paternidade, depressão, humor e a indelével passagem do tempo. Nenhuma outra série, de qualquer gênero, foi capaz de dialogar com o público em tão pouco tempo (episódios de aproximadamente 20 minutos), revelando um pouco do personagem principal e do próprio espectador.
6º
Game of Thrones é uma série tão debatida durante sua exibição que pouco resta a ser dito sobre ela. Verborrágica e anticlimática na maioria das vezes, Game of Thrones é daqueles sucessos inexplicáveis. Como uma série tão pesada, complexa (são infinitos os personagens, lugares e acontecimentos) e dramática como ela pode fazer tanto sucesso? São vários os motivos. Entre eles a história, profunda e envolvente; cheia de intrigas e reviravoltas, a trama vai e vem, surpreende e subverte as expectativas do espectador. Outros motivos envolvem o elenco fantástico, os vilões que adoramos odiar, os melhores efeitos especiais da TV, os figurino, a direção de arte, a fotografia, etc. É coisa de primeira linha.
7º
Tiremos o elefante da sala: Orange is the New Black não é uma comédia. Ainda que funcione e agrade quando analisada dessa forma, OITNB está muito mais para o drama do que para os risos. Ainda que a trama escape, aqui e ali, para situações engraçadas e absurdas, grande parte de seu tempo é destinado ao relacionamento entre as personagens e as reviravoltas que acontecem no presídio. OITNB é, na verdade, um dos maiores trunfos do mundo das séries: além de se passar, basicamente, em um só lugar, o show é inteiramente protagonizado por mulheres. Em um mundo machista como o que vivemos, assistir uma história corajosa como esta, inteiramente carregada por mulheres, é um alívio.
8º
Depois de se mostrar como a melhor estreia de 2013, Masters of Sex retorna firme para aquele que é um dos piores momentos para uma série: o segundo ano. Toda série promissora que surpreende na primeira temporada sofre para garantir e provar a qualidade no ano seguinte. Não é à toa, por exemplo, que muitas séries tenham o seu pior momento durante as segundas temporadas. É um momento perigoso, em que a série já não mais novidade, mas também está longe de ser uma veterana. É uma adolescente e, por isso, precisa se reafirmar e provas suas capacidades a cada instante. Nesse jogo de afirmações e comprovações, Masters of Sex se sai maravilhosamente bem.
9º
The Newsroom tem certo valor sentimental para mim. Foi a série, aliada a uma série de outros fatores, que me inspiraram a seguir o pelo rumo jornalístico. É claro que o programa está longe de apresentar a realidade de uma redação ou do jornalismo como um todo, mas a série se esforça para abordar temas atuais e relevantes. A licença poética de Aaron Sorkin pode beirar o absurdo, mas os diálogos e os personagens são tão bons que a implausibilidade de alguns acontecimentos ficam de lado. É bem verdade, também, que o humor do show não é dos melhores ou mais sutis, mas no momento que vemos Jeff Daniels em cação, proferindo suas rápidas e cortantes palavras, esse problema também pode ser esquecido. Sim, The Newsroom tem seus problemas, mas ela encanta de uma ótima maneira e é uma pena que não retorne para novas temporadas.
10º
The Affair é um surpreendente exemplo da originalidade e ousadia da televisão. A trama acompanha o relacionamento extraconjugal entre duas pessoas. Pronto. O fio condutor é este. A diferença da série para outras tantas histórias semelhantes é que The Affair divide sua abordagem em dois pontos de vista. Cada episódio é dividido em duas partes iguais; uma mostra o ponto de vista de Noah, a outra a perspectiva de Alison. A diversão está nas diferenças entre o que Noah e Alison viram. Quem tem razão? Quem está mentindo? Os roteiristas tem a incrível habilidade de construir uma trama complexa e envolvente, cheia de camadas, em volta de uma ideia simples. Uma das melhores estreias do ano.
Gravity FallsOver the Garden WallApenas um Show
Olive KitteridgeKlondikeThe Normal Heart
Matthew McConaughey por True DetectiveKevin Spacey por House of CardsClive Owen por The Knick
Robin Wright por House of CardsClaire Danes por HomelandLizzy Caplan por Masters of Sex
Jeffrey Tambor por TransparentRick Gervais por DerekLouis C.K. por Louie
Taylor Schiling por Orange is the New BlackJulia Louis-Dreyfus por VeepEmmy Rossum por Shameless
Cary J. Fukunaga - Ep. Who Goes There? - True DetectiveNeil Marshall - Ep. Watchers on the Wall - Game of ThornesSteven Soderbergh - Ep. Method and Madness - The Knick
House of CardsTrue DetectiveLouie


Em uma temporada tão concorrida como essa, ser o favorito já é praticamente uma vitória. A corrida é curiosa. Se no ano passado Argo era apontado como favorito na categoria principal mesmo sem ser indicado para Melhor Direção, neste ano, 12 Anos de Escravidão é o favorito ao prêmio principal mesmo sem ser favorito em categorias-chave como Direção, Ator e Edição. Isso é a prova da grande quantidade de obras relevantes lançadas em 2013. O próximo Oscar, portanto, promete ser pulverizado, com os prêmios divididos entre vários filmes, não havendo um grande vencedor em termos numéricos. Analisando as chances do filme de Steve McQueen, percebemos que ele tem chances em apenas três categorias: Melhor Filme, Atriz Coadjuvante e Roteiro Adaptado. São categorias importantes, que já justificam a principal estatueta, mas não será como, por exemplo, Quem quer ser um milionário?, que levou oito Oscar para casa, tornando a vitória principal indiscutível. Com resultados tão distintos, talvez não haja um vencedor legítimo. O principal concorrente, Gravidade, promete levar a melhor em categorias importantes como Direção, Fotografia, Edição e Trilha Sonora, o que o tornaria o favorito absoluto como o Melhor Filme do Ano. O histórico da Academia, porém, nos conta uma história diferente: 12 Anos de Escravidão é um drama de estilo bem clássico, que pode vir a se tornar uma obra de relevância histórica e cultural no futuro. O longa versa por uma temática forte, importantíssima e pouco discutida. Há, portanto, toda uma importância cultural e social, algo que o filme de Alfonso Cuarón, ainda que excelente, não conta. Nessa corrida cabeça a cabeça, 12 Anos de Escravidão acaba levando a melhor.

Gravidade tem a seu favor a revolução tecnológica que representa e
o histórico invejável do diretor Alfonso Cuarón, que já recebeu indicações ao
Oscar anteriormente por Filhos da
Esperança (em Roteiro Adaptado e Edição) e Y Tu Mamá También (em Roteiro Original). Além disso, Gravidade é um sucesso de bilheteria, e isso conta muito, afinal de
contas, o Oscar é uma festa e um programa de TV, um produto que precisa de
audiência, de aprovação pública para funcionar; premiar um filme como o de
Cuarón, portanto, seria uma boa escolha, já que muita gente assistiu o longa e
esta seria uma forma de aproximar a premiação do público. Gravidade também se sai bem na corrida por ser uma inacreditável
mistura de filme autoral com “arrasa quarteirão”. Mas tudo nos leva a um fato
que não pode ser esquecido: trata-se de uma ficção científica, gênero que não
tem bom histórico dentro da Academia. Os exemplares deste grupo sempre se
saíram bem em categorias técnicas, mas dificilmente se dão bem em categorias
principais, sendo negligenciados até mesmo nas indicações. Gravidade, porém, é uma ficção que não poderia ser esquecida. A
crítica é praticamente unânime e a aprovação do público é inegável. A vitória
na categoria principal significaria muito para a Academia e para os longas do
gênero. Seria uma surpresa que não desagradaria e traria uma bem vinda inovação
para os engessados votantes do Oscar. Infelizmente, a corrida indica que Gravidade deve ficar mesmo em “segundo”
lugar. De todo modo, ao menos, o trabalho incrível de Cuarón deve ser
reconhecido.


O retorno oficial de Scorsese ao
Oscar está aqui. A Invenção de Hugo
Cabret é excelente, mas não é um Scorsese legítimo, ficando muito, mas
muito longe de obras como Os Bons
Companheiros e o subestimado – e um dos melhores do diretor – Cassino. O Lobo de Wall Street é um
épico. Não com cavalos, guerreiros e espadas, mas uma longa jornada cheia de
altos e baixos contada através de um texto poderoso ao longo de três horas. Um
épico, portanto. Terrence Winter, o roteirista, perdeu o controle de sua série,
Boardwalk Empire, e sempre se mostrou
um bom roteirista, mas adepto de longos textos que investem em textos e
acontecimentos desnecessários. Winter já mostrara sua predileção pela
prolixidade em episódios de The Sopranos e
em quase todo o percurso da já citada Boardwalk
Empire. E ele quase se perde aqui, mas toma o controle de sua história
antes que as coisas perderem o rumo. De todo o modo, porém, Winter se mostra um
excelente escritor quando se alia a Scorsese, e a imoralidade dos personagens
vistos em O Lobo parecem feitos sob
medida para o estilo dos dois. Além disso, Leonardo DiCaprio se entrega
completamente ao personagem principal, deixando qualquer pudor de lado. A
Academia, porém, não deve se render a nenhum dos indicados pelo filme. Scorsese
é o tipo de cineasta que merecia inúmeros Oscar na prateleira, mas não deve
levar o segundo para casa, já que venceu recentemente – e a concorrência este
ano é muito forte. DiCaprio e Winter verão os concorrentes levando as
estatuetas pelas quais concorrem e Jonah Hill está tão longe da vitória como
estava quando concorreu por O Homem que
mudou o Jogo. Thelma Schoonmaker, a editora, que merecia qualquer prêmio
por seu brilhante trabalho, sequer foi indicada.

Clube de Compras Dallas seria o quinto finalista caso a Academia
ainda indicasse apenas cinco filmes à categoria principal. Seria aquele filme
não indicado para Melhor Direção que roubaria de muita gente a indicação para
Melhor Filme. Filmes como o espetacular Ela,
de Spile Jonze, e Nebraska, de
Alexander Payne, provavelmente ficariam de fora, dando lugar a essa obra
relativamente simples que cresceu semanas antes das indicações. E esse amor da
Academia para com o filme é facilmente explicável. É corajoso, fala sobre um
tema polêmico e tem grandes atuações. Além disso, tem indicações para roteiro e
os votantes provavelmente já viam o filme como provável vencedor em ao menos
duas categorias de atuação (incluindo a concorrida categoria dos Atores principais), o que
o qualifica como um dos melhores lançamentos do ano. Clube de Compras Dallas, porém, ainda que muito bom, não é
excelente, e está longe de merecer uma indicação ao Oscar de Melhor Filme. Inside Llewyn Davis, por exemplo, merece
muito mais a honraria, e foi quase que completamente esquecido pelos votantes. Os Suspeitos, filme irretocável,
conseguiu apenas uma vaga em Melhor Fotografia. Mas tudo bem. Em um prêmio onde
filmes como Shakespeare Apaixonado e Quem quer ser um milionário? foram
grandes vencedores, a indicação de Clube
de Compras Dallas é até aceitável. Deve levar três prêmios: Ator, Ator
Coadjuvante e Maquiagem. Todos merecidos, ao menos.

Ela é o melhor filme de Spike Jonze. E isso não é pouco, já que
estamos falando do diretor de obras como Quero
ser John Malkovich, Adaptação e Onde
Vivem os Monstros. Escrito pelo próprio diretor, Ela não é apenas inteligente ou original, é poético. As palavras
românticas trocadas pelo estranho casal fogem do lugar comum, dos elogios
básicos e dos clichês. Eles falam sobre a vida, filosofam, falam bonito. Joaquin
Phoenix segue sua ótima fase na carreira e mais uma vez incorpora um personagem
diferente de tudo aquilo que fez até aqui. Caso haja justiça no mundo, Spike
Jonze vencerá o prêmio de Melhor Roteiro Original, mas para isso deve tirar Trapaça da corrida, o que não vai ser
fácil. A Academia pode querer homenagear o filme de David O. Russel de uma
forma ou outra, já que não deve vencer nas categorias técnicas e de atuação, e
com isso pode deixar Jonze, o real merecedor, de fora. Os críticos idolatram o
filme e já o premiaram em diversas categorias. Além disso, Ela também venceu o prêmio do sindicato dos roteiristas, na
categoria de Roteiro Original, deixando o favorito Trapaça para trás. Uma vitória no sindicato é importante, já que
muitos dos votantes são os mesmos. O roteiro também foi vencedor no Globo de
Ouro, o que não quer dizer muita coisa. E venceu, também, no Critics Choice
Award, o que significa muito. No final das contas, é surpreendente que muitos
apostadores sigam apontado Trapaça como
o favorito na categoria, dado o belo histórico do longa de Jonze. No mais, Ela tem poucas chances em qualquer outra
categoria, podendo surpreender, porém, nas categorias musicais de Trilha
Original e Canção.

Dentro da filmografia de
Alexander Payne, Nebraska empalidece
ao lado de Sideways e Os Descendentes,por exemplo. Mas é um
excelente filme. Todo em preto e branco – muito bonito, merecendo a indicação
em Melhor Fotografia –, Nebraska é
basicamente uma reinterpretação do que Payne já nos mostrou em ocasiões
anteriores, com arcos narrativos bem definidos, personagens fortes e a estrada,
personagem recorrente da filmografia do cineasta. Para os fãs do diretor, este
novo filme está mais para As Confissões
de Schmidt do que para qualquer outro. A relação conturbada de pai e filho,
bem delineada e interpretada, e o atraso da Academia para premiar Payne em uma
categoria principal poderiam contar a favor da obra em um ano mais fraco, ou
caso tivesse mais apoio da crítica ou das premiações anteriores, mas na atual
situação Nebraska deve terminar a
noite de mãos vazias. Em todas as categorias o filme encontra uma concorrência
muito forte. Não há a mínima chance em Filme, Direção e Ator, e as categorias
de Roteiro Original e Fotografia já têm seus favoritos. O único prêmio poderia
sair para June Squibb, como Atriz Coadjuvante, mas é improvável. Com toda a
divisão de prêmios que deve acontecer, Nebraska
deve ser um dos poucos indicados para Melhor Filme a ficar de mãos vazias.

Se há um grande prejudicado na
corrida do Oscar este é Capitão Phillips. Antes
do anúncio das indicações o longa de Paul Greengrass era favorito em categorias
importantes, como Direção e Ator. Ficou de fora – muito injustamente – das
duas. A categoria dos diretores este ano está realmente difícil, mas é
inaceitável o fato de Tom Hanks ter ficado de fora como Melhor Ator. Bruce
Dern, que está mais para coadjuvante do que protagonista de Nebraska, entrou; Hanks, na sua melhor
atuação em anos, fora. Greengrass, presente em inúmeras listas prévias, viu sua
vaga indo para as mãos de Payne. De qualquer fora, injustiçado ou não, Capitão Phillips não deve sair de mãos
completamente vazias: depois de vencer no sindicato dos editores, o filme pode
vencer como Melhor Edição. É possível, mas pouco provável, já que Gravidade é favorito aqui. O longa de
Greengrass pode também levar a estatueta em alguma categoria de Som, mas deve
perder para o longa de Cuarón. Pode levar, no máximo, e com muito custo, dois
Oscar.

Philomena é o Chocolate e o Regras da Vida deste ano. Todos são bons filmes, mas surgem entre os indicados a Melhor Filme sem merecer de fato tão regalia. Os três compartilham algumas coisas em comum. São filmes relativamente leves, tratando de personagens carismáticos, lições de vida e uma boa dose de drama. Há também alguns temas polêmicos aqui e ali (aborto, HIV, religião, homossexualidade, etc.), mas nada que perturbe o espectador. Dois deles são dirigidos pela mesma pessoa, Lasse Hallström, e outro por Stephen Frears, que também emplacou um filme na categoria principal quando este, apesar de bom, não merecia estar ali; trata-se, claro, de A Rainha. Mas a similaridade principal entre todos estes filmes é Harvey Weinstein. O produtor, que já emplacou as mais improváveis indicações ao Oscar, faz de tudo para que suas produções sejam lembradas pela Academia. O auge foi quando venceu o prêmio principal por Shakespeare Apaixonado, quando este não era o favorito da festa. A partir daí uma sequência de nomeações improváveis aconteceram. Dos já citados Regras da Vida e Chocolate, até campanhas ridiculamente sujas por parte de Weinstein e sua equipe envolvendo filmes como Chicago – um dos piores vencedores do Oscar dos últimos tempos – e Gangues de Nova York. De uns tempos para cá, porém, o poder do produtor parece ter amenizado um pouco. Conseguiu emplacar de verdade apenas Philomena, que provavelmente sairá sem nada da cerimônia. Também pudera: é um filme comum, sem nada que justifique sua indicação na categoria principal, tirando a vaga de filmes infinitamente superiores como Inside Llewyn Davis e Os Suspeitos.

O Esquecido: Inside Llewyn Davis é simplesmente um dos melhores trabalhos de Joel e Ethan Coen, e sua ausência em várias categorias é um dos maiores erros da Academia nesta temporada. Os votantes preferiram indicar um longa mediano como Philomena ao invés de homenagear este memorável drama musical cheio de coração e alma. Um dos filmes mais pessoais da dupla.

Talvez seja mais confortável para
a Academia premiar Alfonso Cuarón do que Steve McQueen. McQueen é um diretor
que foge mais do estilo da Academia. Seus filmes até aqui são praticamente o
oposto do que os votantes do Oscar costumam homenagear. Ainda que seu filme, 12 Anos de Escravidão, seja o favorito,
McQueen deve esperar mais alguns anos para que seu Oscar (que deve vir em
breve) lhe seja realmente de direito. O trabalho do diretor, porém, é
impecável. Dirigindo um elenco grandioso e cheio de bons atores e atrizes,
McQueen arranca o melhor de cada um. Além disso, aproveita para exercer seu
estilo, que conta com longas sequências sem cortes ou tomadas de silêncio.
McQueen constrói seu drama e seus personagens tão bem, que quando algo
realmente importante ou forte acontece, o impacto é indescritível.

É bom ver Martin Scorsese sendo
indicado para um Oscar por merecimento e não apenas por ser quem é, ou então
para que a consciência dos votantes da Academia fique tranqüila. Não há como
fugir de uma verdade: Scorsese, um veterano no que faz, ainda é um mestre. Ele
não apenas dirige, ele ensina. Ela mostra como deve ser feito. Comandando o
difícil texto de Terrence Winter durante três horas de filme com o mesmo vigor
com que dirigiu, por exemplo, Taxi Driver
e Os Bons Companheiros, Scorsese
parece voltar para o tipo de universo que ajudou a moldar ao longo do anos. Há
a imoralidade, os personagens fortes e dúbios que conquistam o espectador e
toda aquela técnica que o diretor domina. Ele e seu filme, O Lobo de Wall Street, provavelmente ficarão de mãos vazias, mas
mereciam alguma lembrança.

O Esquecido: Paul Greengrass
apareceu em várias listas de premiações que antecedem o Oscar e sua indicação
era quase garantida. A Academia, porém, optou pelo lugar comum, pela repetição,
e colocou Alexander Payne mais uma vez na categoria.

A atuação de Chiwetel Ejiofor é
daquelas que o pessoal costuma chamar de paranormal, daquelas que marcam a
carreira de um ator para sempre. É uma pena, portanto, que a hora de
McConaughey tenha chegado junto à sua e que o favorito tenha surpreendido tanto
nos últimos anos, ao contrário de Ejiofor, que não apresentou nenhuma grande
performance nos Cinemas. Se Sandra Bullock é, segundo Alfonso Cuarón, o próprio
filme Gravidade, Ejiofor é 12 Anos de Escravidão. Ainda que repleto
de coadjuvantes fortes, interpretados com excelência por grandes atores e atrizes,
Chiwetel é o cerne do filme. Sem ele, e a sua total entrega ao personagem,
talvez o longa de Steve McQueen tivesse metade do impacto que tem. É realmente
uma pena que um empate seja muito improvável na categoria de Melhor Ator, e que
os votantes não possam escolher tanto McConaughey quanto Ejiofor, pois os dois
merecem.
Os fãs de Leonardo DiCaprio
precisam se acalmar. O ator merece sim um Oscar, mas este virá em algum momento
no futuro. Não precisa pressa. Com o talento que tem, DiCaprio tem muito tempo
ainda para pensar e batalhar por uma estatueta. Além disso, dizer que ele já
deveria ter vencido é estreitar um pouco os fatos. Ele realmente já mereceu
vários prêmios, mas devemos observar seus concorrentes em cada ocasião. Quando
concorreu por O Aviador perdeu
justamente para Jamie Foxx. Já por Diamante
de Sangue viu o Oscar parar merecidamente nas mãos de Forest Whitaker. Este
ano, mesmo tendo arrebentado em O Lobo de
Wall Street, deve aplaudir de seu acento enquanto outro vai pegar a
estatueta. DiCaprio pode esperar.
Christian Bale é a melhor coisa
de Trapaça e se alguém do elenco
merece alguma coisa, este alguém é ele. Entregando-se físico e
psicologicamente, como de costume, Bale rouba as cenas de qualquer um que
apareça em cena. Com uma barriga gigantesca, cabelo estranho e figurino
extravagante, Bale consegue imprimir sua personalidade, sua interpretação,
acima de qualquer coisa. É curioso, por exemplo, pensarmos durante a projeção
de Trapaça que aquele sujeito já foi
o Batman, ou o esquelético operário em O
Operário. Conquistou merecidamente a indicação e isto já é seu prêmio.
Assim como outros três colegas, pode aplaudir McConaughey vencer a categoria.
Não sei se Bruce Dern é realmente
o protagonista de Nebraska. Caso
concorresse como coadjuvante, por exemplo, teria mais chances de vitória, além
de estar numa categoria que condiz com a sua participação no filme. Saindo da
categoria principal, nomes como Tom Hanks e Oscar Isaacs poderia entrar. A
atuação de Dern no longa de Alexander Payne é realmente muito boa, mas não
parece a principal se compararmos com a do companheiro de tela, William Forte.
De todo modo, Bruce Dern está aqui e apesar de toda a campanha que tem feio
durante a temporada de premiações, suas chances de vitória são praticamente nulas.
O Esquecido: Tom Hanks tem a sua melhor atuação desde... Náufrago, talvez? A categoria estava tão concorrida e cheia de opções que os votantes optaram por nomes ainda novos, deixando Hanks, vencedor de dois Oscar, de fora.

É difícil enumerar as
concorrentes ao prêmio de Melhor Atriz. Há Cate Blanchet e o resto. Depois
dela, quem poderia levar o prêmio? A que mais se aproxima talvez seja Amy
Adams, por Trapaça, mas a hora de
Adams ainda irá chegar em breve. Em sua primeira indicação na categoria
principal, Adams tem mais um ótimo momento em sua carreira e apesar de
contracenar com Christian Bale em um de seus melhores momentos, a atriz não
deixa por menos e chama atenção sem precisar exagerar (algo que sua colega de
elenco Jennifer Lawrence não conseguiu fazer).



A Esquecida: Adèle Exarchopoulos, assim como a colega de elenco, Léa Seydoux, está fantástica no elogiado Azul é a cor mais quente, filme que talvez seja pesado demais para os padrões da Academia.
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Michael Fassbender já merecia uma
indicação ao Oscar há algum tempo. Sua atuação em Hunger, dirigido por Steve McQueen, por exemplo, é ainda mais surpreendente do que aquela vista no
filme seguinte da dupla, Shame. Em
uma carreira relativamente curta, Fassbender já conquistou público e crítica, e
procura visitar diversos estilos e agradar diversos públicos, indo de grandes
filmes como X-Men – Primeira Classe até
os mais pessoais como os já citados Hunger
e Shame. Em 12 Anos de Escravidão finalmente consegue uma indicação. E muito
merecida. Na pele do maior vilão do filme, Fassbender consegue a façanha que
muitos colegas não conseguem: criar um sujeito horrível, mas multifacetado. É o
tipo de vilão sádico e monstruoso, mas é, também, um personagem interessante e
cheio de camadas.
Premiar Barkhad Abdi em qualquer
premiação é uma decisão arriscada. É inegável que sua performance em Capitão Philips é fantástica, e não
deixa barato para um ator da estatura de Tom Hanks, mas você sinceramente
consegue enxergar o ator em diversos papeis? É difícil saber até onde vai o
talento do ator e o que ele poderia fazer com o talento que tem. Em uma
comparação frágil, sua situação é parecida com a de Quvenzhané Wallis, indicada
a Melhor Atriz em 2013. A atuação da pequena atriz é muito boa, mas o que é
atuação ali e o que é a simples reação aos comandos do diretor? O que é
talento? Mas esta á uma questão muito delicada para se debater agora. Wallis e
Abdi tiveram grandes momentos e foram indicados por eles, o tempo, agora, há de
provar estes talentos das mais diferentes formas.
Jonah Hill está muito melhor aqui
do que estava em O Homem que Mudou o
Jogo, filme pelo qual foi indicado pela primeira vez ao Oscar. Ator de
talento inquestionável, trabalhou em O
Lobo de Wall Street por amor à camisa, por ser fã de Scorsese e por
reconhecer um grande projeto. O que faz de sua atuação tão boa é que ele não
serve como simples alívio cômico ou então como o personagem engraçado, amigo do
protagonista. Sim, ele é tudo isso. Alívio cômico, amigo do personagem
principal e o mais engraçado, mas é também um dos personagens mais curiosos do
grupo. Com voz, dentes e cabelo diferentes, Hill deixa as comédias básicas e os
personagens simples para trás e abraça, definitivamente, a complexidade da
profissão. Não vai ganhar, mas a indicação é muito merecida.

O Esquecido: Daniel Brühl poderia garantir a indicação mais importante para um dos maiores injustiçados deste Oscar: Rush. Assim como nas demais categorias, porém, o longa de Ron Howard ficou de fora.

June Squibb é uma das melhores
coisas de Nebraska. Em um papel que,
na superfície, é apenas um alívio cômico, a atriz, aliada ao belo roteiro,
constrói um personagem complexo, que oculta vários segredos e particularidades
sobre o seu casamento e sobre si mesma. Interpretando uma velha mulher de
opinião forte, Squibb consegue algo que poucos conseguem: transmitir emoções
sem querer passá-las. Podemos ver, através de sua grande atuação, o amor que
sente pelo marido, mesmo sem demonstrar tal afeto. Se levasse o Oscar, não
seria tão ruim.



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