O Pipoca Net anuncia a realização de mais um Pipoca de Ouro. A "premiação", que chega este ano a sua terceira edição, visa a interação entre os cinéfilos que acompanham o blog e a comunidade da Revista Preview, a qual as enquetes para votação estarão disponíveis.Diferente dos outros anos, o 3º Pipoca de Ouro terá menos categorias. Saem as categorias de "Melhor Cena", "Melhor Personagem", "Melhor Casal", entre outras, e permanecem as mais importantes. As quinze categorias que compõem a próxima edição são: Melhor Filme, Direção, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original, Roteiro Adaptado, Edição, Animação, Fotografia, Figurino, Direção de Arte, Trilha Sonora e Efeitos Especiais.
Alguns pontos a serem esclarecidos:
1º - Como nas edições passadas, serão sete filmes indicados na categoria de Melhor Filme e cinco nas demais categorias.
2º - Os votantes podem fazer suas escolhas através de comentários na Lista de Indicados aqui mesmo no blog ou podem votar diretamente nas enquetes a serem criadas - logo após a revelação dos indicados aqui no blog - na comunidade da Revista Preview - Oficial (http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=92382958).
3º - Comentários serão bem vindos aqui no blog, nas enquetes e no tópico exclusivo do 3º Pipoca de Ouro.
4º - É permitido votar apenas uma vez. Caso o votante divulgue suas escolhas através de comentários no blog, este deve se identificar.
5º - Os indicados serão revelados no próximo domingo (25/12), às 20h.
6º - Os vencedores serão revelados no dia 15/01/2012 (domingo), às 20h.
Enfim, espero que participem. Votem e comentem! É essencial a sua participação.
Contamos com todos...
Nas categorias destinadas à TV, prefiro não comentar, já que a ausência de Breaking Bad, e sua fantástica quarta temporada, na categoria principal faz qualquer prêmio perder a graça. Feliz por American Horror Story e Game of Thrones serem lembradas.
Mas vamos aos indicados, com The Artist sendo o filme com mais indicações: seis, no total.
Cinema:
Melhor filme (drama)
Os Descendentes
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
Tudo pelo Poder
O Homem Que Mudou o Jogo
Cavalo de Guerra
Melhor filme (musical / comédia)
O Artista
Missão Madrinha de Casamento
My Week With Marilyn
Meia-Noite em Paris
50%
Melhor ator (drama)
George Clooney - Os Descendentes
Leonardo DiCaprio - J. Edgar
Michael Fassbender - Shame
Ryan Gosling - Tudo pelo Poder
Brad Pitt - O Homem Que Mudou o Jogo
Melhor atriz (drama)
Glenn Close - Albert Nobbs
Viola Davis - Histórias Cruzadas
Rooney Mara - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Meryl Streep - A Dama de Ferro
Tilda Swinton - Precisamos falar sobre o Kevin
Melhor ator (musical / comédia)
Jean Dujardin - O Artista
Brendan Gleeson - O Guarda
Joseph Gordon-Levitt - 50%
Ryan Gosling - Amor a Toda Prova
Owen Wilson - Meia-Noite em Paris
Melhor atriz (musical / comédia)
Jodie Foster - Carnage
Charlize Theron - Jovens Adultos
Kristen Wiig - Missão Madrinha de Casamento
Michelle Williams - My Week With Marilyn
Kate Winslet - Carnage
Melhor ator coadjuvante
Kenneth Branagh -My Week With Marilyn
Albert Brooks - Drive
Jonah Hill - O Homem Que Mudou o Jogo
Viggo Mortensen - Um Método Perigoso
Christopher Plummer - Toda Forma de Amor
Melhor atriz coadjuvante
Bérénice Bejo - O Artista
Jessica Chastain - Histórias Cruzadas
Janet McTeer - Albert Nobbs
Octavia Spencer - Histórias Cruzadas
Shailene Woodley - Os Descendentes
Melhor diretor
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
George Clooney - Tudo pelo Poder
Alexander Payne - Os Descendentes
Michel Hazanivicous - O Artista
Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret
Melhor roteiro
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon - Tudo pelo Poder
Michel Hazavanicious - O Artista
Jim Rash, Nat Faxon, Alexander Payne - Os Descendentes
Aaron Sorkin, Steve Zaillian - O Homem Que Mudou o Jogo
Melhor filme em lingua estrangeira
A Pele Que Habito (Espanha)
A Separação (Irã)
O Garoto da Bicicleta (Bélgica)
In the Land of Honey and Milk (EUA)
The Flowers of War (China)
Melhor longa animado
As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne
Operação Presente
Carros 2
Gato de Botas
Rango
Melhor trilha sonora original
Ludovic Bource - O Artista
Abel Korzeniowski - W.E.
Trent Reznor & Atticus Ross - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Howard Shore - A Invenção de Hugo Cabret
John Williams - Cavalo de Guerra
Melhor canção original
"Hello Hello" - Gnomeo & Julieta
"Lay Your Head Down" - Albert Nobbs
"The Living Proof" - Histórias Cruzadas
"The Keeper" - Redenção
"Masterpiece" - W.E.
TV:
Série Dramática
American Horror Story
Boardwalk Empire
Boss
Game of Thrones
Homeland
Série Cômica
New Girl
Enlightened
Episodes
Glee
Modern Family
Minissérie ou Telefilme
The Hour
Downton Abbey
Cinema Verite
Mildred Pierce
Too Big To Fail
Atriz de Série Dramática
Claire Danes por Homeland
Mireille Enos por The Killing
Julianna Margulies por The Good Wife
Madeleine Stowe por Revenge
Callie Thorne por Necessary Roughness
Ator de Série Dramática
Steve Buscemi por Boardwalk Empire
Bryan Cranston por Breaking Bad
Kelsey Grammer por Boss
Jeremy Irons por The Borgias
Damian Lewis por Homeland
Atriz em Comédia
Laura Dern por Enlightened
Zooey Deschanel por New Girl
Tina Fey por 30 Rock
Laura Linney por The Big C
Amy Poehler por Parks and Recreation
Ator de Série Cômica
Alec Baldwin por 30 Rock
David Duchovny por Californication
Johnny Galecki por The Big Bang Theory
Thomas Jane por Hung
Matt LeBlanc por Episodes
Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme
Jessica Lange por American Horror Story
Kelly Macdonald por Boardwalk Empire
Maggie Smith por Downton Abbey
Sofia Vergara por Modern Family
Evan Rachel Wood por Mildred Pierce
Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme
Peter Dinklage por Game of Thrones
Paul Giamatti por Too Big To Fail
Guy Pearce por Mildred Pierce
Tim Robbins por Cinema Verite
Eric Stonestreet por Modern Family
Atriz de Minissérie ou Telefilme
Diane Lane por Cinema Verite
Romola Garai por The Hour
Emily Watson por Appropriate Adult
Kate Winslet por Mildred Pierce
Elizabeth McGovern por Downton Abbey
Ator de Minissérie ou Telefilme
Hugh Bonneville por Downton Abbey
Idris Elba por Luther
William Hurt por Too Big to Fail
Bill Nigh por Page Eight
Dominic West por The Hour



X-Men: First Class poderia ser o melhor da franquia, mas os péssimos diálogos - a maioria ditas pelo Professor Xavier/James McAvoy - e os efeitos visuais capengas prejudicam um pouco o resultado final. Kevin Bacon está ótimo, Michael Fassbender também, mas January Jones é inexpressiva e Jennifer Lawrence atua no piloto automático. Divertido, cheio de boas referências internas e ótimas decisões. Apesar de um tropeço aqui e ali, é um ótimo filme.

A direção de Terrence Malick é, ao lado da de Darren Aronofsky (em Cisne Negro), a melhor do ano, a mais competente. Bem conduzido, com excelente fotografia e belas mensagens sobre Deus, vida, natureza e graça, A Árvore da Vida toca cada pessoa de um modo diferente. Amando ou odiando a obra de Malick, é impossível ignorar a beleza das imagens. Malick pinta quadros que beiram a perfeição. Pode não ser o melhor filme do ano, mas é, certamente, o mais belo.
Larry Crowne
A força de um protagonista, ou, neste caso, de um casal, podem salvar um filme do completo fracasso. Larry Crowne, dirigido por Tom Hanks, é um embaraço cheio de clichês e situações imbecis que não chegam a lugar algum. Cansa antes do fim. Tolo e óbvio, o filme ainda trás uma Julia Roberts totalmente sem graça e situações que não funcionam no contexto. Hanks, como sempre, esbanja carisma e Bryan Cranston merecia mais tempo na tela.
Ainda que brilhantemente dirigido, estupendamente fotografado e atuado com devoção por Kirsten Dunst, Melancolia é um pacote fechado sem muitas coisas para oferecer. Convence no seu estudo de personagem e trata a depressão, a melancolia, com inteligência e delicadeza, mas no final das contas, não chega a lugar algum, preferindo apenas mostrar os personagens conversando e se entregando, cada um, aos seus problemas. Poucas coisas acontecem e o filme não anda.
Transformers - O Lado Oculto da Lua
Como pode um filme tão barulhento, cheio de luzes e explosões, ser tão sonífero? Como pode algo tão vazio ter quase duas horas e meia? Repetindo sem vergonha o péssimo capítulo anterior, Transformers - O Lado Oculto da Lua recicla até mesmo pequenas cortes de cenas de outros filmes (é verdade, as provas estão espalhadas pela internet) e mantém o mesmo formato narrativo. A impressão, no final, é que estamos vendo o mesmo A Vingança dos Derrotados com algumas cenas diferentes, pois a batalha dos robôs gigantes continua monótona e idêntica às outras.

A Casa, filme uruguaio que se diz ser filmado em plano sequência (sem cortes), poderia ser chamado de "como estragar algo já ruim nos minutos finais". O filme é uma bobagem inócua que só tem a competente fotografia como bom atrativo. O diretor (que também escreveu e editou) sabota o próprio filme tornando-o ilógico. Há vários cortes escondidos durante toda a fita, tornando-o artificial em vários instantes. Têm alguns poucos bons momentos, como aquele que vem depois dos créditos, mas num todo é um enorme engodo.

Drive


Quando o mundo e a indústria se encontram na mediocridade artística e cultural na qual nos encontramos atualmente, é natural que nos tornemos nostálgicos. Que passemos a encarar o passado, e todo o clima que ele encerra. Assim podemos explicar porque festas temáticas dos anos oitenta façam tanto sucesso, ou porque filmes e as demais mídias, quando voltam os olhos e incorporam décadas passadas, recebam tanta atenção. Drive, dirigido por Nicolas Winding Refn (vencedor do prêmio de Melhor Direção no último festival de Cannes), evoca esta aura, esse clima oitentista que, quando bem abordado, dá bons resultados. Com Ryan Gosling à frente de um elenco que ainda conta com Carey Mulligan (não muito diferente dos outros papéis que apresentou até aqui) e o ótimo Bryan Cranston (da magnífica série de TV Breaking Bad), Drive é um filme simples, mas refinado. Com direção caprichada (Refn ganhou o prêmio em Cannes, afinal) e um ótimo estudo de personagem, o filme se mantém em poucos, mas importantes pilares: direção, atuação e clima. O clima, juntamente aos outros dois pontos recém citados, é o cerne da fita, que exala elegância e consistência. Gosling, carismático e arrebatador, entrega aqui aquela que talvez seja sua melhor atuação neste ano, e carrega a obra com firmeza e segurança. Alternando algumas cenas mais intensas com outras mais intimistas, Drive mistura ação e drama e é certamente um filme diferente, original. Ainda que tenha um esqueleto comum, é a gordura, os detalhes e a abordagem que fazem de Drive único e um dos melhores do ano.
A história é simples, mas coesa e esperta: Will Rodman (James Franco) é um cientista que está prestes a desenvolver um vírus capaz de curar o mal de Alzheimer e faz os testes em uma símia chamada Olhos Brilhantes. Rodman percebe que, após os testes, o animal fica demasiado inteligente, o que prova a eficácia do experimento. Tal inteligência passa para o filhote, batizado como Cesar pelo pai de Rodman (que sofre do mal de Alzheimer) depois que Olhos Brilhantes é morta durante um incidente. Adotado e morando com Rodman e seu pai, Cesar evolui sem precedentes e mostra grande inteligência. Oito anos depois, Cesar começa a questionar Rodman sobre seu passado e sente-se desconfortável com algumas coisas (ele pergunta ao "pai" se ele é um animal de estimação depois de ver um cão andando, assim como ele, com uma coleira no pescoço, numa interessante sacada dos roteiristas). Depois de um incidente, Cesar vai para um abrigo reservado para símios e, assim, a (r)evolução começa. Os escritores Rick Jaffa e Amanda Silver mantêm o ritmo durante toda a narrativa e desenvolvem o personagem central, Cesar, de forma inteligente e dedicada. Ainda que alguns personagens não tenham o mesmo cuidado relegado a Cesar, este quesito do roteiro não chega a prejudicar o resultado final. Bem estruturado, o texto nasce praticamente do zero e se firma sozinho, sem depender de toda a franquia que o precedeu, o que é um feito louvável. Fazendo ótimas referências ao original (como a Estátua da Liberdade em miniatura que Cesar "brinca"), a dupla toma cuidado ao costurar pontas e unir detalhes dos filmes.
Tecnicamente irrepreensível, Planeta dos Macacos: A Origem apresenta uma fotografia interessante, tendo em vista o material em questão, que, em outras mãos, seria algo burocrático e sem novidades. O fato é que aqui, a fotografia salta aos olhos nos momentos em que Cesar se encontra entre as árvores e contemplando a cidade do alto. Com reflexos, diferentes paletas (as cores no habitat natural são fortes e vivas, já as cenas do clímax na cidade tem como cor predominante o cinza e uma forte névoa) e bons quadros, as imagens enchem os olhos e comprovam o cuidado da produção. Outro ponto que merece destaque é a edição. Diferente da maioria dos filmes de ação/aventura atuais, as cenas são montadas com clareza e coesão. Podemos apreciar cada instante da ação sem perder detalhe algum. O clímax é um dos melhores momentos do ano: cheio de cenas tensas e bem coreografados, Planeta: A Origem chega, neste instante, a um patamar que nenhum outro exemplar do gênero conseguiu nos últimos meses.
Mas são três pontos que elevam Planeta: a direção de Rupert Wyatt; os efeitos especiais que beiram a perfeição e a atuação cheia de humanidade de Andy Serkis. A direção de Wyatt (e aqui temos um ponto realmente surpreendente) é o pilar do filme: conduzindo com inteligência e talento as cenas de ação e com cuidado e calma as cenas mais dramáticas, Wyatt, que é um estreante nesse tipo de produção, mostra fibra e criatividade durante todo o tempo. Os planos abertos que revelam a cidade ou os closes que focam as mais sutis reações/emoções de Cesar, merecem atenção. E isto nos trás aos efeitos especiais do longa: com realismo impressionante, os símios de Planeta parecem reais. Os pêlos, os movimentos, os olhos; tudo é perfeito e detalhado. E isso ajuda na construção dos personagens e dão aos atores total liberdade. E assim chegamos ao terceiro item: a atuação de Serkis. Perito nesse tipo de projeto, Serkis já interpretou o lendário Gollum, em O Senhor dos Anéis, o King Kong e em dezembro chega aos cinemas em As Aventuras de Tintim, também vestindo os trajes da captura de movimento. Aqui, Serkis prova mais uma vez o seu talento interpretando não apenas um chimpanzé, mas sim, um ser dotado de inteligência e emoções, e cada olhar do ator e movimento, denotam o estudo aprofundado do mesmo com relação ao personagem e ao animal que ele teve de interpretar. É possível ver Serkis ali; podemos ver alguns traços de seu rosto em Cesar, o que dá ainda mais veracidade à atuação do ator.
Pensando bem, Planeta dos Macacos: A Origem é sim uma surpresa: consegue ser melhor do que eu pensava. A fita não se limita apenas à guerra de símios versus humanos, mas desenha com calma e esperteza toda a evolução, o caminho de Cesar até a revolução. A obra trás também pontos interessantes da própria metalinguagem cinematográfica: até que ponto torcemos pelo "mocinho"? Quem representa o bem e o mal aqui? Tais questões podem soar maniqueístas, mas se tornam interessantes quando percebemos que os humanos são seres desprezíveis - e sabemos disso - e passamos a torcer pelo símio que, sem falar, nos agarra e nos faz pensar como e com ele. E isso é um grande feito dos roteiristas, do diretor, de Serkins e do filme como um todo.
2 Anos
No dia vinte e cinco de agosto de 2009 eu publicava o primeiro post do Pipoca Net. No texto, eu dava boas vindas a quem visitasse o blog e estava cheio de planos. Na época éramos três: Anabela, Caio e eu. Com o passar do tempo, alguns sairam, outros entraram, uns escreveram de vez em quando, mas o Pipoca ficou. Teve bons tempos, cheios de postagens, e teve outros em que houve apenas uma postagem durante um mês inteiro. O blog foi aceito pela SBBC (Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos), todo ano faz sua própria "premiação" (o Pipoca de Ouro) e tem uma boa parcela de visitas. Este post deveria ser alegre, cheio de coisas belas e palavras de agradecimento, mas este post é, para mim, um modo de refletir e pensar no futuro do blog. Tenho duas opções: continuar como está, com raras postagens, ou tentar retornar com todas as forças com postagens diárias. Jamais abandonarei.
Com vários posts ou não, peço que siga junto ao Pipoca Net. Acompanhe, leia, comente! São dois anos de puro amor ao Cinema!
Um Lugar Qualquer
Crítica - Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
0 comentários Postado por Matheus Pereira às 15:07
E não tenho medo algum ao usar superlativos aqui; afinal, não há como negar o valor histórico e o impacto cultural que a série Harry Potter causou no mundo inteiro. Sendo fã da série ou não, amando ou odiando os livros e filmes, deve-se reconhecer que nenhuma outra franquia alcançou o que Harry Potter alcançou. Em 2001 (como o tempo passa rápido!), quando o primeiro capítulo da saga, Harry Potter e a Pedra Filosofal, chegou aos cinemas, pelas mãos de Chris Columbus, ninguém imaginava o que aquela obra representaria para o Cinema e para o público. Lançado uma semana antes de O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel, é importante salientar que, mesmo "concorrendo" com o épico arrebatador de Peter Jackson, o bruxinho arrecadou quase um bilhão nas bilheterias. Feito notável, visto que o primeiro capítulo da trilogia do anel é um enorme sucesso de público e crítica e, cinematograficamente falando, muito melhor que o exemplar dirigido por Columbus. Começava ali a maior e mais lucrativa franquia do Cinema. Quem poderia imaginar que estaríamos aqui, hoje, vendo e comentando sobre o último filme da série? Alguém pensou que chegaria até aqui? Talvez ninguém imaginou o quão emocionante e doloroso seria se despedir de personagens que aprendemos a gostar; personagens que o tempo se encarregou de torná-los praticamente reais.
Mas que fique claro: deixo meu "lado fã" de lado para analisar o último filme de maneira consciente e justa. Apesar de adorar cada filme, nunca fechei meus olhos para os erros e tropeços de cada um. O fato é que Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 é extremamente satisfatório, e os pequenos erros que eventualmente surgem em uma adaptação, em nada interferem no resultado final. David Yates prova, definitivamente, que foi o diretor que mais soube captar a essência dos livros e imprimi-la na tela. Talvez seja o diretor - juntamente a Alfonso Cuarón - que melhor entendeu o universo criado por J.K. Rowling. Responsável pela série desde o quinto filme, Yates só acrescentou coisas boas: o realismo bem mais acentuado e o clima de urgência e perigo são as colaborações de maior valor. O espectador pôde sentir a ameaça que Voldemort causava apenas a partir do quinto filme (o final do quarto capítulo, dirigido por Mike Newell, já dava sinais disso). Desde então, uma espiral crescente de terror e tensão tomou conta daquela franquia que, até então, era alegre, nada opressora e divertida.
As duas partes de Relíquias da Morte formam, indubitavelmente, um grande filme. O melhor exemplar da franquia, sem dúvida. A primeira parte, lenta e contemplativa, mostrava uma face de Harry Potter até então inexplorada. A angústia dos personagens virou foco principal, e a ação e os efeitos especiais deixados de lado. Algumas características do primeiro fragmento podem ser encontradas nos primeiros minutos desta segunda parte. Porém, logo em seguida, a Parte 2 assume um caráter bem diferente de seu anterior. Repleto de ação e uma urgência sufocante, o filme leva o espectador numa montanha russa de emoções muito divertida, e a sequência do Gringotes é um dos melhores momentos de toda a saga. De repente, já estamos em Hogwarts. E a grande batalha se aproxima. Graficamente violenta e emocionalmente profunda, a grande guerra na escola de magia e bruxaria é um espetáculo. David Yates concebe cenas deslumbrantes e sequências dignas de um épico.
Mas Harry Potter 7.2 não é só ação e diversão. Pelo contrário. Os personagens são os mais importantes. Acima de tudo: os reflexos da guerra em cada um é o que mais impressiona. Cansados e feridos, pais, alunos e professores lutam e sofrem a cada momento. E ainda que seja uma batalha com varinhas e feitiços, é impossível não acreditar em cada frame, tamanha a carga emocional e o realismo investidos. Yates e o roteirista Steve Kloves se preocupam com os sentimentos e com o desenvolvimento dos personagens, e talvez pela primeira vez em toda a saga, certos personagens têm o devido espaço. Snape (Alan Rickman, em atuação excepcional), diferente do que acontece na primeira parte, tem grande espaço, podendo ser considerado como um dos grandes pontos do filme. A professora Minerva McGonagall (Maggie Smith) finalmente tem alguns segundos a mais em cena e protagoniza, justamente com Rickman/Snape, um dos melhores momentos da fita. O trio central está, como nunca antes, excelente. Com destaque para Daniel Radcliffe que enfim mostra total domínio sobre o personagem.
Do ponto de vista técnico, 7.2 é excelente. A fotografia de Eduardo Serra é belíssima, e Hogwarts nunca foi tão surpreendente e o ambiente nunca tão assustador. A batalha, cuja maior parte do tempo se passa a noite, é lindamente fotografada; as luzes e cores, aliadas aos belos quadros de Yates, formam grandes e impactantes imagens. A trilha sonora é soberba. Alexandre Desplat supera o excelente trabalho feito na primeira parte e entrega uma trilha melancólica, vibrante e acolhedora em vários momentos. E se os fãs clamam por indicações ao Oscar, Desplat é o grande merecedor de tal mérito. Já os efeitos especiais, ainda que ótimos na maioria das sequências, não funcionam em alguns pontos, como na parte em que os personagens saem da Sala Precisa e num momento chave do grande duelo entre Harry e Voldemort. Extremamente fiel ao livro, Kloves soube abordar vários aspectos da obra e soube amarrar com inteligência várias pontas soltas, e é admirável o feito do roteirista, já que o último livro é um dos mais complicados e repleto de detalhes importantes. A única falha é o descarte do passado de Dumbledore. Os maiores segredos do passado do poderoso bruxo foram omitidos. Toda a relação dele com a irmã e com outro poderoso bruxo foram deixadas de lado (quem leu o livro saberá do que estou falando).
Mas aqui, devo citar algo mais pessoal sobre o grande final de Harry Potter: eu nunca vi, em nenhuma outra ocasião, uma emoção tão forte dentro da sala de cinema. A comoção, a angustia, o choro nunca foram tão evidentes como desta vez. Vi fãs e admiradores do bom cinema ficarem presos à poltrona, acompanhando de perto cada segundo do emocionante capítulo final. Os soluços de cada fã, a dor da despedida... Nunca uma sessão foi tão emocionante. Confesso que segurei as lágrimas várias vezes; o ápice da emoção acontece em um momento inesperado para muitos: o fim de Severo Snape. É óbvio que não contarei o que acontece, só deixo o aviso: as sequências são arrebatadoras e impressionantes. Yates, que antes pecava na despedida de certos personagens e nunca gostou de fortes emoções, agora e se rende e capricha (ainda que falhe numa das passagens mais importantes, protagonizada por Harry e o antigo diretor de Hogwarts). Surpreendentemente violento (a morte de dois personagens - um importantíssimo, e outro nem tanto - em si, são inacreditáveis), a todo instante vemos cadáveres e uma quantidade considerável de sangue, 7.2 alcança uma maturidade e complexidade emocional invejável.
A triste despedida já passou. Foi difícil. O que ficou foi um imenso vazio. Peço desculpas se a resenha ficou demasiado longa, mas a ocasião pedia algo mais completo. Foi triste ver aquelas figuras, que acompanhamos por tantos anos, ficarem para trás. Foi um estranho misto de tristeza e alegria ouvir o tema da saga ecoando nos créditos finais. Não posso afirmar, pois o tempo é remoto e imprevisível, mas duvido, realmente, que algo como Harry Potter surja novamente nos cinemas e na literatura. Tenho orgulho de dizer, com uma tristeza inimaginável no coração: eu cresci com Harry Potter.
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